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		<title>Infovini | Artigos</title>
		<link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27</link>
		<description>Feed de artigos do Infovini - o portal do vinho português</description>
		<webMaster>infovini@infovini.com (Equipa do Infovini)</webMaster>
		<item><title>Um copo de três e um quarto para dois</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=56</link><description>Estamos a 30 minutos e muitas curvas do Pinhão, na Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo. Chegámos de noite, a bater a estrada que sobe e serpenteia as encostas vinhateiras do Douro e tentando adivinhar a paisagem. Às 23h50 parámos o motor do carro. Esperava-nos uma antiga casa senhorial do século XVIII transformada em hotel rural, a um mundo de distância das grandes cidades.&#60;br /&#62; &#60;br /&#62; A winehouse da Quinta recebeu este ano o prémio Best Wine Tourism na categoria Arte e Cultura (prémio internacioal entregue pela Rede de Capitais de Grandes Vinhedos) e, com a época de vindimas a aproximar-se, os visitantes começam a chegar. Andre Odd, canadiano de 57 anos, descobriu a quinta no posto de turismo da Régua. Chegou aqui de carro, mas podia tê-lo feito de barco, comboio ou mesmo de helicóptero - a propriedade tem heliporto. A Quinta Nova está nas mãos do grupo Amorim desde 1999 mas já pertenceu a várias famílias ligadas ao Douro vinhateiro - a Burmester foi a última. Andre, a mulher e outro casal canadiano vêm do Sol do Algarve e estão a subir o país. &#38;#34;O vinho desta região é muito bom. E como adoro o néctar, o Douro tinha de ser passagem obrigatória&#38;#34;, diz, enquanto se prepara para visitar os quartos e fazer o check- -in. Acompanhados por uma assistente, os turistas acabam de visitar a adega renovada mas datada de 1764, a sala de barricas e o restante núcleo central da propriedade de 120 hectares (85 de vinha).&#60;br /&#62; &#60;br /&#62; Enoturismo Nesta quinta mergulha-se no vinho e no seu processo de produção. Em Setembro, no tempo das vindimas, &#38;#34;há quarenta mulheres a trabalhar na apanha durante três semanas&#38;#34;, contabiliza Paula Sousa, uma das responsáveis. Mas &#38;#34;tem dias de andarem cem pessoas nestas encostas&#38;#34;, remata Carlos Neira, o adegueiro da Quinta Nova. É essa colheita que assegura a produção anual de 200 mil garrafas, vendidas para 12 países. Nessa altura o visitante vem para participar na jorna de trabalho. E nem é preciso estar alojado: um dia na vindima custa 45 euros.&#60;br /&#62; &#60;br /&#62; Por agora, as uvas ainda estão verdes e húmidas nas cepas e, por isso, as ofertas são outras. A Quinta Nova tem uma malha de 17 quilómetros de percursos pedestres. É um convite a perder-se no meio das vinhas - ora subindo e aproveitando a paisagem, ora descendo em direcção às águas calmas do Douro que cercam a propriedade ao longo de um quilómetro e meio. Trocamos o passo (ou as bicicletas, que também as há) pela carrinha todo-o-terreno e vamos conhecer a quinta. Sempre por caminhos de terra, chegamos à linha férrea do Douro e à Capela de Nossa Senhora do Carmo, que dá nome à quinta. Dirigimo-nos a um dos pomares que os visitantes usam para piqueniques ou para beber um copo de vinho ao final da tarde. Paula Sousa explica que &#38;#34;a ideia não é massacrar as pessoas com actividades&#38;#34;, nem toda a gente faz enoturismo para aprender alguma coisa&#38;#34;. Mas, também há cursos de vinho e provas especiais.&#60;br /&#62; &#60;br /&#62; Wine chasing Cruzar a actividade física e lúdica com o vinho é outra aposta da quinta. O wine chasing (versão &#38;#34;de adega&#38;#34; do geo cashing, espécie de caça ao tesouro com GPS e pistas) é uma das actividades propostas. Os mais dados à inércia podem regressar ao coração da quinta e ficar pela piscina com vista para o rio. De volta à casa senhorial, seguimos para a adega. &#38;#34;Os lagares já não se usam como antes&#38;#34;, vai explicando Paula Sousa quando lhe perguntamos se os visitantes podem pisar uvas. &#38;#34;A equipa não gosta muito [de disponibilizar uvas para pisar] porque há um grande desperdício de vinho e a qualidade não é a que se quer. Implicava termos aqui muitos turistas a pisar durante o dia sem fazerem mais nada.&#38;#34; E quem visita &#38;#34;prefere saborear o vinho ou conversar um pouco com o enólogo&#38;#34; Francisco Montenegro. A tradição já não é o que era.&#60;br /&#62; &#60;br /&#62; Descemos à garrafeira e à sala de barricas. O ar é espesso, a luz escassa e a temperatura controlada. Vinhos antigos são escassos, porque o negócio com a Burmester &#38;#34;levou boa parte&#38;#34;, explica Paula. As barricas de 125 litros, onde os vinhos estagiam em casca de carvalho americano e húngaro, perfilam-se a caminho da sala de provas, no espaço vidrado com uma vista imponente sobre o vale.&#60;br /&#62; &#60;br /&#62; Comer É hora de sentar à mesa. Vinho casa com comida e o restaurante da quinta não foge aos alimentos tradicionais - o bacalhau, o cabrito, a boa carne - sempre servidos com um cuidado estético especial. Nos copos perfilam-se os três vinhos da casa: Três Pomares, Grainha e Quinta Nova, onde predominam as castas Touriga Nacional e Tinta Roriz. No vinho, como no terreno inclinado da quinta, é sempre a subir: no preço e na qualidade.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Hélder Beja | i online</description><pubDate>Mon, 20 Jul 2009 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=56</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Válega assinala hoje 70 anos da revolta popular contra o corte de videiras americanas</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=55</link><description>A lápide cravada na parede recorda o que aconteceu a 15 de Maio de 1939. A frase resume a história. &#38;#34;Neste local, foram mortos Jaime da Costa e Manuel Maria Valente de Pinho por uma força militar que investiu contra o povo de Válega que se opôs ao corte das videiras de vinho americano&#38;#34;.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Jaime era pedreiro e tinha 18 anos, Manuel era agricultor e tinha 38. A brigada chegou a Válega, Ovar, para cumprir a lei de Salazar que proibia a plantação de videiras americanas sem ser para porta-enxertos de castas portuguesas. O povo revoltou-se, armou-se com alfaias agrícolas, cercou os militares no adro da igreja e os sinos tocaram a rebate. Os reforços não tardaram. A população atirou pedras, a resposta foi dada com tiros. Houve feridos e presos. Hoje, 70 anos depois, a Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro volta a organizar uma homenagem aos mártires do corte das videiras com uma romagem à campa dos dois falecidos, a partir das 11h00. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;José Maria Almeida tinha 25 anos, tem agora 94. Era agricultor e chegou a pegar numa gadanha para impedir o arranque das videiras pelo pé. &#38;#34;O presidente da junta acompanhou sempre a gente&#38;#34;, recorda. Era dia de juntar-se aos pais numa feira agrícola em Estarreja. Foi buscar a bicicleta, passou pela igreja, viu a confusão e pedalou para avisar os pais que voltassem por outro caminho. &#38;#34;Muita gente foi para casa tirar as balas das costas&#38;#34;, lembra. Dias depois foi intimidado para um inquérito policial em Ovar e o pai chegou a estar preso em Aveiro. &#38;#34;Toda a gente estava cheia de medo&#38;#34;. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;João Maria Valente tinha 10 anos em 1939. O pai era agricultor, um dos que se juntou ao povo e teve de fugir. &#38;#34;Alguns até se esconderam nos fornos de cozer o pão&#38;#34;, conta. &#38;#34;Sabe por que queriam cortar as videiras? Porque o pessoal da Bairrada queria vender o seu vinho&#38;#34;. João Maria tornou-se agricultor, chegou a plantar videiras de vinho americano branco e tinto. Agora, com 80 anos, as pipas e as cubas estão vazias. &#38;#34;Já não é preciso guerra, nem barulho, para cortar as videiras&#38;#34;, comenta. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Filomena Amaral tinha 10 anos e recorda-se dos homens da cavalaria que chegaram a Válega algumas semanas depois de 15 de Maio. Vinham cumprir a lei e, dessa vez, não houve luta. Não eram mais de dez, não entraram no pátio da casa e fizeram o seu trabalho. &#38;#34;Mexeram nas pilhas de estrume para ver se havia pipas de vinho escondidas&#38;#34;, recorda. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Teresa Amaral, directora do Museu Etnográfico de Válega, mostra a &#38;#34;relíquia&#38;#34;. A tinta preta não se apagou na página amarelada do diário que começou a ser escrito em 1918. José Maria Tavares escreve que foi preso no dia 15 de Maio &#38;#34;por causa das videiras&#38;#34; e &#38;#34;posto em liberdade no dia 26 de Junho de 1939&#38;#34;. O diário fará parte da exposição O Vinho - Da Cepa à Pipa, que abre hoje no museu de Válega, tal como um placard dedicado ao corte das videiras de 1939. &#38;#34;Naquele tempo, o vinho era essencial numa casa de lavoura&#38;#34;, sublinha. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O decreto-lei de 18 de Abril de 1935 não permitia a plantação de videiras-americanas sem ser para lhes enxertar castas nacionais, determinando o arranque, a substituição ou enxerto das existentes. Os viticultores eram obrigados a inutilizar as enxertias efectuadas depois de Outubro de 1934. Nove anos depois, a legislação mudou e decidiu-se aplicar uma multa aos agricultores que desrespeitavam os imperativos legais. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A lápide cravada na parede recorda o que aconteceu a 15 de Maio de 1939. A frase resume a história. &#38;#34;Neste local, foram mortos Jaime da Costa e Manuel Maria Valente de Pinho por uma força militar que investiu contra o povo de Válega que se opôs ao corte das videiras de vinho americano&#38;#34;. Jaime era pedreiro e tinha 18 anos, Manuel era agricultor e tinha 38. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A brigada chegou a Válega, Ovar, para cumprir a lei de Salazar que proibia a plantação de videiras-americanas sem ser como porta-enxertos de castas portuguesas. O povo revoltou-se, armou-se com alfaias agrícolas, cercou os militares no adro da igreja e os sinos tocaram a rebate. Os reforços não tardaram. A população atirou pedras, a resposta foi dada com tiros. Houve feridos e presos. Hoje, 70 anos depois, a Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro volta a organizar uma homenagem aos mártires do corte das videiras com uma romagem à campa dos dois falecidos, a partir das 11h00. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;José Maria Almeida tinha 25 anos, tem agora 94. Era agricultor e chegou a pegar numa gadanha para impedir o arranque das videiras pelo pé. &#38;#34;O presidente da junta acompanhou sempre a gente&#38;#34;, recorda. Era dia de juntar-se aos pais numa feira agrícola em Estarreja. Foi buscar a bicicleta, passou pela igreja, viu a confusão e pedalou para avisar os pais que voltassem por outro caminho. &#38;#34;Muita gente foi para casa tirar as balas das costas&#38;#34;, lembra. Dias depois foi intimado para um inquérito policial em Ovar e o pai chegou a estar preso em Aveiro. &#38;#34;Toda a gente estava cheia de medo&#38;#34;. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;João Maria Valente tinha 10 anos em 1939. O pai era agricultor, um dos que se juntaram ao povo e tiveram de fugir. &#38;#34;Alguns até se esconderam nos fornos de cozer o pão&#38;#34;, conta. &#38;#34;Sabe por que queriam cortar as videiras? Porque o pessoal da Bairrada queria vender o seu vinho&#38;#34;. Já Filomena Amaral, que tinha 10 anos, recorda-se dos homens da cavalaria que chegaram a Válega algumas semanas depois de 15 de Maio. Vinham cumprir a lei e, dessa vez, não houve luta. Não eram mais de dez, não entraram no pátio da casa e fizeram o seu trabalho. &#38;#34;Mexeram nas pilhas de estrume para ver se havia pipas de vinho escondidas&#38;#34;, recorda. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Teresa Amaral, directora do Museu Etnográfico de Válega, mostra a &#38;#34;relíquia&#38;#34;. A tinta preta não se apagou na página amarelada do diário que começou a ser escrito em 1918. José Maria Tavares escreve que foi preso no dia 15 de Maio &#38;#34;por causa das videiras&#38;#34; e &#38;#34;posto em liberdade no dia 26 de Junho de 1939&#38;#34;. O diário fará parte da exposição O Vinho - Da Cepa à Pipa, que abre hoje no museu de Válega, tal como um placard dedicado ao corte das videiras de 1939. &#38;#34;Naquele tempo, o vinho era essencial numa casa de lavoura&#38;#34;, sublinha.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Sara Dias Oliveira | Público</description><pubDate>Fri, 15 May 2009 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=55</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Favaíto destronou o rival Martini em mercados nacionais</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=54</link><description>A história das adegas cooperativas do Douro, a mais antiga região demarcada do mundo, é maioritariamente feita, hoje em dia, de contas desequilibradas e finanças periclitantes. A Adega Cooperativa de Favaios, criada em 1952, é uma das sólidas excepções. Fechou o exercício de 2008 com um volume de negócios de 14,5 milhões de euros. O produto-estrela, responsável por mais de 40 por cento da facturação, é o Favaíto, o moscatel vendido em miniaturas de garrafas, que dá guerra ao líder do mercado dos aperitivos, Martini.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A guerra não está ganha - o grupo Martini-Bacardi tem a liderança incontestada e uma quota de mercado de 56 por cento (contra os 24 por cento assegurados pelo Favaios) - mas há já algumas batalhas em que a vitória cai para a adega duriense. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Na região do Porto e grande Porto, os aperitivos mais vendidos já não têm marca italiana: a Martini-Bacardi vende 36 por cento e o Favaios assegura uma quota maioritária de 43,9 por cento. O mesmo não acontece nas outras regiões monitorizadas pela AC Nielsen. Em todo o Litoral Norte (que exclui a região do Porto), a Martini assegura 72 por cento dos aperitivos vendidos e o Favaios 24 por cento. Na área de Lisboa, o moscatel de Setúbal rouba quota à Martini, que tem 45 por cento do mercado, e o Favaios mantém os mesmos 24 por cento.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Qual é o segredo do Favaíto? Será o preço? Constatamos que uma caixa de 50 garrafinhas de Favaíto fica mais barata cerca de dois euros do que uma caixa de Martini. A resposta rápida dada pelo responsável pelo departamento de produção da adega, Miguel Ferreira, aponta para a qualidade do produto. &#38;#34;É um produto cem por cento natural e cem por cento vinho&#38;#34;, diz. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O moscatel de Favaios só tem uvas e aguardente vínica na sua composição. O vermute, como o Martini, é composto por vinho e outros ingredientes, nomeadamente ervas aromáticas. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A qualidade repete-se em cada uma das 15 mil garrafinhas que são produzidas por hora. Das três linhas de enchimento que existem na adega, uma trabalha exclusivamente para as pequenas garrafinhas. A qualidade começa na matéria-prima e na uva, a casta moscatel Galega-Branca. E continua nas instalações do centro de vinificação, construído em 2005 e que significou um investimento de 7,5 milhões de euros. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A fermentação é feita com temperatura controlada e interrompida com a adição de aguardente de forma a obter um vinho com elevado teor alcoólico e açúcar residual. &#38;#34;São 130g de açúcar por litro&#38;#34;, explica Miguel Ferreira, acrescentando que este &#38;#34;vinho naturalmente doce&#38;#34; passa depois por um processo de envelhecimento mínimo de dois anos, primeiro em balseiros de carvalho e depois em depósitos de aço inox. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;São produzidos 26 milhões de garrafinhas por ano (o recorde está em 2007, ano em que se encheram 28 milhões). Há menos de um mês, foi considerado o quarto melhor vinho do mundo na categoria de licores - o primeiro e o terceiro também levam a marca de Favaios. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Holofotes da Volta a Portugal&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A moda destas garrafinhas nasceu em Portugal. Até a Martini teve de se adaptar ao gosto do mercado nacional e vendê-las exclusivamente cá, pelo menos até 2004. As primeiras garrafinhas com o rótulo do Favaíto começaram a ser vendidas em 1995, mas foi em 2001, ano em que a Adega Cooperativa de Favaios patrocinou pela primeira vez a Volta a Portugal [havia de patrocinar, ainda, as duas voltas seguintes], que houve a possibilidade de apresentar o produto e contar a história que, segundo Rui Marques, do departamento financeiro da adega, ajudou a divulgar aquele que é hoje o aperitivo português mais vendido no mercado nacional. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;No ano passado venderam-se 6,1 milhões de euros de Favaíto, com a garrafa de 0,75 litros a ganhar alguma quota, a par do crescimento das exportações. O &#38;#34;mercado da saudade&#38;#34;, como lhe chamou Rui Marques, faz-se das garrafas de 0,75 litros que são exportadas para França, Suíça, Alemanha e Luxemburgo - os destinos de exportação mais consolidados.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Agora, a direcção da adega elegeu mais dez como prioritários e prepara-se para lançar uma ofensiva, entre outros, em Angola e no Brasil. Rui Marques explica que oito por cento da facturação conseguida em 2008 teve como destino o mercado de exportação. E que o objectivo, &#38;#34;nos próximos dois a três anos, é passar esta margem para 20 por cento&#38;#34;. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;José Gradim, director comercial da Adega de Favaios, explica que as marcas de Favaios já entraram na Holanda e na Bélgica e que se registou um surpreendente e positivo ingresso no menos óbvio mercado da Polónia [pele menos em termos da comunidade portuguesa], à boleia da Biedronka, rede de distribuição detida pelos portugueses da Jerónimo Martins. &#38;#34;Foi tudo feito através de e-mail, sem contactos privilegiados, mas que acabou com sucesso&#38;#34;, explica José Gradim. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;À boleia do Maxigrupo, cadeia detida pela Teixeira Duarte, a adega quer dar-se a conhecer ao apetecível mercado angolano. Identificados como interessantes estão também o Brasil, o Reino Unido, Estados Unidos e Canadá, e o mercado escandinavo, com primazia para a Suécia. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#38;#34;A adega de Favaios não escapou à crise e, nas garrafinhas, estamos a sentir quebras da facturação na ordem dos 20 por cento. Pelo contrário, o Favaíto 0,75 litros cresceu 30 por cento&#38;#34;, explica Rui Marques. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;No mercado interno continuam a privilegiar-se as garrafinhas, sobretudo consumidas nos cafés e restaurantes. Por isso, a adega quis possibilitar aos consumidores domésticos o acesso a elas, sem a obrigatoriedade de comprar as tradicionais caixas de 50. Nos supermercados já é possível encontrar packs com dez garrafinhas de Favaíto.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Luísa Pinto | P2 | Público</description><pubDate>Sun, 26 Apr 2009 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=54</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Do mato e das estevas do início ao vinho que jorra hoje das pipas</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=53</link><description>O início desta jornada foi a chegada de Lisboa a um lugar isolado, longe de décadas de vida acelerada ao ritmo da maior cidade portuguesa. Júlio Canarias e Maria de Fátima abandonaram Lisboa, cidade onde tinham passado grande parte da sua vida adulta e rumaram a Vale de Água, nos limites do concelho do Fundão. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Do nada fizeram uma quinta e dessa quinta um vinho de que se orgulham e o qual dão a provar a estes convidados de ocasião. E que passa com distinção. Do nada juntou-se o esforço e a insistência e hoje colhem os frutos da aposta que nem sempre foi isenta de incertezas e de riscos.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Júlio Canarias, 67 anos, reformado da PSP, voltou para a terra que o viu nascer. Está a fazer dez anos. Voltou para a agricultura. &#38;#34;Chegou a altura da aposentação&#38;#34; e, com ela, uma pergunta, geralmente, de complicada resposta: &#38;#34;O que é que eu vou fazer?&#38;#34; O local onde hoje nos recebe dá a resposta. Uma resposta que &#38;#34;teve uma grande influência do filho, que gosta muito de estar no campo&#38;#34;, diz. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A duas parcelas de terra que já tinham por ali, juntaram um monte que compraram na altura em que tomaram a decisão de mudar o rumo das suas vidas. &#38;#34;Viemos para aqui e começámos a pensar o que é que poderíamos fazer para sobreviver aqui. A agricultura é muito difícil. Quando nós viemos para aqui, se eu não estivesse reformado, se não recebesse reforma, não conseguia. Se calhar morria por aí de fome...&#38;#34;, graceja.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Os tempos das incertezas, que emsombram sempre um novo projecto de vida e uma mudança radical de costumes deram azo a várias experiências nos seus terrenos, que incluiu mesmo uma criação de avestruzes. Chegou a ter quase duas centenas daqueles animais. Mas a afinação da sua filosofia de crescimento como agricultor deu-se com a aposta na vinha. São cinco hectares que tomaram o lugar de vizinho. &#38;#34;Pedimos um subsídio para os primeiros hectares de vinha e agora fizemos para mais dois.&#38;#34; E aí estão eles, plenos de vivacidade e em produção.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#38;#34;Já tivemos essas fases, onde pensámos que talvez tivéssemos feito mal em vir para cá, mas agora...&#38;#34; Agora é tudo muito diferente, concluímos nós. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A beleza da quinta e as pipas cheias com o seu trabalho &#38;#34;e com algum rendimento que vamos tendo&#38;#34;, o ânimo instalou-se por aqui e é para ficar. Pelo menos projectos não faltam para o seu tão elogiado vinho. E garante que quem o conhece quer mais e as encomendas são prova disso. O vinho é bom e tem orgulho nisso. Quem não teria? E as ideias seguem o seu caminho: &#38;#34;Com esta produção que nós temos, estamos a pensar daqui a amanhã organizarmo-nos, juntamente com o meu filho, para criarmos uma marca, fazermos aqui uma adega&#38;#34;, revela. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O futuro tratará, por certo, de confirmar as suas aspirações. Se há bom vinho, a boa sorte virá a seguir.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Diário de Notícias</description><pubDate>Fri, 17 Apr 2009 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=53</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Cadastro é areia na engrenagem</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=52</link><description>Apesar das boas relações, mera burocracia ainda não permitiu o regresso da produção ao interprofissional. E o cadastro - &#38;#34;um valor cultural de grande importância&#38;#34; - continua em tribunal.&#60;br /&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Concluídos os primeiros três meses de mandato, que balanço faz?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A resposta dos funcionários à minha presença foi positiva, o relacionamento com a tutela tem sido tranquilo e franco, as coisas têm corrido bem. A única coisa que neste momento ensombra, um pouco, estes três meses é que ainda não conseguimos trazer para o interprofissional os oito membros da produção que se demitiram anteriormente.&#60;br /&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;O conselho interprofissional está a funcionar?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Está a funcionar, mas reúne-se apenas com dois membros da produção e os elementos do comércio. Reuni-me com o senhor presidente da Casa do Douro e expus-lhe a importância da presença integral da produção no interprofissional, mas a questão é que esses oito membros perderam o mandato e o regulamento não permite que estes mesmos elementos sejam reconduzidos, obriga à nomeação de novos elementos.&#60;br /&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;E porque é que a Casa do Douro ainda não nomeou outros?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Alega que seria uma nomeação por pouco tempo, atendendo a que, em breve, haverá eleições (adiadas a semana passada de 1 de Fevereiro para 1 de Março). Nós é que não podemos parar. &#60;br /&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Já é positivo mostrar abertura para voltar.&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Claro que sim. As relações com a Casa do Douro são normais, não há qualquer problema.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Dos desafios que o ministro lhe colocou, ao dar-lhe posse, havia a necessidade de trazer de novo a produção para o interprofissional e de dar uma nova centralidade ao instituto na Régua. Que passos foram dados?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Primeiro temos de saber que serviços vai acolher a nova sede na Régua, só depois se pode lançar o concurso público. Estamos a fazer o levantamento da unidade operacional que queremos instalar ali, sendo certo que queremos que o Centro de Estudos Vitícolas do Douro fique no IVDP. Em breve vamos lançar o concurso e depois se verá.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Com esta nova centralidade, o que resta no Porto?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Tudo. Não se pense que se pega no instituto e se transfere para o Douro. Até pode vir a acontecer um dia, mas não assim de repente. Depende do movimento dos próprios operadores e fará sempre todo o sentido uma delegação do IVDP no Porto.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;O cadastro ainda é uma &#38;#39;areia na engrenagem&#38;#39; das relações com a Casa do Douro?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Há acções em tribunal, naturalmente há alguma &#38;#39;areia na engrenagem&#38;#39;. Não sei se no futuro poderá haver algum entendimento. Não me admiro que a Casa do Douro pense que aquilo tem valor. E tem. Há espólios documentais que têm imenso valor, portanto o cadastro também o terá com certeza. E se me disser que [o cadastro] podia ajudar a resolver alguns dos problemas actuais, não duvido de que podia. De certa maneira, isso já está a acontecer. Os viticultores, quando não têm conhecimento ou não são capazes de explicar exactamente a situação da vinha, muitas vezes vão pedir à Casa do Douro que lhes forneça elementos para poderem entregar ao IVDP. O cadastro é um bem cultural de grande importância para a região, nada impede que haja, por exemplo, um acordo da Casa do Douro para que o Ministério da Cultura fique com ele para o Museu do Douro.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Ilídia Pinto, Amin Chaar | Diário de Notícias</description><pubDate>Mon, 02 Feb 2009 00:00:00 +0000</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=52</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Quinta do Ameal lança primeiro espumante de produção biológica</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=51</link><description>Pedro Araújo, produtor da Quinta do Ameal, considera que, neste sistema de produção, a vinha não pode ser tratada como uma máquina de produção de uvas, mas como um ser saudável&#60;br /&#62;e feliz, por forma a obter frutos em consonância. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Vida Económica - Qual é o conceito de produção da Quinta do Ameal?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Pedro Araújo - O conceito e estratégia de produção de vinhos da Quinta do Ameal sempre foram orientados para produções pequenas (daí estar vocacionado para pontos de venda especializados), totalmente verticais, ou seja, fazendo os vinhos apenas com uvas (actualmente orgânicas/biológicas) produzidas na própria Quinta e com o objectivo de criação de vinhos brancos únicos de excelência.&#60;br /&#62;Nos vinhos, como em quase tudo na vida, quantidade e qualidade não andam de mãos dadas, principalmente quando se pretende elevados níveis de posicionamento. Entre outras coisas, uma das características da nossa produção é de apenas produzir um terço (cinco toneladas/hectare) do total do potencial que a casta poderia produzir (15 toneladas/hectare).&#60;br /&#62;Desde o início de actividade, a curiosidade e vontade de criar novos produtos esteve sempre presente. Por exemplo, o Quinta do Ameal Escolha 2000 foi o primeiro vinho da casta Loureiro fermentado em barricas de carvalho francês, especialmente escolhidas para esta casta e para os resultados desejados.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;VE - Certamente dentro desse espírito, o que diferencia o Espumante Ameal?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;PA - O Espumante Ameal Arinto colheita 2002, que é a primeira edição deste tipo de vinhos da Quinta, assenta na mesma preocupação da casa, a diferenciação. &#60;br /&#62;Essa diferenciação incide sobretudo no estágio, muito complexo, e que durou seis anos. &#60;br /&#62;Foram produzidas apenas 2200 garrafas. Em 2009 serão ainda lançadas 100 garrafas Magnum (1,5 litros) deste mesmo vinho.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;VE - Esse sistema de produção exige requisitos especiais, nomeadamente humanos?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;PA - Muitos requisitos. Para começar, consultoria ao mais alto nível. Trabalhamos com um dos melhores técnicos franceses nesta área, Daniel Noel (com mais de 40 anos de experiência comprovada), e com uma das melhores empresas portuguesas, a Vines e Wines (considerada empresa do ano na área pela Revista de Vinhos). Depois, bons colaboradores especializados e preparados. &#60;br /&#62;A atenção aqui é essencial, visto que se trabalha fundamentalmente de uma forma preventiva, não podendo as doenças entrar na vinha, visto depois ser muito mais difícil resolver os problemas. &#60;br /&#62;Na Quinta do Ameal usamos muito a intervenção humana, maiores custos, mas considero que o contacto com as videiras de uma forma quase constante é positivo, trazendo factores de protecção natural às plantas, para além de uma permanente atenção a tudo o que se passa na vinha. &#60;br /&#62;Claro que usamos tecnologia, mas tudo é devidamente pensado e ponderado. Muitas vezes as pessoas esquecem que o vinho tem origem numa planta e que essa planta é um ser vivo que reage, como nós, a tudo o que se passa à sua volta e no seu ambiente.&#60;br /&#62;Não quero tratar a minha vinha como uma máquina de produção de uvas! Quero plantas saudáveis e felizes, por forma a obter frutos em consonância.&#60;br /&#62;Mais uma vez, se estamos saudáveis e bem dispostos, não trabalhamos melhor? Não somos mais produtivos?&#60;br /&#62;Esta visão parece um pouco romântica, mas tem toda a lógica. É evidente, que, se tivesse de produzir milhões e milhões de garrafas (contrariando o meu espírito de produção de vinhos), teria talvez de repensar tudo isto, com a certeza de que os resultados finais são completamente diferentes.&#60;br /&#62;Como dizia um produtor conhecido: A great wine should express a sense of place.&#60;br /&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;VE - Há novos investimentos em carteira?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;PA - Estamos a ultimar novos projectos de investimento, quer no melhoramento de algumas máquinas, como na preparação e arranjo de novas instalações e na plantação de novas vinhas. A formação também está prevista, assim como reforçar a nossa actividade no enoturismo. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;VE - Qual é a importância do mercado das exportações?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;PA - As exportações representam quase 50% da produção e a tendência é crescer ainda mais.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Virgílio Ferreira | Vida Económica</description><pubDate>Fri, 30 Jan 2009 00:00:00 +0000</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=51</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>&#34;O vinho está esgotado estamos a fazer rateio&#34;</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=49</link><description>&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;O Abandonado 2005, que o crítico Robert Parker classificou como o melhor vinho português, é um vinho perfeito?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Perfeito não é. Mas também não acredito que a perfeição exista. Há vinhos muito bons, que estão num patamar de qualidade muito elevado e no qual o Abandonado se insere.&#60;br /&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Qual é o segredo da sua produção?&#60;/span&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;br /&#62;A parte fundamental é a vinha, com condições muito especiais de disposição, de solo e de clima que dão origem às melhores uvas possíveis. Depois há que trabalhar a parte técnica, saber interpretar bem o que a vinha está a oferecer para o potenciar na adega. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Está a descrever-me o segredo de qualquer bom vinho. Mas e o seu, especificamente, que mereceu a distinção de Robert Parker no Guia Independente do Consumidor de Bons Vinhos?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Deve-se às condições da vinha em si. Esteve em parcial abandono durante algum tempo e depois recuperamá-la aos poucos, mas, essencialmente, estão lá as videiras de origem, com 80 anos, que imprimem um carácter e uma personalidade muito próprios ao vinho. Mais do que artifícios na adega, é mesmo a matéria- -prima que distingue o Abandonado.&#60;br /&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Ainda têm vinho de 2005 disponível para vender?&#60;/span&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;br /&#62;Teoricamente, esse é um vinho que está esgotado, mas temos algumas garrafas porque estamos a fazer algum rateio na venda deste vinho que lançamos em Dezembro. Temos mil garrafas na adega.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Que agora estão a guardar para clientes muito especiais...&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Sim, claro. Também só produzimos quatro mil garrafas de Abandonado porque é uma vinha de idade avançada, com uma área relativamente pequena, logo o rendimento é baixo. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;A escolha de Parker é importante do ponto de vista comercial?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;É sempre importante. The Wine Advocate é uma publicação muito respeitada e isto permite aos vinhos portugueses uma visibilidade diferente. No mesmo dia, ainda nós não sabíamos da notícia, e já havia pessoas dos EUA e Canadá a ligarem e a mandarem e-mails a perguntar onde podiam encontrar o vinho. É uma mais-valia muito grande. É natural que, em anos em que não haja Abandonado, o Quinta da Gaivosa, onde se situa esta vinha, seja também beneficiado.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Os vinhos nacionais, em especial os do Douro, têm tido sucessivos destaques nas revistas internacionais. Estão na moda?&#60;/span&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;br /&#62;Parece que sim. Felizmente, existem no Douro muitos produtores a fazer um trabalho de altíssimo nível e é natural que a região seja catapultada no mercado internacional. Mas também há muito bons vinhos noutras regiões do País e que recebem distinções.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Ilídia Pinto | Diário de Notícias</description><pubDate>Mon, 26 Jan 2009 00:00:00 +0000</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=49</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Rita Marques</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=50</link><description>Rita Marques, jovem enóloga, morena, alta, magra e tímida, tem ideias claras sobre os vinhos que faz e quer fazer no Douro e noutros lugares. &#38;#34;Quando falo no vinho estar bem em todas as fases da sua evolução, é no sentido do seu equilíbrio. Há muitas vezes a ideia, que considero errada, de que um vinho, para evoluir bem, tem de ser imbebível em novo. Com isso eu não concordo nada. Um vinho pode ser equilibrado quando é novo e, depois, ganhar complexidade e melhorar com a idade. Se é logo muito bom e equilibrado, é sempre melhor do que se for desequilibrado e com taninos a mais ou secos&#38;#34;, diz. Aos seus melhores vinhos, que associam concentração e elegância e respeitam o terroir, brancos, tintos e Porto vintage, Rita Marques chamou-lhes Conceito. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Fez o primeiro tinto e o primeiro Porto vintage em 2005 e o primeiro branco em 2006. As primeiras críticas foram positivas. Mas, em relação ao Conceito branco 2007, a receptividade ainda foi melhor. Numa prova cega (os provadores não sabem os vinhos que estão a provar) de &#38;#34;brancos de Outono&#38;#34; de todo o país da Revista de Vinhos, a nossa mais influente publicação especializada, o vinho de Rita Marques classificou-se em primeiro lugar, com 17,5 pontos em 20 possíveis - foram provados 63 vinhos. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A nota de prova reza assim: &#38;#34;Aroma fino e mineral de grande qualidade, muito delicado e composto, com a fruta escondida. Acidez perfeita na boca, o vinho tem uma delicadeza e uma pureza aromáticas muito cativantes. Final muito longo e cheio. Mostra finesse e muita personalidade.&#38;#34; O mesmo Conceito branco 2007 foi classificado com 90 pontos, em 100, por Mark Squires, o provador de vinhos portugueses de Robert Parker, poderoso crítico de vinhos norte-americano. Foram provados 273 vinhos brancos e tintos e, em primeiro lugar, classificou-se o tinto Abandonado de 2005, de Domingos Alves de Sousa, com 94 pontos.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Comenta Rita Marques: &#38;#34;Honestamente, não ligo muito. Uma pessoa fica sempre contente pelo trabalho reconhecido. Mas ligo mais às críticas de pessoas da área que respeito, do que propriamente a isso. Tenho críticas positivas, mas também tenho críticas negativas. Geralmente ligo mais até às críticas negativas do que às positivas...&#38;#34;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A chegada ao mundo do vinho da autora do Bastardo 2007, também já o fez em 2008, um tinto de cor desmaiada e acidez elevada, muito original e curioso, que foi rejeitado pela Câmara de Provadores, não nasceu de um apelo avassalador: &#38;#34;Estava em Engenharia Mecânica, em Coimbra, concluí que não gostava do curso, a minha mãe tem quintas no Douro e a enologia surgiu-me como uma alternativa. Fiz o curso na Universidade de Trás-os-Montes-e-Alto Douro, em Vila Real.&#38;#34; Um dos seus &#38;#34;estágios preferidos&#38;#34; foi na Niepoort, no Douro, com Dirk e Jorge Serôdio Borges, que exerceram sobre ela &#38;#34;uma influência&#38;#34; que a fez &#38;#34;ganhar paixão pelo vinho, em termos de encarar o curso de outra forma e de abertura no sentido de ir para o estrangeiro e trabalhar lá fora&#38;#34;. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Assim fez: um estágio curricular na Califórnia, EUA, seguido do Erasmus, em Bordéus, onde foi aluna de Denis Dubourdieu, enólogo famoso, que reconhece ser a sua maior influência &#38;#34;em termos científicos&#38;#34;. Esteve também na Nova Zelândia e na África do Sul. A estes dois países gostaria de regressar em 2010, para, em cada um deles, fazer um vinho seu: um branco de Sauvignon Blanc, na Nova Zelândia; um tinto, com &#38;#34;um lote bordalês&#38;#34;, na África do Sul. Defende que, nestas estadas, &#38;#34;aprende-se sempre, mesmo que não seja em termos de tecnologia de fabrico. Houve processos de fabrico em diversas adegas em que trabalhei com os quais não concordo. Mas é sempre uma oportunidade para visitar países e, neles, uma região em particular. Tem-se muito mais tempo. Está-se focado durante três/quatro meses só naquilo, quase de uma forma obsessiva. Em todos os estágios nunca visitei menos de 40/50 adegas. O que significa quase todas as adegas de uma região. Provei os seus vinhos, claro. E há sempre uma grande abertura&#38;#34;.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Mas, sublinha Rita Marques, longe de si a ideia de se tornar &#38;#34;um flying wine maker&#38;#34;, um desses enólogos que andam pelo mundo a fazer vinhos em diferentes países. Ela, que já vinifica toda a produção dos 75 hectares de vinhas que a família tem no Douro superior, sonha, um dia, vender todo esse vinho com marcas próprias, uma vez que, por agora, há uma parte que é vendida a granel. A autora do Conceito defende que, &#38;#34;no Douro, há uma parte muito positiva, que é a de termos castas autóctones&#38;#34;. Mas, &#38;#34;em termos de enologia&#38;#34;, confessa que, &#38;#34;às vezes&#38;#34;, se sente &#38;#34;um pouco perdida&#38;#34;. Porque, argumenta, &#38;#34;é mais fácil para um enólogo trabalhar castas internacionais, das quais se conhecem todos os parâmetros, e há universo muito maior de pessoas a estudar aquilo, muito mais publicações, do que propriamente nas castas portuguesas, em que ainda há um desconhecimento muito grande&#38;#34;. Reconhece que &#38;#34;as vinhas velhas têm muita qualidade. Mas um enólogo que não esteja habituado ao Douro, a primeira vez que chega a uma vinha velha e vê as castas todas misturadas não faz muito bem ideia do que aquilo vai dar. As uvas têm níveis de maturação diferentes, as castas têm perfis diferentes. Realmente, tem funcionado bem, não só para mim como também para a maioria dos enólogos&#38;#34;.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Rita Marques vive no Douro por considerar que &#38;#34;é importante acompanhar os vinhos&#38;#34; desde a vinha até à saída para o mercado. Utiliza tanto as tecnologias de ponta, controle de temperaturas computadorizado, inox, microvinificações, como os lagares tradicionais, que não dispensa na elaboração dos vinhos do Porto. Defende que, em Portugal, &#38;#34;há vários bons enólogos e há uma grande vantagem: há muita partilha, embora isso leve, por vezes, a alguma falta de diversidade de opiniões. Por exemplo, entre nós não há adeptos da biodinâmica, independentemente dos méritos ou deméritos desses princípios. Haver visões e pontos de vista diferentes é sempre uma mais-valia para a evolução.&#38;#34;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; David Lopes Ramos | Pública | Público</description><pubDate>Sun, 25 Jan 2009 00:00:00 +0000</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=50</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>&#34;Castas autóctones atraem cada vez mais investidores e produtores&#34;</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=48</link><description>É realmente a partir de vinhos produzidos com estas castas que poderemos dar um pontapé na monotonia dos vinhos das regiões quentes do mundo produzidos com as castas internacionais, afirma João Tavares de Pina, enólogo e produtor na Região do Dão, que tem na Quinta da Boavista, em Penalva do Castelo, a sua base. João Tavares de Pina, também consultor, é um entusiasta do Dão e da casta Jaen, que tenta valorizar internacionalmente.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Vida Económica - Em que medida é que a ligação familiar ao sector vitivinícola influenciou a opção de se tornar viticultor?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;João Tavares de Pina - Claro que teve uma grande influência. Antes mesmo de ter consciência da profissão do meu pai, que foi toda a vida enólogo da Sogrape, e que vivia intensamente as suas responsabilidades, já eu acompanhava o meu avó nas actividades da Quinta da Boavista, sobretudo nas colheitas e na vindima. Na altura, o início do ano lectivo era em meados de Outubro, o que me permitia acompanhar até ao fim esses trabalhos, sobretudo o trabalho de vinificação, que no tempo, com os meios existentes, era bastante pesado e exigente em termos de mão-de-obra. &#60;br /&#62;Posteriormente, e até porque tive sempre pouco esclarecimento relativamente às opções académicas, sempre gostei de fazer muita coisa ao mesmo tempo. Ainda hoje, detesto tudo o que seja especialização - adoro alternar continuamente; o meu pai contribui especialmente para as minhas opções, começando logo por me encaminhar para Bordéus, onde passei dois anos. Mais tarde, quando em Vila Real tive de encontrar um tema para o relatório final de estágio, sugeriu-me e conseguiu motivação para que eu realizasse um trabalho de selecção de leveduras. Trabalho fantástico, que se desenvolveu durante três anos, com um resultado extraordinário, porque obtivemos uma estirpe isolada na Região dos Vinhos Verdes verdadeiramente fantástica, sendo a única levedura isolada em Portugal e a ser produzida industrialmente e ao mesmo tempo a ser comercializada pelo mundo fora. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;VE - Como é que vê o actual momento do sector em Portugal?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;JTP - Pelo que tenho possibilidade de ver, o sector continua efervescente. Faço alguns projectos de adegas, coordeno a instalação de outros e verifico uma enorme actividade, com novos investimentos e novos investidores, inclusivamente investidores estrangeiros e grupos portugueses consolidados. Já tem sido referido, finalmente, que este sector se tornou em algo bastante mais sério e profissional, à imagem do que já se passava com a nossa concorrência externa, por isso mesmo, estruturas com menos meios e pior apetrechadas em termos humanos estão a sentir dificuldades muito maiores. O consumo mundial de vinho cresce a níveis bastante interessantes, e há que aproveitar. &#60;br /&#62;Desde há muito que existe uma marca Portugal, e por mais detractores que tenha, o Mateus Rosé continua inigualável, não havendo marca alguma que atinja a dimensão que conseguiu e que projecte tanto imagem dos vinhos portugueses no mundo, daí o reconhecimento e a homenagem que o Fórum dos Enólogos prestou no dia 11 ao seu enólogo de quase 40 Anos, o meu pai João Tavares de Pina, por exactamente ter conseguido através do Mateus atingir esse reconhecimento para os vinhos portugueses. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Agora começamos a ter alguma notoriedade com os vinhos do Douro; graças ao vinho do Porto, ao inquestionável património vitivinícola da região, à beleza natural da região, e ao trabalho dos Douro Boys, juntamente com mais dois ou três enólogos e produtores. Acredito, e sempre acreditei, nas castas autóctones, mesmo quando passávamos por alguns constrangimentos quando as referíamos aos enólogos e produtores do Sul. É realmente a partir de vinhos produzidos com estas castas que poderemos dar um pontapé na monotonia dos vinhos das regiões quentes do mundo produzidos com as castas internacionais. A nossa grande diversidade de castas, mais ou menos trezentas, começa a aguçar a curiosidade dos consumidores, distribuidores e importadores de todo o mundo. &#60;br /&#62;Como sempre, porventura reflexo da pouca consciência histórica e cultural, foram poucos os que assumidamente defenderam a nossa identidade, e muito mais aqueles que desertaram por causas estranhas. Recentemente, verifico que uma despreconceitualização e um maior reconhecimento da qualidade do nosso património vitícola está a permitir que mesmo aqueles que há uma década atrás não tinham qualquer apreço pelas variedades nacionais comecem a tornar-se seus devotos.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;VE - A Quinta da Boavista está associada a um conjunto de outros produtores. Acha que o futuro da promoção dos vinhos portugueses passa pela criação de portefólios complementares de regiões nacionais?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;JTP - Foi com essa intenção que nos organizámos. Ainda não temos um umbrella, mas já nos entendemos muito bem, pois verificamos que não só não existem qualquer tipo de conflitos de interesse numa promoção desta natureza, por sermos todos de DOC diferentes, como nos complementamos, por podermos, de uma forma cómoda e centralizada num único stand apresentar um portefólio de alta qualidade e representativo das regiões mais importantes de Portugal. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;VE - De que forma vê o futuro de Portugal enquanto produtor?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;JTP - Vejo com grande optimismo, desde que tenhamos confiança e acreditemos nas potencialidades das nossas castas, e utilizemos as suas características únicas como pilar para a promoção externa. Os vinhos portugueses têm uma identidade própria e é isso que tem de ser utilizado para a sua promoção. &#60;br /&#62;Para que uma estratégia destas funcione é também necessário que se faça uma aposta firme na profissionalização das estruturas das CVR, à imagem do que já foi feito por algumas, como a dos vinhos verdes e do alentejo, para assim se conseguir estabelecer uma estratégia devidamente fundamentada, concertada e consistente com o apoio da ViniPotugal e da AICEP.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Virgílio Ferreira | Vida Económica </description><pubDate>Fri, 16 Jan 2009 00:00:00 +0000</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=48</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Um Niepoort para 2012</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=46</link><description>Em toda a campanha 96/97, Dirk Niepoort, então um rapaz excêntrico que já falava muito de vinhos de mesa, descendente directo dos primeiros holandeses que se fixaram em Gaia como exportadores de Porto, dizia: &#38;#34;Se eu não conseguir fazer um grande Vintage em 97, nunca vou conseguir fazê-lo.&#38;#34; A menos de algumas matreirices que a Natureza sempre impõe, tudo conduzia a uma grande colheita. Além disso, vivia-se um clima de euforia em torno do Porto Vintage, pelos 100 pontos dados ao Taylor&#38;#39;s e ao Fonseca, ambos de 1994, pela revista norte-americana Wine Spectator. As vendas de Vintage em Portugal cresceram sideralmente, com uma procura interna notável, levando muitos coleccionadores a acorrer aos importadores ingleses para obter as caixas desejadas para as suas caves, a preços mais baixos que em Portugal. Escrevi, ainda em 1998, um artigo que intitulei &#38;#34;E vão quatro&#38;#34; e que foi publicado na Revista da Ordem dos Engenheiros. Dava conta de que a década de 1990 teria quatro declarações clássicas - 91, 92, 94 e 97 -, contra as tradicionais três. Eu fui um dos provadores presentes na prova de Sintra e classifiquei acima dos 18,5 valores em 20 e por ordem decrescente os seguintes: Niepoort, Quinta do Noval Nacional, Fonseca, Quinta das Carvalhas (Real Companhia Velha), Quinta do Infantado e Quinta do Noval. Um elenco que me escandalizou positivamente, porque colocava pela primeira vez nas posições cimeiras produtores engarrafadores, as grandes casas exportadoras e as marcas de média dimensão. Gosto de pensar, por isso, que 1997 foi talvez a mais democrática das declarações de Vintage. Faço de seguida um percurso muito individual por cada um dos meus &#38;#34;grandes&#38;#34; de 1997. É aliás por isso que escrevo este artigo, excepcionalmente, na primeira pessoa do singular.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Surpresa atrás de surpresa&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Em pleno boom no início de 1999, quando os 97 foram disponibilizados no mercado, vi o que nunca pensei ver: os preços a subir em flecha, de dia para dia, numa girândola tanto imparável quanto paranóica. Quando me enchi de coragem e fui, feito cliente regular, recusando favores e ofertas de produtores como felizmente ainda faço, à loja da Quinta do Noval, em Gaia, para comprar três garrafas de Noval Nacional 97 - custar-me-iam umas centenas de contos, ou milhares de euros - eis que ali, mesmo à minha frente, as tabelas de preços foram retiradas, sendo-me comunicado que todos os Vintage custariam o dobro (!) do tabelado. A decisão havia sido tomada pela administração da Quinta do Noval na véspera. Depois disso, intercedi junto da empresa, reclamando do que havia acontecido, próximo da inconstitucionalidade e seguramente contra tudo o que é lisura comercial. Comprei a preços mais baixos mas mesmo assim bem acima dos tabelados. Christian Seely, o gestor, seguiu uma interessante e peculiar carreira na Axa Millésimes - proprietária da Quinta do Noval -, como gestor de sucesso. Com o privilégio autoconcedido de duplicar os preços e não perder clientes, é um dream manager em qualquer parte e vive hoje entre os complexos gestores e proprietários dos grandes e míticos châteaux, em Bordéus. Devemos-lhe, de qualquer forma, a excelência que juntamente com Assunção Cálem imprimiu ao projecto da Quinta do Noval. Hoje, de resto, é o mentor e um dos accionistas da bonita e exclusiva Quinta da Romaneira, longe das euforias arrivistas de cromados e luxos deslocados que marcam a alta hotelaria dos nossos tempos. Assunção Cálem, por seu turno, fez a &#38;#34;Quinta Geração&#38;#34;, uma empresa de turismo duriense em que tenho os olhos postos, já que conhece o Douro como ninguém. Na Quinta do Noval, tudo corre muito bem ano após ano, com António Agrellos a continuar a exercer uma enologia de enorme brilho e talento.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A Fonseca vinha impante do estrondoso êxito com os 1994. Taylor&#38;#39;s e Fonseca, pertença do mesmo grupo, foram considerados &#38;#34;os melhores vinhos do mundo&#38;#34; pela Wine Spectator. Isso fez com que o preço subisse, mas o conservadorismo e a longanimidade do prematuramente desaparecido Bruce Guimaraens, juntamente com a sua paixão, impediram que acontecessem abusos como o da Quinta do Noval. Preços ligeiramente acima da média, mas qualidade bem lá em cima também. É a única casa de topo do vinho do Porto que ainda não se rendeu à evidência do vinho DOC Douro, com David Guimaraens, filho de Bruce, na enologia, e António Magalhães na viticultura. O marketing hoje em dia vale muito, mas a equipa e os vinhos do Porto que têm produzido são de nível cósmico, todos os anos.&#60;br /&#62;Quando se dá a prova, a Real Companhia Velha tinha criado há relativamente pouco tempo a sua Fine Wine Division, supervisionada pelo americano Jerry Luper e dirigida por Francisco Montenegro. Quando fui indagar sobre o que estava por trás do muito bom Vintage, que James Suckling (Wine Spectator), inexplicavelmente, retirou da sua prova, informando as partes interessadas que tinha demasiada acidez volátil - falsidade evidente -, dei com um trabalho de grande envergadura de replantação de vinha na Quinta das Carvalhas, aquela que fica mesmo em frente ao Hotel Vintage House, no Pinhão. Foi então que conheci o francamente jovem Jorge Moreira, oficiante na Real Companhia Velha, hoje autor do DOC Douro que leva um nome que rima com o seu: Poeira. É também o director da Quinta de La Rosa, no Pinhão. Francisco Montenegro também se emancipou e tem, além do seu &#38;#34;Aneto&#38;#34; DOC Douro - fez um brilhante Colheita Tardia que saiu há meses -, relações de consultoria com produtores durienses, de que o exemplo mais notório é a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A Quinta do Infantado foi a minha maior surpresa da prova dos Vintage 1997, apresentando-se com um vinho de grande equilíbrio e ao mesmo tempo força. Aquela empresa familiar de Covas do Douro, encabeçada por Luís Roseira e muito dinamizada pelo seu sobrinho João Roseira, já em 91 e 92 tinha dado muito mais que um ar da sua graça; dizia ao mercado que não estava aí para brincar. O Vintage 1997 impressionou-me de sobremaneira, com uma justiça na classificação cimeira que ainda hoje vou confirmando nas garrafas que vou abrindo.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;A conferir dentro de quatro anos&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A década de 90 correu bem a Dirk Niepoort. Além dos belíssimos vinhos do Porto que se fizeram, saíram do seu coração vinhos do Douro que mudaram a face do grande vale vinhateiro. Tardou em conseguir impor a sua filosofia à família, mas as confirmações começaram a chover. Era possível, afinal, fazer grandes vinhos de aceitação internacional no Douro, sem prejudicar a qualidade e o nível dos vinhos do Porto. A mobilização dos produtores não tem precedentes e provavelmente não se repetirá. Em torno de Dirk Niepoort, constituiu-se na segunda metade dos anos 90 uma horda de pessoas muito interessadas em fazer as coisas bem feitas. Falavam intensamente uns com os outros, ajudavam-se mutuamente nas vindimas uns dos outros e sobretudo provavam tudo o que todos faziam. Esses foram, para mim, os primeiros Douro Boys, cujo número pode bem ter ultrapassado os 30, empenhando-se a fundo em tirar o maior partido possível dos grandes terroirs do Douro. O curso da vida acabou por ditar a concentração de cada um na sua própria trajectória, apesar da interacção recorrente entre todos. Os Douro Boys hoje são cinco e têm Dirk Niepoort como emblema, apesar de os restantes players de referência todos terem pergaminhos a respeitar: Cristiano van Zeller (Quinta do Vale D. Maria), Francisco Ferreira (Quinta do Vallado), Tomás Roquette (Quinta do Crasto) e Francisco Olazábal (Quinta do Vale Meão). No capítulo do Porto, no entanto, é a Niepoort o porta-estandarte do grupo.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O vinho do Porto Vintage tem uma evolução no tempo algo irregular. Nos seus primeiros anos, a exuberância de fruta, especiarias, chocolate e tabaco encanta aqueles que procuram sobretudo potência nos vinhos do Porto. O Niepoort 97 cumpria na perfeição esses requisitos prazeirosos, além de que mostrava uma integração de grande equilíbrio de todos os componentes, álcool, acidez, açúcar e taninos. Cerca de quatro anos depois, acontece a um Vintage aquilo com que ninguém conta e que decepciona sem razão quem fez investimentos fortes nessa colheita: o vinho hiberna. Podemos decantá-lo com muito cuidado, bebê-lo directamente servido da garrafa ou deixá-lo respirar ao longo de muitas horas, que ele funciona como um gigante adormecido, imperturbável e mudo. São entre 11 e 15 anos de adolescência, os que medeiam a evolução de um Vintage em garrafa até voltar à superfície do sensível, com as características clássicas que lhe são reconhecidas. Abri no início deste ano uma garrafa de Niepoort 97 que começava já a dar um ar da sua graça, apesar de algumas arestas ainda a precisar de ser limadas. Trabalho do tempo, que não conhece nem admite atalhos. Ao mesmo tempo, pude constatar, no Verão de 2007, como a &#38;#34;regra da adolescência&#38;#34; é verdadeira e aplicável, ao abrir e beber com amigos e correlegionários uma fabulosa garrafa de Taylor&#38;#39;s 92. Pela regra &#38;#34;4+11&#38;#34;, bate certo, podendo considerar-se maduro. Uma outra garrafa do mesmo 92, aberta cinco anos antes, tinha sido um pouco decepcionante.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Seguindo os cânones, será em 2012 que o Niepoort Vintage 97 vai entrar na sua fase madura. Logo vemos. Mas de certeza que sim. Para já, os mais de 250 euros que vale uma garrafa representam um investimento sem par, já que custavam, em 1999, cerca de 25. Acima de toda a crise!&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Pública, Público</description><pubDate>Sun, 28 Dec 2008 00:00:00 +0000</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=46</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>O Vinho do Porto precisa de novos consumidores</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=45</link><description>&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Para aumentar as vendas de Vinho do Porto e cativar novos consumidores, têm havido apostas na promoção de bebidas à base de Vinho do Porto. O que pensa disso?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Acho que são importantes, desde que essas medidas não prejudiquem a imagem do Vinho do Porto. Uma das medidas foi o Porto tónico, não sei se o efeito foi muito conseguido, mas é um facto que acaba por ser uma forma diferente de consumo do Vinho do Porto, que pode atrair outro tipo de consumidores. Mais recentemente temos a questão do Pink, lançado pela Croft. Eu julgo que, se for algo que seja bem sucedido, pode trazer para o Vinho do Porto um outro tipo de consumidor. Todo este tipo de esforço de mudança da imagem do Vinho do Porto, de tentativas de encontrar novos consumidores, é positivo. O Vinho do Porto tem um problema. Por um lado, precisa de quebrar com a tradição, procurar novos mercados, novos consumidores. Mas, por outro lado, tem medo de quebrar com essa mesma tradição porque muito do seu negócio é feito com base nessa tradição, com os Vintage, com mercados muito conservadores, de modo que há aqui um certo impasse. Se o Vinho do Porto quer aumentar as vendas, o caminho tem que ser de encontrar novos consumidores e tentar reposicionar o produto.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Os mercados asiáticos, nomeadamente a China, são interessantes para o Vinho do Porto e para os vinhos portugueses?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;São mercados potenciais. Nós estamos no mercado chinês há cerca de um ano. E o que sentimos é que as potencialidades estão lá. Agora acho que existe uma ideia errada. Pensa-se que se chega ao mercado chinês, encontra-se um importador e que em pouco tempo se fazem milhões de euros. O preço de uma garrafa da China é para aí 10% do salário médio de um chinês. Por outro lado, boa parte do consumo de vinho na China &#38;#8211; cerca de 50% &#38;#8211; está direccionada para vinhos chineses, vinhos baratos, de baixa qualidade. Os outros 50% são vinhos importados, mas na sua esmagadora maioria são vinhos franceses. O trabalho de criação de uma imagem de vinhos portugueses está muito embrionário e sobretudo do Vinho do Porto. Os consumidores não conhecem o Vinho do Porto e vai demorar um certo tempo a criar-se uma imagem, a criar-se um mercado. O potencial acho que existe. Agora não é algo que se consiga em dois anos.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Sónia Santos Pereira | Diário Económico</description><pubDate>Fri, 14 Nov 2008 00:00:00 +0000</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=45</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Os melhores são cada vez mais</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=44</link><description>Estamos em Portugal num tempo em que se bebe menos, mas um conjunto muito mais alargado de melhores vinhos. Há três décadas, o panorama era muito diverso. Os consumidores eram menos exigentes. O vinho era um consumo necessário, por muitos considerado um suplemento alimentar: &#38;#34;Beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses&#38;#34;, propagandeava, nos anos 50/60 do século passado, o velhíssimo Estado Novo. Agora, o vinho é um suplemento de alma, quer dizer, um prazer.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A mudança de paradigma obrigou à alteração do estilo dos vinhos portugueses. E colocou um ponto final ao amadorismo até aí existente no universo dos nossos vinhos. Novos processos de vinificação, novas tecnologias, técnicos mais bem preparados, muitas novas marcas colocaram a questão da qualidade dos vinhos em primeiro plano. Também já lá vai o tempo em que as regras eram sobretudo ditadas pela Natureza, ou seja, pela maior ou menor qualidade da colheita e em que os consumidores queriam era vinho, sem se preocuparem com o que torna os vinhos distintos uns dos outros.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Constatada esta situação, deve ter-se em conta que o movimento que elevou a qualidade e diversificou a escolha de vinhos portugueses não nasceu do nada nos anos 70/80 do século passado. Como fez questão de sublinhar o enólogo José Maria Soares Franco, há uns anos, no âmbito de um trabalho sobre vinhos realizado pelo PÚBLICO, &#38;#34;sempre houve bons vinhos em Portugal. É importante chamar a atenção para isso, porque hoje em dia diz-se muitas vezes que os vinhos portugueses melhoraram espectacularmente e a maior parte dos consumidores pode pensar que dantes não havia vinhos bons e que hoje em dia só há bons vinhos. Não concordo com isso. Sempre houve bons vinhos portugueses. Principalmente de quinta. Só que eram muito poucos. Ou poucos litros. Até esse momento, os enólogos tinham uvas provenientes de vinhas velhas, de boa qualidade, as regiões eram boas, o clima era bom, as castas eram boas, mas a intervenção do enólogo era relativamete pequena. Tinha que vinificar as uvas que vinham com misturas de diferentes castas, e isto só na altura em que o lavrador queria apanhar as uvas&#38;#34;.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Estas observações de José Maria Soares Franco, actualmente empenhado, no Douro, no projecto DUORUM Vinhos, com João Portugal Ramos, enólogo cujo contributo para a modernização dos vinhos alentejanos é reconhecida, são muito interessantes. É verdade que &#38;#34;sempre houve bons vinhos portugueses&#38;#34; caso não nos esqueçamos da existência do Barca Velha, dos Porta de Cavaleiros e Caves São João, do Tinto Velho de Rosado Fernandes, dos Aliança, dos Montes Claros, do Quinta das Cerejeiras, de alguns Collares, dos Quinta da Aguieira, dos Buçaco, dos vinhos do Centro de Estudos de Nelas (estes fora do circuito comercial), do Periquita e do Pasmados e de mais uns quantos, entre os quais os ribatejanos de Francisco Ribeiro, um pioneiro dos monocastas. Mas eram muito poucos. E os enólogos, como reconhece José Maria Soares Franco, tinham pouca influência na sua elaboração.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A partir dos anos 70/80, e também por acção dos produtores-engarrafadores entretanto surgidos, primeiro na Região dos Vinhos Verdes, depois no Alentejo, Dão, Bairrada e por aí adiante, conjugada com a fúria demarcadora que, nos anos 90, se apoderou dos políticos portugueses, o panorama mudou radicalmente. Nesta conjuntura, emerge a figura do enólogo, muitos deles com formação nas grandes escolas francesas, com destaque para Bordéus, que desencadearam uma revolução na viticultura. E, embora poucos, também não se pode ignorar a influência de enólogos estrangeiros no movimento de renovação dos vinhos portugueses.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A propósito, penso que foi um enólogo australiano, Peter Bright, chegado a Portugal em 1979 para trabalhar na JP Vinhos a convite de António Francisco Avillez, quem primeiro utilizou a madeira nova de carvalho para fermentar e estagiar vinhos brancos e tintos e controlou a temperatura das fermentações. O branco Catarina, colheita de estreia em 1982, foi o primeiro branco fermentado em madeira nova. Seguiu-se o Cova da Ursa, um Chardonnay, em 1985. Estagiados em madeira nova, os tintos (Bacalhôa, Tinto da Ânfora e Má Partilha), e fermentados, na mesma madeira nova, os brancos, os vinhos provocaram alguma polémica no meio, mas foram bem aceites pelo público. De tal maneira que, no início dos anos 80, não havia festa ou refeição que se pretendesse requintada que não fosse abrilhantada pelo branco João Pires, feito com uvas Moscatel, ligeiro e gentil, muito frutado, o que o afastava da generalidade dos brancos existentes, em geral pesadões, alcoólicos e sem notas de fruta fresca e pelo tinto Quinta da Bacalhôa, a que o estágio em madeira nova de carvalho tinha transmitido notas tostadas e abaunilhadas.&#60;br /&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;A importância da viticultura&#60;/span&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;br /&#62;Contemporâneos da revolução enológica são os avanços na área da viticultura portuguesa, embora a inovação nesta área se desenvolva num ritmo mais lento. &#38;#34;O vinho faz-se na vinha&#38;#34;, dizem os técnicos. A importância da viticultura é reconhecida por todos os actores do sector dos vinhos, por permitir aos enólogos escolher melhor e de forma mais segura a qualidade, seleccionando as castas de forma mais competente, vindimá-las na altura ideal, de trabalhar a vinha de forma diferente, com mais técnica, porque cada casta tem uma individualidade própria que exige abordagens diferentes. A viticultura é o segredo da apanha das uvas na melhor altura, da lotação mais adequada, ou seja, da mistura das castas ou não, conforme a decisão seja fazer vinhos de uma só casta ou de várias.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;À mudança nos vinhos não é igualmente alheia a mudança do perfil dos consumidores, que se mostram cada vez mais exigentes em relação à qualidade dos produtos, à respectiva relação preço/prazer, bem como à ligação do vinho à respectiva origem. O vinho deixou de ser um produto anónimo ou pouco menos, ostentando apenas a marca e o nome da firma que o engarrafou, para se tornar numa coisa com currículo, história, local de nascimento, de tais e tais vinhas com as castas xis e ípsilon, criado ou vinificado pelo enólogo fulano de tal. Há também quem eleja como tema de conversa (o bom vinho solta muito as línguas...) a questão de saber se foram os novos vinhos que contribuíram para a educação e sofisticação do gosto dos consumidores ou se foram estes que passaram a exigir mais dos produtores. A retórica está-nos na massa do sangue, mas, se vejo bem, o tema é irrelevante.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O que já me parece importante sublinhar é, e o facto é particularmente relevante na região do Douro, o aparecimento de uma nova geração de enólogos que, ao contrário da prática anterior, se decidiram a ir para lá, organizando aí a sua vida. O Douro deixou de ser, apenas, a região onde se produz o vinho do Porto, para passar a ser também o lugar onde se elaboram alguns dos nossos melhores vinhos de mesa. No Alentejo, durante muito tempo considerado &#38;#34;o celeiro de Portugal&#38;#34;, o vinho e o seu êxito junto dos consumidores veio ajudar a alterar essa ideia. A gentileza e a macieza frutada da generalidade dos vinhos alentejanos tornou os nos mais procurados e vendidos.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Fica então claro que os vinhos agora à disposição dos portugueses são melhores e são muitos mais dó que há duas/três décadas atrás. E o movimento de criação de novas empresas e de novas marcas de vinhos, embora registando ultimamente algum abrandamento, ainda não parou. O vinho também tem um lado de moda, de &#38;#34;social&#38;#34;, e há por aí dinheiro a circular que precisa de &#38;#34;pedigree&#38;#34;. Mas, os apreciadores têm toda a vantagem, num mundo tão diverso, de não se fixarem num estilo de vinho. Este é um mundo plural, há o &#38;#34;velho&#38;#34; e há o &#38;#34;novo&#38;#34;. Vale a pena ter em conta os dois e manter o espírito e as papilas abertos e disponíveis para, de cada um deles, colher os melhores frutos. Ou seja, desarrolhar as melhores garrafas.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; David Lopes Ramos |  Suplemento Fugas, Público</description><pubDate>Sat, 25 Oct 2008 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=44</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>O Vinho e a Agricultura Portuguesa</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=43</link><description>São cada vez mais claros os sinais de que a agricultura voltará a ser uma das principais actividades económicas à escala mundial. Por razões diversas. De procura. E de oferta. Quantitativas e qualitativas. E a Europa, em geral, e Portugal, em particular, vão ter de assumir a actividade agrícola como umas das suas prioridades. Não andarei longe da verdade se vaticinar que longe irão estar os tempos em que esta actividade económica era primária, e a generalidade dos agricultores irão deixar de ser olhados de soslaio e poderão voltar a ser vistos com outro estatuto, e esta actividade voltar a ser valorizada não só económica mas socialmente. Para além de voltar a permitir melhorar os rendimentos para as famílias e para todos aqueles que, directa ou indirectamente, trabalham no sector. Nada irá ficar igual. Mas atenção, é urgente, com estas novas oportunidades, que todo o sector agrícola português esteja à altura das suas responsabilidades e aposte na sua qualificação e numa melhor produção, numa diferente diversificação e na aposta em novos circuitos comerciais, sobretudo internacionais.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;É um dos sectores com maior potencial, em especial a vitivinicultura. Como foi vaticinado há alguns anos, é um cluster a explorar e a valorizar. Pena é que nos últimos anos se tenham feito muitos diagnósticos, mas encontrado poucas respostas para potenciar o sector vitivinícola. Salvo honrosas e boas excepções de alguns produtores privados que se qualificaram e apostaram no profissionalismo e na criação de efectivos circuitos de comercialização (nacionais e internacionais), pouco foi feito ao nível das políticas públicas neste sector. Aliás, o Estado, infelizmente, quase se limitou a assistir e a conformar-se com alguma da agonia e a muita da perda da sua importância - não só económica mas também social. Nesse particular, o actual ministro da Agricultura é o exemplo de um responsável público com pouca vontade para inverter o actual estado das coisas. Como responsável, há cerca de 15 anos, pela realização do certame vitivinícola mais antigo de Portugal (o Festival do Vinho Português), entendo que temos de mudar este paradigma. Até porque temos (devemos) de aproveitar e potenciar o que de mais positivo existe nesta área. A saber, bons índices de comercialização do vinho nacional, uma boa evolução da produção vitivinícola por cada uma das respectivas regiões, índices positivos de evolução da produção nacional, boas performances ao nível das exportações, para além de outros bons indicadores. Penso, perante o actual cenário, que são mais as coisas positivas do que as negativas. O vinho e a agricultura portuguesa devem ser olhados como um dos subsectores da economia portuguesa com melhor potencial. O que lhe tem faltado são políticas públicas adequadas que se interliguem com o que de melhor o sector tem feito nos últimos anos. É por isso que, como responsável pelo Festival do Vinho Português nos últimos 15 anos, entendo que chegou o momento de se assumir a agricultura e a vitivinicultura como uma prioridade.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; João Carlos Barreiras Duarte | Diário de Notícias</description><pubDate>Fri, 15 Aug 2008 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=43</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Reforma do sector do vinho entra hoje em vigor</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=42</link><description>A reforma europeia do sector dos vinhos pretende acabar com algumas medidas de intervenção nos mercados que se «revelaram inúteis e dispendiosas», permitindo assim que o orçamento do sector seja aplicado em medidas mais positivas e pró-activas e reforçando a competitividade dos vinhos europeus nos mercados mundiais, explica a Comissão Europeia em comunicado. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A reforma prevê uma rápida reestruturação do sector vitivinícola europeu, contemplando um regime voluntário de arranque da vinha, com a duração de três anos, que representa uma alternativa para os produtores menos competitivos e permite eliminar do mercado o excedente de vinho não concorrencial.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;As subvenções à destilação de crise e à destilação em álcool de boca serão gradualmente eliminadas, sendo as verbas obtidas repartidas por dotações nacionais e aplicadas em medidas de promoção dos vinhos europeus em países estrangeiros, bem como em medidas de inovação, reestruturação e modernização das vinhas e adegas. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A reforma assegurará a protecção do ambiente nas regiões vitivinícolas, salvaguardando as políticas tradicionais de qualidade e simplificando as normas de rotulagem, em benefício dos produtores e dos consumidores. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O sistema restritivo de direitos de plantação será também eliminado a partir de 1 de Janeiro de 2016. As medidas relativas à rotulagem, às práticas enológicas e às indicações geográficas entram em vigor a 1 de Agosto de 2009.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Andreia Félix Coelho | Sol</description><pubDate>Mon, 04 Aug 2008 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=42</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>O problema do Douro tem sido o défice de cooperação</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=41</link><description>Deixou a vice-presidência da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte para assumir a chefia da Estrutura de Missão (EM) para o Douro. No cargo há cerca cerca de um ano, Ricardo Magalhães, que é natural dda região, faz um balanço da situação actual do Alto Douro Vinhateiro, Património Mundial. A falta de cooperação entre instituições públicas e privadas foi o aspecto que mais o surpreendeu.&#60;br /&#62; &#60;br /&#62; &#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62; Depois de um ano na chefia da Estrutura de Missão para o Douro qual o seu diagnóstico sobre a situação da região?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62; &#60;br /&#62; Eu diria que o que nos anima é prosseguir o esforço de levar uma região envelhecida a adoptar um posicionamento inovador e competitivo. Ora, isto não se consegue de um momento para outro. Tanto mais quando, depois de termos corrido a região de uma ponta à outra [21 concelhos] e termos conhecido alguns dos principais actores públicos e privados, confirmámos um défice de pessoas, que há falta de informação, que se reconhecem lacunas ao nível das competências. Mas, aquilo que me chamou mais a atenção e me surpreendeu foi o défice de cooperação. Ou seja, a relação entre os principais actores, vários organismos da administração central desconcentrada, não era a melhor. Também o diálogo entre esses sectores da administração central e as próprias autarquias deixa muito a desejar. Mesmo entre as próprias autarquias a comunicação falha claramente. Entre agentes privados. Entre o público e o privado. Em suma, se eu tivesse numa imagem que resumir a primeira fotografia da região, era défice de cooperação&#38;#34;.&#60;br /&#62; &#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62; Concretamente, o que é que tem sido feito para provocar a mudança?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62; &#60;br /&#62; Temos dado particular atenção a protocolos de cooperação e acordos com diversos parceiros. É o caso do workshop Centro Mundial de Destinos Turísticos de Excelência, que decorre esta semana, na Escola de Hotelaria de Lamego e que resulta de um acordo internacional entre o Turismo de Portugal, Associação para o Desenvolvimento do Turismo na Região Norte , CCDR-N, EM e a Organização Mundial do Turismo (OMT). Refiro ainda a subscrição por sete instituições da administração central, não conheço caso semelhante em Portugal, de um protocolo de cooperação visando a qualificação dos recursos humanos do Douro. Quer de activos adultos, quer de jovens. &#60;br /&#62; &#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62; Depois da qualificação, o que se oferece depois a essas pessoas? Onde estão os postos de trabalho?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62; &#60;br /&#62; A base económica da região assenta na vinha e no vinho. Hoje, também no sector emergente como é o turismo. Estes dois vectores económicos têm grande margem de progresso. Em relação ao primeiro caso, alguém neste encontro disse que o Douro tem um enorme potencial genético por explorar. Há, por tanto, mais &#38;#34;tourigas nacionais&#38;#34;. Castas nossas. Este trabalho, num sector onde a concorrência é feroz à escala planetária, global, exige por isso a criação de um pólo tecnológico de excelência mundial centrado no vinho. &#60;br /&#62; &#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62; Foi já apresentada uma candidatura para a instalação de um Parque Tecnológico com polos Bragança e Vila Realestando este último ligado à área do agro-industrial. É esse o centro o que preconiza a Estrutura de Missão? &#60;/span&#62;&#60;br /&#62; &#60;br /&#62; A CCDR-N e a EM têm um objectivo. Dar prioridade ao vinho. Eu sei que temos uma fileira agro-alimentar. Todos sabemos que há outros produtos regionais, como o azeite e os cogumelos também em processo de qualificação. Mas, a prioridade é o vinho. Ora, para podermos ter êxito é necessário o envolvimento de quem produz, o que implica envolver e integrar aqueles que produzem desde o primeiro dia. &#60;br /&#62; &#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62; Há também projectos na área ambiental. Qual o caminho?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62; &#60;br /&#62; Vamos prosseguir o que vem sendo traçado. Uma campanha bem sucedida erradicou já centenas de lixeiras em todo o vale do Douro. Posso também falar do projecto das aldeias vinhateiras, uma campanha séria, articulada, que também resultou. Só que o trabalho não pode ficar a meio. A EM, através do Programa Operacional Regional assumiu o compromisso para criar as condições para a persecução da campanha. Em relação a certos tipos de resíduos, como materiais da construção civil e outros, não podem ser tratados com soluções pontuais. Tem que haver escala, tem que abranger todo o território. &#60;br /&#62; &#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62; E no que respeita ao alojamento turístico, qual é a aposta?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62; &#60;br /&#62; Actualizamos o Plano de Desenvolvimento Turístico, estivemos em Janeiro na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), elaborámos o programa de acção, criámos uma marca turística, estamos prestes a acertar um acordo com o Centro Mundial de Destinos de Turismo de Excelência, da OMT. No fundo estamos a trabalhar para que este sector emergente, já muito interessante, ganhe e se qualifique.&#60;br /&#62; Um dos dramas é que a oferta é muito reduzida. Quem tem que elaborar esses produtos, no meu ponto de vista, são os operadores privados, não é a administração central. Defendemos a criação de pequenas unidades incorporadas nas quintas. Não quer dizer que a EM não veja com bons olhos a implementação de uma unidade dentro do perímetro urbano de Vila Real, Régua ou Lamego. Contudo o nosso modelo prioritário tem por base &#38;#34;as quintas&#38;#34;. &#60;br /&#62; &#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62; Fala-se de vários tipos de programas de apoio. Não será entrave à apresentação de candidaturas? &#60;/span&#62;&#60;br /&#62; &#60;br /&#62; Uma das missões da EM é exactamente pegar nesses programas e divulgá-los.&#60;br /&#62; Temos realizado vários seminários e debates, precisamente para difundir a existência e desses mesmos programas e em que moldes se aplicam.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Público</description><pubDate>Wed, 07 May 2008 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=41</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>A promoção e defesa do vinho português</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=40</link><description>Nasceram para dar voz, forma e com um objectivo expecífico, defenderem e promover o vinho de Portugal, associaram-se para poderem mostrar que os municípios estão unidos e actuam isoladamente, cada um a remar para o mesmo lado mas em conjunto, na mesma direcção com um olhar sobre o mundo e não para o umbigo. &#38;#8220;Um núcleo muito coeso de municípios à sua volta, da associação de várias regiões do país, de norte a sul e consegiu apanhar as diferentes regiões vinícolas, chamemos-lhe assim, até porque como sabemos Portugal é um país onde o vinho é um produto estratégico, é um ex-libris. Conseguimos, de facto, dar rapidamente as mãos e trabalhar em conjunto, por isso o tempo de consolidação do projecto não demorou mais de três meses, até se formalizar e que desse os primeiros passos, isso cobrindo municípios tão distintos e distantes quanto Lamego à Vidigueira, Reguengos, a Borba, Arruda do Vinhos, Palmela, ou Cartaxo, entre outros que imediatamente fortaleceram e acabaram por consolidar as suas actividades e as experiências já feitas nesta área. A partir dai traçámos um rumo comum e a associação nasceu&#38;#8221;, desenvolve Paulo Caldas, presidente da Câmara Municipal de Cartaxo e da Associação de Municípios Portugueses do Vinho, que introduz, como nota de satisfação, &#38;#8220;felizmente, cada vez mais, o vinho português é um vinho de maior qualidade e com marketing, com uma promoção própria, os próprios rótulos das garrafas, o cuidado na colocação do vinho no mercado é cada vez mais cuidada e mais profissional e ainda bem que assim é. Eu diria que desde o mercado, ao consumo e ao tratamento da vinha, estamos cada vez com mais qualidade no sector e isso é positivo&#38;#8221;.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;&#38;#8221;Cartaxo Capital do Vinho&#38;#8221;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;/span&#62;Uma ideia lançada em 2002 que nasceu de uma identidade natural, reconhecida em Portugal e no estrangeiro, do município do Cartaxo, &#38;#8220;ainda me recordo que quando estive a estudar na Holanda e me identificava como sendo do Cartaxo, a primeira associação que faziam era ao vinho. Como dizia António Silva, &#38;#8220;vamos a águas para o Cartaxo&#38;#8221;, ou Almeida Garrett, &#38;#8220;o nobre produto que vem da terra&#38;#8221;, há uma associação quase que involuntária de ligar o vinho ao Cartaxo e o Cartaxo ao vinho&#38;#8221;. Desta ligação ancestral foi-se criando um conceito que não pretende ter uma dimensão de superioridade, em relacção a outros municípios vinícolas, &#38;#8220;temos a noção que o país quase inteiro pode vangloriar-se e orgulhar-se de ser uma capital do vinho&#38;#8221;, mas numa perspectiva de valorização territorial e de identidade.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Uma capital com festivais próprios, a nível regional a Festa do Vinho, que celebra 20 anos, com as suas oito freguesias, a sua gastronomia, colectividades culturais e recreativas, e o Festival Nacional do Vinho. &#38;#8220;Acabamos por valorizar uma marca e o marketing territorial que não vamos abandonar, como é óbvio, porque queremos que haja uma valorização produtiva e económica de um produto que hoje sentimos que é um vinho com cada vez mais qualidade. Queremos que o vinho do Ribatejo tenha mais presença nos mercados e, ao mesmo tempo, sentimos que é um objecto de afirmação, por isso, é com bastante orgulho que a autarquia lançou este caminho que é positivo na valorização das nossas gentes e da nossa tradição na evolução&#38;#8221;, esclarece Paulo Caldas.&#60;br /&#62;Esta evolução passa por valorizar o mundo rural, a vinha e o vinho, com rotundas temáticas para que quem visite o Cartaxo o reconheça pelas suas especificidades, &#38;#8220;quem entra na nossa terra sente automaticamente que está numa terra de vinho, vinha e ruralidade pois penso, honestamente, que o Cartaxo vai ser essa expressão de ligação do Tejo, do campo, ao bairro, de ligação entre o mundo rural ao urbano, pois vai conquistando a sua urbanidade. Infelizmente as coisas têm tendido para aí com o reforço das acessibilidades, do emprego, de áreas empresariais, com toda esta evolução, mas que, ao mesmo tempo, não vai deixar a sua tradição por mãos alheias&#38;#8221;, explica o edil.&#60;br /&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Avaliação AMPV&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;/span&#62;Para Paulo Caldas, o ano que passou é tradutor de um sentimento de orgulho, pois a união faz a força e essa experiência de unidade com todos os autarcas reunidos na mesma causa é de salutar, &#38;#8220;vamos realizando a nossa actividade, múltipla, diversa, distinta, com as nossas identidades próprias e tradutoras de que, de facto, quando queremos conseguimos trabalhar em conjunto e explorar um objectivo comum. Isto é um bom exemplo para o país e um bom sinal de que não só as autarquias trabalham bem, e isso é um ponto importante junto da Administração Central, porque muitas vezes há a tendência para que se sintam como aqueles que acabam por ter princípios demasiado individualistas e não trabalham em conjunto. Este é assim um bom exemplo, que quando acreditamos num objectivo comum, neste caso, a promoção de um produto estratégico e sector vital para o país sentimos que estamos a percorrer um caminho positivo, para em conjunto com outras entidades darmos o nosso contributo&#38;#8221;, salienta o autarca presidente.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Atentos à realidade actual e à possibilidade de &#38;#8220;desbravar&#38;#8221; dez a 12 mil hectares de vinha em Portugal, nos próximos anos, a Associação de Municípios Portugueses do Vinho está preocupada. &#38;#8220;Estamos atentos e é um facto que há uma preocupação por parte dos municípios com essas novas regras que vão permitir a compensação penso que de cerca de seis ou sete mil euros por hectar para arranque da vinha, há que compreender que isso tem haver com o ordenamento do território. Daqui a cinco ou dez anos arriscamo-nos a ter um país menos rural, mais desordenado porque não havendo vinha nas configurações dos PDM&#38;#8217;S as autarquias alteram e vai tender para a urbanização, para o crescimento urbanístico e muitas vezes disperso o que não é positivo. Em termos de infra-estruturas compete aos municípios uma análise atenta e ponderada do que é que se passa a esse nível, porque também é numa visão de futuro que queremos construir a nossa actividade. Estamos atentos e, naturalmente, que vamos pontuando de um outro exemplo na negociação ministerial&#38;#8221;.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Estes, e outros, assuntos são discutidos com o Ministério da Agricultura que se tem mostrado um parceiro válido, receptivo e atento às preocupações da associação com uma atitude digna que responde sempre solícito às reuniões e multiplas solicitações da AMPV. &#38;#8220;Há um acordo que permite vantagens para ambas as partes e eu acredito que tanto o Ministério da Agricultura, como a ViniPortugal e a AICEP, a quem compete colocar os vinhos no exterior, e com todas as entidades ligadas ao sector vitivínicula são válidas e estão unidas nos mesmos interesses, pois tentamos sempre desenvolver parcerias na medida das múltiplas actividades que vamos desenvolvendo e tentando encontrar pontos de valorização comum. Tem havido a preocupação de, pela qualidade, nos associarmos às actividades das diferentes entidades do sector, aos produtores, às casas agrícolas para, a par e passo, irmos valorizando o vinho na sua análise multi-dimensional: a cultura, o desporto, a educação, história e património e é nisso que nos vamos concentrar. Estamos abertos a todo o tipo de parcerias, não só na exigência mas naquilo que passa pela reivindicação junto do Governo ou entidades comerciais de determinadas realidades e perspectivas mas também defendendo com isso os produtores e quem está no sector, mas dando as mãos em actividades de enriquecimento e que possam promover o vinho. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Chamo atenção para o seguinte: o ano passado, assistimos a uma divulgação da Feira Mundial do Vinho e estivemos com a ViniPortugal e com a AICEP e achamos muito valorizada a participação dos vinhos portugueses, percebi que em dimensão éramos o quarto expositor e tínhamos muita qualidade na nossa apresentação. O facto de estarmos presentes e termos dado o contributo, como associação, com essas duas entidades, entendo que foi uma parceria excelente&#38;#8221;, conclui orgulhoso Paulo Caldas.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Assembleia-Geral da RECEVIN&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Um grande passo para a Associação de Municípios Portugueses do Vinho é a realização da assembleia-geral da Rede Europeia das Cidades do Vinho (RECEVIN), pois a experiência desta associação e de outras do sector, como dos vizinhos espanhóis, a Rede de Municípios Espanhóis do Vinho (ACEVIN), são sempre mais-valias para a AMPV uma vez que esta congrega no seu seio a defesa, promoção e divulgação do vinho, espanhóis, franceses, ingleses, italianos, gregos, italianos e alemães, homens e mulheres, municípios e produtores de vinho. &#38;#8220;É uma horna para nós sermos os anfitriões desta assembleia, recebermos o momento mais nobre do seu meeting, o seu evento principal e também temos muito orgulho na realização do 1º Congresso Ibérico dos Museus do Vinho. Estes encontros servirão também para realizarmos uma auto-avaliação do trabalho que realizamos, porque apesar de ser uma associação muito jovem é útil e tradutora dessa dinâmica, sentimo-nos muito felizes por este ano que passou e encontramos um elixir de motivação nesta comemoração do 1º aniversário&#38;#8221;.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;O futuro da AMPV e do vinho&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;/span&#62;Um dos projectos de futuro é a valorização da venda do vinho, na área da restauração, a copo, como acontece com a cerveja, por exemplo, os vulgares finos ou imperiais, uma ideia difundida em outros países Europeus e que é considerado um avanço cultural e meio de prevenção de acidentes, afirma Paulo Caldas. &#38;#8220;Tal como se concebia o vinho nas tabernas, mas de uma forma mais qualificada, com vinho engarrafado, penso que a prática e a cultura do vinho a copo era um eixo importante de divulgação, difusão e valorização no nosso país. Todo ganhávamos com isso, pois, muitas vezes substituindo o vinho por uma outra bebida branca, o grau de alcóol diminui, e contribuimos para uma menor sinistralidade, por outro lado, é uma bebida agradável para um convívio, para um encontro profissional. Em vez de se beber uma cerveja quando saímos do trabalho porque não beber um copo de vinho, no Verão privilegiado o branco porque é mais fresco, mas eu acho que a prática do vinho a copo traria e traz ao nosso país, que tem um vinho como noutros produtos regionais e no turismo um dos expoentes estratégicos em termos de valorização. Devia-se de facto apostar numa promoção, a desenvolver por várias entidades do sector, que nós apadrinharíamos com muita facilidade e contribuiríamos dentro dos possíveis; não é um projecto original mas parece importante valorizar, consciencializar e difundir pela prática das nossas diferentes comunidades&#38;#8221;, desenvolve o autarca uma ideia considerada de simples mas muito importante para atingir alguns dos objectivos que a AMPV se propõe.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Outra das preocupações e objecto de análise actual e futura é o preço que o vinho chega ao consumidor, excessivo na área da restauração para agregados da classe baixa com valores que o tornam inacessível, &#38;#8220;consumir um vinho de qualidade ou até de qualidade mediana, porque muitas vezes encontramos uma garrafa de vinho a 15, 20 ou 25 euros e isso é o preço de uma refeição, paga-se tanto pelo vinho como pela refeição. É algo que pode mudar e o caminho tem de ser de equilíbrio e de redução desse preço excessivo e ao qual o vinho chega ao consumidor. É verdade que quem o produz e coloca no mercado já o faz a preços elevados, mas o distribuidor agrava e o empresário da restauração ou hotelaria ainda mais&#38;#8221;, informa preocupado garantindo que o trabalho da associação passa por tentar, com a entidades competentes, arranjar uma solução. &#38;#8220;O nosso trabalho conjunto tem de ser de consciencialização, na prática e no consumo de um bom vinho, de qualidade, e pela intervenção do vinho português dentro e fora de portas. Intervenção e mudança nas grandes alterações que existem no sector, nomeadamente agora na constituição das novas entidades de certificação, sempre privilegiando a qualidade mas alertando sempre as entidades competentes&#38;#8221;.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Como objectivo final para o futuro, a curto e longo prazo, desejam crescer com dimensão, mais associados, mas com qualidade, com poucas mas boas actividades, e trilhar esse caminho de promoção e divulgação do vinho português em Portugal e no estrangeiro.&#60;br /&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Uma mensagem de confiança&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Agradecer a colaboração de todos os envolvidos, de Norte a Sul do país, na difusão e promoção do vinho português, é o que pretende Paulo Caldas com uma mensagem final de confiança no futuro. &#38;#8220;Este é um trabalho que não se perde e que as próximas gerações certamente terão a possibilidade de fazer a sua avaliação e dar continuidade, de sentirem orgulho, de dar valor e fazer coisas diferentes, porque é sempre possível fazer coisas diferentes em torno de alguma coisa. Parece-me que estamos a trilhar um bom caminho, bom para nós, para as nossas autarquias, para as regiões e para o país, pois acho que ganhamos muito com isso, cada vez mais temos que apostar certo, e o país não pode perder muito tempo a fazer estudos e depois voltar atrás. O caminho certo é este, no qual acreditamos e estamos convictos, corrigir trajectórias quando vemos que erramos, mas acho que este é um caminho certo que deve ser prosseguido&#38;#8221;, conclui o presidente da Câmara Municipal de Cartaxo e da Associação de Municípios Portugueses do Vinho.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; O Primeiro de Janeiro</description><pubDate>Wed, 30 Apr 2008 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=40</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Vinhos fechados a cadeado</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=39</link><description>Um empresário brasileiro, na casa dos 30 anos, estava a petiscar um folhado de lagosta no restaurante gourmet do hotel Porto Palácio quando pediu ajuda para escolher um vinho. Foi-lhe sugerido que experimentasse alguns vinhos a copo. Recusou educadamente. O empresário queria mais requinte. Pediu a carta e escolheu um Pêra Manca de 1998 para acompanhar o prato seguinte: um tornedó de vaca com trufas e &#38;#8216;foie gras&#38;#8217;. No final da refeição, voltou novamente a olhar para a lista. &#38;#8220;Perguntou quantas garrafas tínhamos de Pêra Manca e de Barca Velha&#38;#8221;, lembra Miguel Ribeiro, coordenador de alimentos e bebidas do hotel Porto Palácio.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O empresário decidiu acabar com o &#38;#39;stock&#38;#39; e comprou as 16 garrafas que o hotel tinha para vender. &#38;#34;Foram todas embaladas cuidadosamente e, no dia seguinte, pagou cerca de cinco mil euros&#38;#34;, diz o coordenador. Ter uma boa garrafeira é tão importante como o número de estrelas do hotel. Por isso, o Porto Palácio apostou numa estratégia de marketing para seduzir os clientes. As garrafas estão expostas em prateleiras, cobertas por um vidro, ao lado da sala dos pequenos-almoços. &#38;#34;Assim, todos os clientes a podem ver&#38;#34;, afirma o escanção do hotel, Abílio Nogueira. Um olho experiente detecta rapidamente os melhores vinhos. Colocado na prateleira superior destaca-se o exemplar único de Montrachet Romanée Conti, da região de Bourgogne, em França. Esta relíquia é a mais cara da lista, custa 3100 euros, e ainda está à espera de ser vendida. &#38;#34;Como somos um hotel de negócios temos também uma boa variedade da Nova Zelândia, Austrália ou França&#38;#34;, diz Abílio Nogueira.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Mas em cada 100 garrafas vendidas nos restaurantes do Porto Palácio a preferência vai para os portugueses: 90 delas são de vinhos nacionais. Os turistas e homens de negócios gostam de provar o que é nosso. A carta é alterada de três em três meses consoante as preferências dos clientes. Os vinhos menos vendidos são retirados da lista e entram as novidades do mercado. &#38;#34;Sigo a opinião dos enólogos, da imprensa especializada e frequento as feiras de vinhos&#38;#34;, acrescenta o escanção do hotel Porto Palácio.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Enquanto a garrafeira do Porto Palácio está à vista de todos, a do Ritz Four Seasons Lisboa, fica escondida numa cave trancada a cadeado. Só os elementos da segurança do hotel têm acesso às chaves. No interior, os vinhos encontram-se a uma temperatura de 17 graus e ordenados de acordo com as regiões vinícolas de Portugal: Douro, Dão, Bairrada, Beiras, Estremadura, Ribatejo, Terias dosado e Alentejo. Os Barca Velha, Pêra Manca, S de Soberano ou Vinha de Lordelo são algumas das estrelas da casa. &#38;#34;Só cinco por cento da carta é composta por produtos estrangeiros. Temos italianos, como o Sangratino de Montefalco ou um americano como o Opus One&#38;#34;, diz Licínio Carnaz.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;No Ritz, os vinhos nacionais são os mais consumidos, à semelhança do que acontece no Porto Palácio. Num total de 100 garrafas vendidas, 99 são portuguesas. Para estar sempre actualizado, Licínio faz pesquisa pela Internet e desloca-se pelo País para visitar as várias feiras de vinhos. &#38;#34;Em relação à encomenda de vinhos estrangeiros entro em contacto com outros escanções. Por exemplo, o João Pires, que já trabalhou no Ritz tem muita experiência no mercado internacional&#38;#34;, diz.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O restaurante do Ritz é frequentado por dois tipos de clientes. À hora de almoço são sobretudo empresários portugueses que pedem apenas uma garrafa ou optam por beber vinho a copo. Os do Douro e do Alentejo são os mais escolhidos. À noite são sobretudo os turistas, que gostam de fazer jantares mais longos. &#38;#34;Vendo mais garrafas ao jantar porque durante o dia as pessoas vão trabalhar ou têm de conduzir e evitam beber&#38;#34;, diz Licínio Carnaz.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;No Sheraton Porto Hotel and Spa a escanção Marisa Rosa sabe quando um empresário faz um bom negócio. &#38;#8220;A qualidade do vinho reflecte a importância do contrato. Quando isso acontece, os empresários pedem normalmente um Casa Ferreirinha, de 1996 (custa 75 euros) ou um Barca Velha de 1999 (224 euros)&#38;#8221;, diz. Os portugueses absorvem quase toda a venda de garrafas. Porém, também existem algumas da Argentina, Espanha, Itália, Austrália e EUA.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Aqui, a garrafeira está no interior do restaurante numa sala envidraçada. Marisa Rosa costuma convidar os clientes mais indecisos a entrar e a escolher o vinho desejado. Se quiserem também podem provar. Por isso, dentro da garrafeira existem diversos tipos de copos. &#38;#34;Com uma abertura menor se for para beber um vinho branco e maior para um tinto encorpado&#38;#34;, explica Marisa.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A carta está dividida por regiões e costuma ser alterada anualmente.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;No dia em que isso acontece o coordenador de Alimentos e Bebidas do hotel, Thierry Henrot, e a escanção têm de trabalhar até de madrugada. &#38;#34;Já aconteceu ficarmos até às 4h00 da manhã a decidir os novos vinhos&#38;#34;, explica Thierry. Os dois reúnem a informação pesquisada na Internet, nas feiras de vinhos e nas provas que fizeram. &#38;#34;Por exemplo, quando os produtores ou distribuidores nos oferecem vinhos que não conhecemos provamos e atribuímos uma nota No final do ano, quando substituirmos os vinhos, entram na carta os que tiveram a melhor avaliação&#38;#34;, explica Thierry. Ana Paula Lopes, escanção do Pestana Palace, só trabalha com vinhos portugueses. &#38;#34;Os clientes estrangeiros que aqui vêm preferem os do Douro, Dão e Alentejo&#38;#34;, diz. O investimento em vinhos internacionais deixou de fazer sentido por escassez de procura. A carta é renovada três vezes por ano e obedece a critérios rigorosos de qualidade e preço. &#38;#34;Temos de ter garrafas caras, de preço média e baratas&#38;#34;, conta Ana Paula Lopes.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Um dos mais caros é o Mouchão Tonel 3-4, que custa 250 euros. Barca Velha, Batuta e Homenagem a António Carqueijeiro são outras das garrafas mais valiosas do Pestana Palace. Guardadas numa cave junto à sacristia do hotel, Ana Paula é a única que tem a chave da porta. As paredes grossas conservam o vinho à temperatura ideal (entre os 15 e os 17 graus).&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A hora do almoço e do jantar os escanções vestem-se com um fato escuro. Depois, todos têm as suas tácticas para detectar se há alguma imperfeição no vinho. Por exemplo, Marina Rosa além de provar também cheira a rolha das garrafas abertas. Aliás, a escanção do Sheraton tem uma teoria curiosa sobre a sua profissão. &#38;#34;Faço o que gosto e, talvez por provar tantos tipos de vinho, não tenho uma constipação há anos&#38;#34;, diz. De facto, Marina é das funcionárias com maior assiduidade. Em quatro anos e meio nunca faltou ao trabalho.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Diário Económico</description><pubDate>Wed, 02 Apr 2008 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=39</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Churchill não beberia este vinho</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=37</link><description>Para muitos é uma heresia. Outros falam em cedência. Alguns prenunciam o princípio do fim de um mito feito de solenidade e dos bons modos da aristocracia. Há quem diga que não, que já é tempo de acabar com a associação a imagens como a dos três velhotes sisudos. Há quem respire de alívio por ter surgido uma inovação no sector, quase meio século depois do nascimento do Late Bottled Vintage (LBV). A notícia do momento no circunspecto mundo do vinho do Porto carrega o peso de um vinho ligth e o dramatismo do cor-de-rosa. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A Croft, uma das mais antigas e emblemáticas empresas do sector (foi fundada no Porto em 1678) lançou há uns meses no Reino Unido o Porto Pink, um rosé muito doce e aromático, e na semana passada repetiu a ousadia em pleno coração do entreposto de Gaia. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;De imediato, as hostes inquietaram-se. Os jornalistas britânicos da especialidade torceram, na sua maioria, o nariz. O site fortheloveofport.com registou dezenas de comentários militantes, na sua grande maioria ácidos para o modernismo. &#38;#34;Não faz o meu estilo. Precisa de mais cor e extracção para equilibrar o álcool&#38;#34;, escreveu um tal Derek, de Inglaterra. &#38;#34;Uma péssima ideia sob todos pontos de vista&#38;#34;, continuou Botbol Moses, de Boston, Estados Unidos. Outros, ainda mais extremados, inventaram a palavra Ponk para minar qualquer pretensa seriedade do Port Pink. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Para a Croft, uma das empresas do universo The Fladgate Partnership (que inclui a Taylor&#38;#34;s, a Fonseca e, entre outras, a Delaforce), a ideia não foi, porém, ir ao encontro do &#38;#34;estilo&#38;#34; dos zelosos da tradição, como são os que frequentam o fortheloveofport.com. Adrian Bridge, director da Fladgate, quer outro segmento do mercado. O das mulheres, por exemplo. O dos jovens também. Para o conseguir, explica, a Croft teve de lançar mãos à imaginação e lançar um produto novo para todos &#38;#34;aqueles que valorizam uma nova experiência no mundo do vinho do Porto&#38;#34;. Um vinho que não exigisse copos Riedl ou cálices com a assinatura de Siza Vieira. Que não requeresse momentos especiais. Que, como o Portonic (mistura de porto branco com água tónica), pudesse ser servido com gelo, em alternativa a uma vodka ou a um whisky, numa festa de aniversário ou numa discoteca. Um vinho que, de algum modo, dessacralizasse a imagem do vinho do Porto e recuperasse um pouco da volúpia que fez furor há umas décadas, quando a Ramos-Pinto lançou uma campanha publicitária com mulheres seminuas e em poses insinuantes a apelarem à &#38;#34;tentação&#38;#34; - não foi por acaso que, em Portugal, o Pink chegou às garrafeiras no dia dos namorados.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Esta história que anima o debate sobre a identidade do vinho do Porto (rigorosamente, o que é, de onde vem, para onde vai...) começou há três anos. David Guimaraens (não, não é erro de grafia, o nome escreve-se como se escrevia no século XIX, quando o seu antepassado Manuel Pedro Guimaraens, um liberal do Porto, fugiu às perseguições miguelistas instalando-se em Londres), o enólogo da casa, foi incumbido de criar algo de novo. A invenção de um Porto com chocolate, ou com canela, ainda foi tentada, mas jamais a ortodoxia do Instituto dos Vinhos do Porto e Douro, a entidade reguladora do sector, toleraria semelhante alquimia. David optou então pelo rosé, seguindo uma &#38;#34;abordagem semelhante à que é adoptada quando se produz um vinho branco frutado&#38;#34;. Esmagou as uvas, prensou-as ligeiramente, decantou o mosto a frio para ficar limpo de sólidos, acrescentou-lhe leveduras seleccionadas para uma fermentação a baixas temperaturas, refrescou a aguardente para o momento da beneficiação. Depois de vários ensaios e de vários protótipos, definiu a fórmula, convenceu o IVDP a certificar os processos e a enquadrar o produto nas categorias de vinho do Porto existentes e, finalmente, nasceu o Porto Pink.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Como é óbvio, o Pink não é catalogável à luz dos inventários existentes. Não é vintage, nem LBV, nem branco, nem tawny, nem um 10, 20 ou 30 anos. Para o inscrever na família, a Croft teve de vencer uma primeira barreira: em que categoria de vinho do Porto se mete o Pink? Com um pouco de generosidade, acabou por ser um ruby, embora como o seu nome indica, seja um pink e não um ruby. &#38;#34;É importante que o vinho do Porto seja uma actividade aberta à mudança e à inovação&#38;#34;, explica Jorge Monteiro, presidente do IVDP, o homem que teve de encontrar brechas na regulamentação para que o Pink pudesse ser um Porto. Muitos produtores resmungam com tamanha abertura de um organismo público que, por tradição, não olha a meios para impor a ortodoxia e o classicismo do vinho do Porto. O que estava agora em causa, porém, não era uma mera certificação de um lote ou outro: era um plano que, se correr bem, pode ser um tónico para o sector. Como troca para a complacência, os dirigentes do instituto insistiram na necessidade de se fixar um bom preço e gostaram de saber que o Port Pink se vende em Londres a 10 euros por garrafa, o triplo do que vale um vinho da gama inferior do vinho do Porto.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Ainda é cedo para se saber se a aposta da Croft está ganha. À partida, as condições eram favoráveis. Os homens da Fladgate gostam de fazer coisas bem feitas (os seus vintages ficam sempre acima dos 92/94 pontos nas grandes revistas mundiais da especialidade e, em 1994, conquistaram até 100 pontos em 100). Gostam também de experimentar coisas novas, desde vinhas desenhadas com recurso a raios laser que ganharam prémios mundiais na área da viticultura, a vinhos biológicos que estão a ser bem aceites pelos consumidores. Falta no entanto o teste dos consumidores que, para já, parece estar a correr bem. &#38;#34;Há muitas cadeias de distribuição interessadas no produto&#38;#34;, diz Albino Jorge, administrador da Romariz, uma das empresas do grupo Fladgate. Resta saber se o impacte da novidade (e do marketing) será suficiente para escoar os 400 mil litros de Pink produzidos este ano.&#60;br /&#62;Enquanto se segue de perto o fluir dos mercados, no universo dos apreciadores o que conta é a troca de argumentos entre ortodoxos e, digamos, liberais. O espectro da discussão é amplo e, obviamente, delicioso. Se o vinho do Porto pode ser jovem e ruby, se lhe ficam bem as tonalidades douradas dos tawny, as cores violáceas dos jovens vintage ou até os reflexos esverdeados de um vinho muito, muito velho, porque não Pink? Porque há-de o vinho do Porto ser apenas aperitivo em França ou na Bélgica, ou vinho de sobremesa em Inglaterra ou nos Estados Unidos? Se nos anos 20 e 30 os operários britânicos se habituaram a misturar Porto com Ginger Ale e sumo de limão, se é moda combinar branco seco com água tónica, porque não tolerar um pouco de gelo num Porto rosé? &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Talvez as dúvidas não considerem um facto indiscutível: apesar da tradição que hoje é uma das marcas (e uma das ameaças?) do negócio, os agentes económicos do sector, do Porto ou do Douro ou de Londres, sempre estiveram na vanguarda da viticultura e enologia mundiais. O vinho do Porto deu origem à primeira região demarcada e regulamentada do mundo; foi dos primeiros vinhos a aproveitar a evolução da garrafa para aproveitar o envelhecimento em ambientes redutores; foi um dos primeiros vinhos globais da História; foi pioneiro no marketing, na rotulagem, na menção das quintas de origem, na indicação da data da colheita como critério de avaliação, foi inventivo da evolução enológica ou na definição de novas categorias. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O Pink nasce nessa continuidade e, como todas as rupturas, foi objecto de devoção e de ira. Talvez os apreciadores de um vintage clássico com 20 ou 30 anos de garrafeira o consigam provar apenas e se esquecerem que é um vinho do Porto. Porque é difícil meter no mesmo saco um dos vinhos mais intensos e complexos do planeta com um vinho ligeiro por definição. Outros, porém, talvez possam cair na tentação de uma cor mais jovial e fresca e consumir Porto (ou Pink) pela primeira vez. Num cálice convencional, por exemplo. Mas para que não haja dúvidas, o melhor mesmo é separar as águas e experimentá-lo num copo alto. Com umas boas pedras de gelo. Afinal, um Porto é um Porto, um pink é um pink, embora agora também haja um Porto pink.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Manuel Carvalho | Público</description><pubDate>Mon, 18 Feb 2008 00:00:00 +0000</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=37</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Obama é o candidato dos nossos tintos</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=36</link><description>Como os mestres-de-obras portugueses são Mercedes ou Audi. Com o simplismo, os ianques escondem a ignorância, dizem--se do clube syrah como se é dos Red Sox desde pequenino. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A monocasta tranquiliza-os num domínio que eles, lá no fundo, sabem que só conhecem pela rama. Isso é mau para os nossos vinhos, que quando são cabernet são também trincadeira ou rabo-de-ovelha ou periquita. Vinhos portugueses são mestiços e nas listas dos restaurantes estão sob o título &#38;#34;Intriguing wines&#38;#34; (vinhos esquizóides)... &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Só a mudança na América, tornando moda as misturas, nos salva. Só ela daria a ideia de que um vinho bom, mesmo, é quando junta uma casta do Kansas (merlot) e outra do Quénia (mourisco). Obama eleito ajudava a vender os nossos tintos. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Campanha do ICEP: &#38;#34;Se já o tem na Casa Branca, porque não na sua mesa?&#38;#34;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Ferreira Fernandes | Diário de Notícias</description><pubDate>Mon, 04 Feb 2008 00:00:00 +0000</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=36</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Senhores da terra com velho e novo mundo</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=35</link><description>&#60;p&#62;Quem atravessa o Tejo depois de Santarém e sobe ao longo do rio, entra na Rota do Vinho, do Touro e dos Cavalos. O vinho vê-se logo, entre casas apalaçadas, campos onde esteve milho, grandes planuras. Touros é que nada, e cavalos idem, para já. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Uns quilómetros acima de Alpiarça fica uma quinta a que se chegava de barco no tempo do 2.º duque de Palmela, há 150 anos. É por isso que a entrada de hoje, chegando de carro, parece - e é - a das traseiras. O palácio amarelo tem a melhor frente para o jardim, que ao fundo leva ao Tejo. Vem da fundação da quinta, no século XVIII, quando se dominaram as cheias com valas e diques e a terra foi cultivada. Em meados do século XIX, a propriedade passou por casamento para o duque de Palmela.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Recentemente, nos anos 90, os descendentes criaram a Sociedade Agrícola da Quinta da Lagoalva de Cima, SA, para gerir quase 6000 hectares. E o presidente da administração é o tetraneto Manuel Campilho, de 55 anos, engenheiro agrónomo com voz de trovão. Às 9h00, já vai um entra-e-sai no seu escritório adjacente ao palácio.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Por exemplo, um rapaz encorpado, mangas arregaçadas e unhas negras mostra um artigo da Visão sobre como o Quinta da Lagoalva de Cima, um branco que cruza casta Chardonnay com a ribatejana Arinto, foi servido no almoço do Tratado de Lisboa e antes já fora servido a Putin. O criador, na fotografia, é este mesmo rapaz.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;- O meu filho Diogo - apresenta Manuel.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Séculos de duques, enologia em Vila Real, três anos na Austrália. Dá um herdeiro ribatejano de 27 anos a fazer vinho com o sistema do Novo Mundo no terroir do Velho Mundo. Tão tradicional que aos 15 anos se fez forcado, e tão não-tradicional que vindima à noite para evitar a oxidação do calor. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;As unhas negras, já se vê, são da adega. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;Pergaminhos em volta&#60;/strong&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O vinho projecta o nome e a Lagoalva também faz azeite e vinagre gourmet, e cria cavalos lusitanos. &#60;br /&#62;Mas as grandes produções são floresta (cortiça, pinhal e eucalipto), cereais (milho e cevada para indústria), hortícolas (toneladas de ervilha e batata), carne de ovinos e bovinos (sem rações). &#60;br /&#62;Pela genealogia, será um latifúndio (no sentido de grande propriedade rural da aristocracia). Pelo aproveitamento da terra, será o contrário de um latifúndio (no sentido de terras ao abandono). Aqui, os senhores da terra aproveitam pragmaticamente a terra - quase sem braços. Algumas máquinas substituíram muitos homens. Até a vindima é mecânica.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;- Vinho, azeite, cortiça e cavalo lusitano são os produtos de excelência do mundo rural que Portugal deve produzir - diz e repete Manuel Campilho. Fala dos baixos níveis mundiais de stock de cereal e das alterações climáticas.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;- Sentimos todos que há chuvas torrenciais que de repente destroem as culturas, e depois grandes calores. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Pega num Financial Times e lê sobre geadas na Argentina que deram cabo do trigo.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;- E eles lá estão na Primavera. Os urbanos não têm ideia do que se passa. Acham que os agricultores são todos uns subsidiodependentes. Eu sou agricultor há 30 anos, e agora temos um ministro da Agricultura e das Pescas que não gosta nem de agricultores nem de pescadores. Responsabilizo-o claramente por ter acabado com a beterraba.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Em cujo cultivo a Lagoalva se orgulha de ser pioneira. Este ano foi o último de cultivo. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Como Manuel Campilho quis esperar pelos visitantes para o pequeno-almoço, levanta-se para enfim o ir tomar.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Na parede por cima da cadeira tem uma sequência com toureio a pé. Os sofás são de couro gasto e macio. Nas escadas há gravuras do século XIX, no átrio uma litografia do rei D. Carlos a cavalo. Lá fora, correm golden retrievers adoráveis, uma já quase cega, a beber de uma taça cheia de folhas caducas, debaixo de uma árvore. O filho de Diogo, um Manuel de sete anos, anda solto pelo terreiro. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Manuel Campilho tem seis irmãos (um deles, Miguel, também na administração, sendo que há um terceiro administrador que não é da família), três filhos (além do enólogo, duas raparigas que não trabalham aqui) e um neto. - É uma paixão - diz e repete. Sobre o neto e sobre a Lagoalva.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A ala principal do palácio é para convidados e clientes. Manuel vive numa parte lateral. Quando abre a porta, cheira a lareira. Retratos de cães e cavalos e o espólio de imagens, pratas e porcelanas de uma grande família, numa escala de pequenas salas bem aquecidas.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Outra coisa que Manuel Campilho diz e repete é que os pergaminhos não vêm ao caso. Que é administrador e não dono. Que a Lagoalva pertence a uma holding. E se fala nos Palmela é para lembrar que eram liberais.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;- Sempre defendemos a liberdade e a democracia. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Os pergaminhos não vêm ao caso, mas, claro, estamos rodeados por eles, dos campos às paredes, reconhece Manuel.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;- Nós somos a continuação da família. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Sempre de mangas arregaçadas, Diogo junta-se ao pequeno-almoço e põe na mesa o vinagre de vinho e o azeite das oliveiras plantadas pelo duque.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;- Metade da nossa produção de vinho e azeite vai para fora, toda a Europa, EUA, Brasil, Canadá, Angola, S. Tomé...&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A holding está também a fazer uma internacionalização de serviços, como aconselhamento na utilização de água ou conservação de cereais. Hungria e Angola são dois mercados possíveis para a subempresa Lagoalva Systems. Novo mundo.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;E numa volta rápida ao escritório, o administrador tem à espera um homem curvado que lhe traz uma prenda de Natal. Abraçam-se muito.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;- O Gabriel é um autodidacta que sabia tudo da floresta e me ensinou. Ficámos amigos para a vida - explica Manuel Campilho, a caminho da adega. O bisavô de Gabriel já trabalhava para a Lagoalva. Agora Gabriel tem um filho na administração. E vão cinco gerações. Velho mundo.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;Ao som dos AC/DC&#60;br /&#62;&#60;/strong&#62;&#60;br /&#62;É uma escolha de Diogo. Da adega à cavalariça está sempre a ouvir-se música, aliás a Antena 3, neste momento AC/DC. Primeiro porque a vindima é feita de noite, e podia dar-lhes para adormecer. E depois porque sim. Dá ritmo, acha o enólogo. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Já o telemóvel de Manuel Campilho toca com trombetas de tourada. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Também presidente da Associação Portuguesa do Cavalo Puro Sangue Lusitano, a sua especialidade é atrelagem - atrelar vários cavalos ao mesmo tempo a um carro. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A esta hora, o picadeiro de treino está deserto. Nas cavalariças do século XVIII seis machos ouvem a Antena 3.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Para os campos (que apanham três concelhos, Chamusca, Golegã e Alpiarça), é preciso jipe. Primeiro as vinhas, imensas, novas. São tão diferentes dos velhos socalcos do Douro que parecem outra planta, mais alta e esguia, menos escura e retorcida. Na vindima, vem uma máquina de ambos os lados a abanar as parras e os cachos caem para um tapete. À entrada de cada fila, castas identificadas.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;- Isto é cópia da Austrália - resume o administrador. - Muito mais competitivo que o Douro.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O jipe prossegue por montes de sobro. Portugal é o primeiro exportador de cortiça e não há um instituto do sobreiro, queixa-se Manuel Campilho, para a seguir ver campos que lhe arderam, e depois explicar que uma formas de combater incêndios é a descontinuidade (por exemplo, sobro, milho, sobro), ou que estes pivots de rega nos campos (uma espécie de compasso gigante, fixo num eixo) dão versatilidade. Hoje cereal, amanhã pastagem. As ovelhas até comem o restolho do milho, e limpam o mato, protegendo-o dos incêndios.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;- O que é a agricultura? Utilizar com inteligência os recursos naturais. Amanhã é mais vantajoso fazer cereal? Faço cereal. É mais vantajoso carne? Faço carne. Ou vinho. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Em tendo terra, investimento - e água.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;- Vocês em Lisboa não se apercebem da catástrofe que é não chover, e agora vão ver.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Depois de uma curva idílica, entre ovelhinhas e sobreiros, a grande barragem da Lagoalva parece uma poça.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;- Tem 500 mil metros cúbicos e está nos 25 mil. Não tenho dúvidas de que há alterações climáticas essenciais. Aquilo que poluímos tem que ter resultados catastróficos. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;De volta ao palácio são 20 quilómetros, com terra de outros pelo meio. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Durante o PREC, aqui mesmo, no Ribatejo, a maior propriedade murada do país, a Torre Bela, do duque de Lafões - avô de Diogo, sogro de Manuel Campilho -, foi alvo de uma ocupação ligada à LUAR. Depois esteve ao abandono e acabou vendida a uma empresa que usa a terra para caça e ainda não recuperou o palácio vandalizado e em ruínas.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Que aconteceu na Lagoalva na revolução?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;- Nunca foi ocupada. Foi salva pelo 25 de Novembro. A estratégia comunista de ocupação era o Alentejo - diz Manuel Campilho.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Na quinta, esperam-no para o almoço de Natal os 20 trabalhadores da terra, mais os 20 do escritório. Entre velho e novo mundo, na Lagoalva - 6000 hectares - cabem todos num almoço.&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Alexandra Lucas Coelho | Público</description><pubDate>Fri, 28 Dec 2007 00:00:00 +0000</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=35</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Distribuidoras internacionais ignoram vinhos portugueses</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=34</link><description>&#60;p&#62;Contam-se pelos dedos de uma das mãos os vinhos portugueses que fazem parte do &#38;#8216;portfólio&#38;#8217; das duas empresas líderes do mercado da distribuição de bebidas alcoólicas em Portugal, as multinacionais Diageo e Pernod Ricard. As consequências são óbvias: não fazendo parte das grandes estruturas que controlam a distribuição mundial &#38;#8211; os dois grupos são sistematicamente os primeiros ou os segundos em quase todos os países europeus, americanos e asiáticos &#38;#8211;, os vinhos portugueses não usufruem das sinergias decorrentes dos canais de distribuição bem oleados.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Armando Medeiros, CEO da Pernod Ricard Portugal, do grupo de origem francesa, e número dois do &#38;#8216;ranking&#38;#8217;, é claro sobre a matéria: &#38;#34;integrar vinhos portugueses no &#38;#39;portfólio&#38;#39; da nossa empresa é muito complexo&#38;#34;. O número de marcas existentes no mercado é muito grande, os volumes são reduzidos para uma visão global sobre vendas, e a pulverização de pequenas distribuidoras toma a abordagem ao sector difícil. Acresce a isto o facto de a multinacional preferir vender globalmente as marcas próprias. Mesmo assim, a distribuidora tem quatro vinhos portugueses na carteira de produtos: dois alentejanos (Quinta de Coelheiros e Altas Quintas), um ribatejano (F&#38;#8217;iúza) e um Porto (Sandeman). Dela fazem também parte as marcas próprias de bebidas brancas Aldeia Velha, d&#38;#8217;Alma e Macieira, que surgem nos mercados internacionais como bebidas tipicamente portuguesas. Armando Medeiros adiantou ao Diário Económico que o grupo quer ainda contar com um vinho do Douro dentro da sua gama.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Já a Diageo, líder do mercado nacional, chegou a ter uma grande exposição aos vinhos portugueses. A partir de 2003, e segundo o CEO da altura, Vítor Centeno, o grupo de origem britânica quis apostar na produção nacional. Mas a estratégia foi alterada e o actual CEO, Pedro Nogueira, pouco tem de português para vender no estrangeiro.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;A maior empresa nacional de distribuição surge no terceiro lugar do &#38;#39;ranking&#38;#8217;. É a Prime Drinks, onde a Finagra passou a deter 50% do capital desde a passada semana. A exposição da empresa aos vinhos nacionais é enorme: só a produção da Finagra (Herdade do Esporão, entre outros) e da Aveleda (vinhos verdes) é suficiente para assegurar um &#38;#39;portfólio&#38;#39; com marcas estrangeiras (Rémy Martin, Absolut e Grant&#38;#39;s). A Sogrape, maior grupo nacional de vinhos que tem a sua própria distribuidora, surge a seguir. O lado bom da questão é que estas pequenas empresas chegam com maior facilidade a todo o canal Horeca (hotéis, restaurantes e cafés). De fora fica o desenvolvimento dos canais internacionais e as exportações, que são uma das grandes apostas dos vinhos portugueses.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;Os três maiores da distribuição de bebidas&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;DIAGEO&#60;/strong&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O gigante mundial obteve em 2007 uma facturação superiora 10 mil milhões de euros. Algumas das marcas mais conhecidas do &#38;#39;portfólio&#38;#39; são a Johnnie Walker, J&#38;B, Guinness e Baileys. Em Portugal, o grupo foi responsável pelos vinhos Periquita, da José Maria da Fonseca &#38;#8211; que continua a aparecer no quadro das suas marcas na internet - mas o produtor nacional desistiu da parceria há cerca de quatro anos. Mesmo assim, a Diageo mantém o primeiro lugar da distribuição no mercado interno, com um volume de negócios que ultrapassa os 200 milhões. Em termos de quota de volumes, a multinacional de origem britânica assegura cerca de 30,5% do mercado.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;PERNOD RICARD&#60;br /&#62;&#60;/strong&#62;&#60;br /&#62;Com uma facturação de 6,4 mil milhões de euros em 2007 e lucros de 831 milhões, a multinacional francesa assegura a liderança de vários mercados, com especial destaque para o da América do Sul. Em Portugal, o grupo facturou pouco mais de 90 milhões em 2006, mas as expectativas são de ultrapassar a barreira dos 100 milhões em pouco tempo. Jameson, Ballantine&#38;#39;s, Chivas, Munn, Havana Club e The Glenlivet são algumas das marcas que fazem parte do seu &#38;#39;portfólio&#38;#39;. A empresa tem em execução, no mercado nacional, aquilo a que chamou o projecto Cosmos, como forma de envolver os pequenos distribuidores no plano de desenvolvimento da inserção das suas marcas no mercado nacional.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;PRIME DRINKS&#60;br /&#62;&#60;/strong&#62;&#60;br /&#62;Surgiu em 1996, com a denominação Caves Aliança Marketing. O objectivo é optimizar a distribuição das marcas fundadoras: Caves Aliança (50% do capital), William Grant Sons, (40%), e Bols (10%). Há uma semana, surgiu uma nova composição accionista, que resultou da saída, há alguns anos, da Aliança: a Herdade do Esporão passou a deter 50% da empresa, a William Grant assegura agora uma posição de 35% e a Rémy Cointreau 15%. As marcas próprias da Finagra e os vinhos da Aveleda são responsáveis por grande parte do volume de negócios. As marcas Rémy Martin, Absolut e Grant&#38;#39;s dão-lhe o terceiro lugar no ranking de bebidas brancas em Portugal - que juntamente com os vinhos asseguram uma facturação de 141 milhões de euros.&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; António Freitas de Sousa | Diário Económico</description><pubDate>Mon, 03 Dec 2007 00:00:00 +0000</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=34</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>CVR de Lisboa vai englobar Ribatejo e Estremadura</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=32</link><description>&#60;p&#62;Ao Emigrante/Mundo Português, o engenheiro João Ghira, presidente da CVR da Estremadura revelou que já está decidido que o novo organismo ficará sedeada em Torres Vedras, que vão manter-se as denominações de origem dos vinhos das duas regiões e que as apostas fortes vão ser na certificação e na promoção...&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;Como vai chamar-se o novo organismo?&#60;/strong&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Vai chamar-se Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa. Não é a junção de duas entidades, mas sim a constituição de uma nova entidade, dentro da reorganização institucional do sector vitivinícola e das novas funções que devem ser atribuídas às entidades certificadoras.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Nesse sentido - embora no caso concreto da Estremadura e do Ribatejo, por exigência legal, não fosse necessária uma nova entidade - dando resposta a um desejo da parte do Governo, por deliberação dos agentes económicos das duas regiões, entendeu-se conveniente constituir uma entidade de maior dimensão, com algumas vantagens em termos essencialmente de gestão, uma vez que as funções de certificação mantém-se dentro dos novos princípios, com maior grau de exigência. Julgo que há uma vantagem essencialmente na parte de gestão, de administração. Pode haver uma maior economia de escala, uma maior racionalização dos serviços. E é evidente que uma entidade com maior dimensão tem outra capacidade, muito em particular na parte da promoção.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;Onde vai ficar sedeada?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Foi ficar sedeada em Torres Vedras. Para já será aqui (onde neste momento está sedeada a Comissão da Estremadura). É natural que depois precisemos de mais espaço. Foi um entendimento comum, até porque a Estremadura tem mais área de vinha do que o Ribatejo, tem um volume superior de vinho comercializado. E hoje em dia, com as auto-estradas, com facilidade as pessoas se deslocam, embora, no interesse dos produtores, irá haver uma delegação em Santarém, assim como se mantém uma delegação em Leiria.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;Não haverá nenhuma estrutura em Lisboa?&#60;br /&#62;&#60;/strong&#62;&#60;br /&#62;De momento, não. Julgo que não era vantajoso para os agentes económicos. Acho que tem que haver uma descentralização. Para um produto como o vinho, e tendo em conta a natureza dos produtores, devemos estar próximos da produção.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Neste momento, em que patamar está o processo?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Estamos a aguardar o parecer do Instituto da Vinha e do Vinho relativamente ao projecto de estatutos da nova entidade. Já há um tempo que foi enviado, já nos foi dada uma primeira resposta, muito recente, e que já respondemos. Julgo que praticamente estão criadas as condições para se poder fazer a escritura notarial de constituição da nova entidade, para que no imediato, se candidate como entidade certificadora para os vinhos das denominações de origem das áreas vitivinícolas do Ribatejo e da Estremadura, e do vinho regional de que também já foi apresentado um projecto de portaria para reconhecimento da indicação geográfica «Lisboa».&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Porque um dos objectivos que levou à constituição desta entidade e a ficar numa zona vitivinícola mais alargada, foi haver só um vinho regional. Até aqui havia o Regional Estremadura, o Regional Ribatejano, e a intenção agora é ser reconhecida a indicação geográfica «Lisboa», o Vinho Regional Lisboa. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Embora contemplando numa fase intermédia, duas sub-regiões: Sub-região Ribatejana e Sub-região Estremadura o que, inclusivamente, pode ser referido no rótulo «Vinho Regional Lisboa - Sub-região Estremadura». Ligando as duas regiões e havendo um vinho regional único, os produtores poderão retomar a valorização através dos lotes e esse foi também um dos objectivos que certos agentes económicos consideraram muito importante. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Além da criação do Vinho Regional Lisboa, que outras mudança haverá? As denominações de origem das duas regiões vão manter-se?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;De momento, não vai haver mudanças. Todas as denominações de origem se vão manter. Não vai desaparecer o Bucelas, nem o Carcavelos, nem o Colares, nem o Ribatejano, nem o Alenquer. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Aliás, este é um processo que já foi seguido aqui na Estremadura. Havia, no início, a CVR de Alenquer, Arruda e Torres Vedras, havia a CVR de Óbidos, havia a CVR de Alta Estremadura, com uma capacidade financeira relativamente reduzida, porque as receitas de áreas mais reduzidas eram inferiores para fazer frente à necessária promoção dos vinhos. Já há uns anos que se promoveu a constituição da CVR da Estremadura, juntando todas as outras. Na altura, Bucelas, Carcavelos e Colares não se integraram, e concluem hoje que teria sido benéfico. Mas quando fazemos acções no estrangeiro convidamos e os produtores de Bucelas, Carcavelos e Colares podem ir. Serão agora integrados na CVR de Lisboa.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Ao juntarem-se ficam com mais visibilidade...&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Essencialmente. Até em termos de promoção. É evidente que depois, é possível fazer, com o somatório das duas, a promoção que inicialmente estava a ser repartida. Uma deslocação ao estrangeiro envolvia duas estruturas, agora passa a envolver uma. Aí há uma economia de escala. Haverá mais facilidades, para o produtor, de chegar ao consumidor final. Cada um mantém as suas marcas e a sua denominação de origem, mas quando se vai ao estrangeiro fazer uma apresentação dos vinhos da região, há outra disponibilidade e outros recursos.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Qual o número de produtores que a CVR de Lisboa vai integrar?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Presentemente, na Estremadura há cerca de 100 produtores a comercializarem directamente o vinho que produzem. No Ribatejo o número é inferior, mas admito que entre Estremadura, Bucelas, Carcavelos, Colares e o Ribatejo, venha a ser um número próximo de 200, o dos agentes económicos que comercializam. Embora, os que têm um volume significativo de garrafas - acima das 500 mil - seja um número mais reduzido, entre 25 a 30 agentes económicos.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Qual será o volume de produção de vinho?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Na totalidade, com indicação geográfica, com denominação de origem e vinho de mesa das duas regiões, este ano andará por 1,5 milhões de hectolitros. Depende sempre dos anos, obviamente, mas andará entre 1,5 a dois milhões de hectolitros. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Será no futuro, a segunda região a nível nacional, em termos de produção na totalidade do vinho. Porque Trás-os-Montes e Douro tem uma produção ligeiramente superior ao somatório da Estremadura e do Ribatejo. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;As verbas para gestão desta nova CVR terão que aumentar?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Essas serão decisões que terão que ser tomadas em conselho geral pelos produtores. De momento, não está prevista uma alteração do valor dos selos. Digamos que a receita será o somatório das receitas anteriores. Não há de momento, qualquer perspectiva de alteração.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;As receitas provêem da venda dos selos?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Essencialmente. Há uns subsídios, inscrições de vinha, mas tudo isso, comparado com o valor da venda dos selos de certificação, não tem qualquer peso.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;A promoção é uma aposta forte para a nova CVR de Lisboa?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O principal objectivo é o da certificação. Qualidade. Imediatamente a seguir, vem o da promoção. É evidente que tem que se produzir «bom» e depois tem que se vender bem. É nessa perspectiva que vamos dar um reforço à parte da promoção.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Principalmente, para os mercados externos. Haverá necessidade sempre de alargar os mercados, mas essencialmente (a promoção) é no reforço dos mercados onde estamos inseridos. Nomeadamente em relação à Escandinávia, a empresa portuguesa que maior volume de vinhos exporta para a Noruega, é uma empresa aqui da região. E atrás dessa vêm outras da região, que, principalmente para os mercados nórdicos e do Reino Unido, têm uma quota muito importante.&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Emigrante/Mundo Português</description><pubDate>Tue, 23 Oct 2007 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=32</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Adegga: partilhar o gosto pelos vinhos</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=31</link><description>&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Em traços gerais, o que é o Addega hoje - e o querem que seja dentro de um ano?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O Adegga é um serviço online que pretende ajudar as pessoas a descobrir e escolher vinho através da troca de opiniões com outras pessoas. Para isso, o Adegga, permite a qualquer pessoa criar uma lista personalizada de pessoas, produtores e lojas de vinhos no quais confia e sobre os quais se quer manter informada.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O Adegga permite ainda gerir a adega pessoal, manter uma lista dos vinhos que já foram provados e uma lista dos vinhos para provar ou comprar no futuro. Sem necessitar de registo, qualquer pessoa, pode ainda consultar o preço de um vinho, procurar um vinho que combine com uma iguaria ou pesquisar por um produtor.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Todo o desenvolvimento do projecto é feito com foco em funcionalidades que sejam úteis para ajudar as pessoas a explorar a paixão pelo vinho. Nesse âmbito, posso dar como exemplo a versão para telemóvel que temos planeada ou o desenvolvimentos de um código único para cada vinho (um ISBN para vinhos), chamado AVIN, que irá ajudar na classificação e pesquisa de vinhos.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Teve um tempo de gestação anormalmente longo. Porquê?&#60;/strong&#62; &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O primeiro ano do projecto Adegga foi passado principalmente em estruturação da ideia. Na altura toda a equipa do Adegga tinha um emprego a tempo inteiro e apenas durante as noites e fins-de-semana se encontrava para trabalhar. Há cerca de seis meses um dos elementos (André Ribeirinho, o entrevistado) passou a dedicar-se a tempo inteiro ao Adegga, o que acelerou o seu desenvolvimento. Por outro lado, tanto algumas questões técnicas (acesso directo aos preços dos vinhos em cada loja) como em termos de estrutura de dados (vinhos, produtores, regiões) o Adegga é um projecto com algum nível de complexidade. Como tal, existiu desde o início a necessidade de preparar bem as fundações para o futuro. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;A recepção foi entusiástica. Isso não é negativo para o projecto?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Pelo contrário. A recepção entusiástica foi positiva para o projecto. Por um lado aumentou o número de pessoas interessadas e que nos contactaram com sugestões, problemas ou felicitações. Por outro lado, fez crescer o nosso nível de responsabilidade e, consequentemente, a motivação da equipa para continuar a fazer do Adegga um projecto com valor.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Quais são as ambições (manter, vender) e o modelo de negócio?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O Adegga é um projecto que tem um plano de negócios e, como tal, tem um caminho pensado que não depende da sua venda. No entanto, sendo um negócio qualquer proposta de compra será analisada pela equipa.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O modelo de negócio do Adegga baseia-se na presença de lojas e produtores de vinho no serviço. As lojas de vinho podem colocar no Adegga a listagem dos preços e disponibilidade de dos vinhos que têm em stock, bem como gerir o seu perfil (incluindo contactos, logotipo e descrição).&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Temos um plano base (gratuito) e um plano Premium que consiste num melhor posicionamento dentro do Adegga e acesso a mais locais (páginas). Por sua vez, os produtores têm acesso a um plano de promoção da sua marca e, tal como as lojas, poderão optar entre uma  versão gratuita e outra premium.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Que tipo de apoio tiveram, se tiveram algum, para o projecto?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O Adegga foi desenvolvido com capitais próprios. Desde que o projecto começou tivemos três ofertas de financiamento que foram recusadas por sentirmos que não seria a altura ideal do projecto para aceitar. No entanto, e dependendo das necessidades de crescimento poderemos vir a recorrer a capital externo.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Algum feedback do sector vitivinícula?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O sector vitivinícola é dos mais atrasados na economia digital. Por exemplo, existem produtores sem presença na Internet e sites com problemas de concepção que não aparecem nas primeiros resultados do Google (o que significa na prática que não existem).&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;No geral a utilização da Internet é feita com dificuldade e muito desconhecimento pelas vantagens deste meio. A preocupação pelas necessidades de um novo tipo de clientes (utilizadores de Internet) é uma oportunidade para os envolvidos no Mundo do vinho. Por essas razões, o Adegga pretende ser também uma ferramenta de apoio ao sector vitivinícola. Queremos apresentar soluções de apoio aos produtores e comerciantes de vinho que lhes permitam estar presentes e promover os seus produtos da forma mais adequada à realidade da Internet.&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Paulo Querido | Expresso</description><pubDate>Mon, 22 Oct 2007 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=31</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Turistas vêm às uvas a Portugal</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=30</link><description>&#60;p&#62;A cena decorreu em Parada do Bispo, a uma dezena de quilómetros da Régua, num dos dias desta última semana de vindima. Dez noruegueses &#38;#8211; o mais novo já há muito passou os 65 anos &#38;#8211; passam o dia na Quinta de Santa Eufémia, contactando de perto com a colheita das uvas e todo o processo de produção do Vinho do Porto, de que todos são já grandes apreciadores. Na verdade, pertencem ao Portvinselskapet, em Oslo, um clube que já reúne cerca de duas centenas de amantes do precioso néctar, e vieram capitaneados pelo fundador, Reidar Dieserud, que pela terceira vez traz a Portugal um pequeno grupo de compatriotas a esta quinta do Baixo Corgo.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Reidar conta-nos como se apaixonou pelo Vinho do Porto, curiosamente numa viagem que em 1998 fez a Lisboa, onde visitou o Solar do Vinho do Porto. &#38;#8220;Adorei a bebida, fiquei encantado com as suas múltiplas variedades e matizes. Ao regressar à Noruega, senti que tinha de fazer qualquer coisa para que outros meus compatriotas se pudessem familiarizar com o Vinho do Porto e, depois de contactar o balcão da Tap em Oslo e o embaixador de Portugal no meu país, fui incentivado a criar um clube. Hoje somos duas centenas&#38;#8221;, afirma.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Regressemos, entretanto, à Capela de Santa Eufémia, onde as cunhadas Teresa Carvalho e Maria José orientam os turistas que, cada vez mais divertidos, continuam às voltas à igreja. As duas, juntamente com Alzira Carvalho &#38;#8211; enóloga e actual coração do processo produtivo &#38;#8211; são das mais activas do grupo de sete bisnetos que assumem a 4.ª geração do histórico patriarca da família duriense que em 1864 fundou a Quinta de Santa Eufémia, Bernardo Rodrigues de Carvalho.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Os noruegueses estão cada vez mais entusiasmados e quem se ressente é a tradição. É que a intenção da homenagem à padroeira é agradecer as primeiras e as últimas uvas vindimadas. Os nórdicos, todavia, já transformaram este momento numa prova de atletismo, disputando quem faz o percurso em menos tempo.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;A animação resultou, em grande parte, do almoço na quinta, servido na louça de alumínio típica da vindima. Comeram a feijoada com chispe no mesmo recipiente do caldo verde e com a mesma colher e beberam um tinto de estalo pelos pequenos púcaros, hoje ainda mais pequenos para tanta sede.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Trabalho Duro&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Para o grupo o dia começou com uma pequena visita a Parada do Bispo e depois às vindimas nos socalcos da quinta. Foram-lhes distribuídos baldes e tesouras e ei-los a levar a tarefa muito a sério. Juntam-se a uma trintena de miúdos dos seis aos oito anos de uma escola da freguesia de Magueija, Lamego, em visita de estudo, que a Quinta também proporciona. Os trabalhadores das vindimas lançam olhares mais divertidos do que sarcásticos aos turistas. As indumentárias, o porte, as mãos bem tratadas e, sobretudo, o modo como cortam os cachos de uvas e os depositam cuidadosamente nos baldes, sem movimentos bruscos de modo a não deixarem cair as máquinas fotográficas enroladas ao pescoço.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Uma hora deste &#38;#8216;trabalho duro&#38;#8217; é suficiente para perceber o que representam muitas horas de verdadeiro trabalho de vindima por dia, durante muitos dias. De repente, o Vinho do Porto, ou o vinho de mesa, ficou a um preço muito mais justo. &#38;#8220;Agora reconheço que o preço de uma garrafa nem é assim tão caro como pensávamos&#38;#8221;, confidencia Ornulf Lindberg.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;A pisa das uvas é, todavia, o auge da visita turística. Os nossos noruegueses ouvem atentamente as explicações sobre a tarefa que vão desempenhar e saltam divertidos para o lagar.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Na Quinta de Santa Eufémia, o ambiente familiar contagia os nórdicos. Maria José também já está a pisar as uvas, de bombo ao pescoço, marcando o ritmo da marcha. Quando Alzira, a enóloga, deixa sair os alegres sons da concertina que colocou ao colo, apoiada pela percussão de Teresa, os turistas, que vão inalando os vapores que a manta vai libertando, são levados ao clímax da felicidade. É que depois das danças rituais do corte, Alzira dá-lhes &#38;#8216;liberdade&#38;#8217; e solta da concertina musiquinhas populares que conduzem ao improviso e ao final apoteótico. &#38;#8220;Este ano a produção pode ser mais pequena, mas vai ser um ano de óptimo vinho&#38;#8221;, sentencia, divertido, Reidar, o líder do grupo.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Lavadas as pernas e recomposta a atitude, o dia de visita acaba com uma prova de vinhos. É tempo de perceber melhor o Vinho do Porto que a Quinta de Santa Eufémia rotula. Em alguns minutos explica-se os brancos, o Tawny, o Vintage e o Ruby, dados a provar e a perceber as diferenças. Os brindes selam um dia bem passado, onde a diversão se mistura com o respeito pelo trabalho das gentes do Douro. Prometem regressar. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;&#38;#34;Somos uma região classificada mas nem isso divulgamos&#38;#34;&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Paulo Outeiro é presidente da Rota do Vinho do Porto (RVP), com sede na Régua. Os 52 aderentes constituíram-se num verdadeiro posto de turismo, com oferta de alojamentos ou percursos na mais velha região demarcada do Mundo.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Correio da Manhã &#38;#8211; Quem constitui a RVP?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Paulo Outeiro &#38;#8211;&#60;/strong&#62; Dois terços dos associados são produtores/engarrafadores de Vinho do Porto e Douro e depois casas de turismo de habitação e sócios institucionais, como algumas autarquias.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;&#38;#8211; São sócios suficientes para uma forte associação?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#38;#8211; Temos progredido muito. Mas temos insuficiências. É difícil conjugar vontades. A região abarca quatro distritos, 21 municípios, três regiões de turismo e uma junta de turismo. Na RVP contamos apenas com seis autarquias.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;&#38;#8211; Quais?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#38;#8211; As câmaras de Vila Real, Sabrosa, Carrazeda de Ansiães, Tabuaço, Lamego e Régua. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;&#38;#8211; Por que razão a adesão não é maior?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#38;#8211; Ainda subsiste a ideia de promover cada concelho isoladamente e nem todos têm uma visão mais global. Desperdiçam-se esforços em iniciativas com pouca possibilidade de sucesso. Os turistas devem ser atraídos à região e confrontados com todas as suas potencialidades e não com este ou aquele monumento, esta ou aquela particularidade.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;&#38;#8211; Refere-se à região duriense.&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#38;#8211; Sim. Somos a mais velha região demarcada do Mundo, somos classificados pela UNESCO e nem placas de classificação temos.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;&#38;#8211; Mas a RVP é uma associação, sobretudo de privados, que quer promover os seus negócios.&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#38;#8211; Claro que queremos, mas só poderemos evoluir se pusermos fim ao êxodo rural, se a região se desenvolver, se os turistas encontrarem grande variedade de propostas &#38;#8211; seja no acolhimento, seja na descoberta das nossas riquezas.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;&#38;#8211; Riquezas de paisagem e património?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#38;#8211; Não só. Hoje os turistas querem mais, procuram as vindimas, as lagaradas, querem participar nos almoços das quintas, querem conhecer o modo de vida e a produção dos nossos vinhos.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;&#38;#8211; E a Rota do Vinho do Porto oferece isso?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#38;#8211; A RVP informa onde se podem alojar, que quintas visitar, aconselha percursos, os locais a visitar, divulga os passeios de barco, entre outras ofertas.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;&#38;#8211; E as propostas já são variadas?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#38;#8211; Já e cada vez mais valorizadas. As quintas têm investido muito em estruturas, os produtores já pensam em turismo e não só no vinho. Enfim, dão-se passos muito interessantes.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;&#38;#8211; Mas insuficientes?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#38;#8211; Nós nem um verdadeiro guia da região temos, as estruturas públicas continuam preocupantemente inoperacionais. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;AGÊNCIAS ATENTAS&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Os preços dos dias de vindima vão dos 35 aos 100 euros (um dia por pessoa). Começam pelas 10h00 com participação na vindima, seguida de almoço típico, lagaradas e provas de vinhos. As agências de viagem incluem já estes roteiros nos catálogos de Verão. Se a dormida estiver incluída, a Rotas do Vento propõe 166 euros (por pessoa). Na Terranova custa 160 euros e na Soltrópico 158. Os Solares de Portugal também apresentam preços especiais na campanha de vindimas.&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Luís Lopes | Correio da Manhã</description><pubDate>Sat, 29 Sep 2007 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=30</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Biscoitos - Ventos de bonança refrescam a Adega Cooperativa dos Biscoitos</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=29</link><description>&#60;p&#62;&#38;#8220;O aumento constante de sócios ligados à cooperativa prova que existem pessoas que ainda acreditam no projecto e no seu sucesso&#38;#8221;, são as palavras de Alcino Menezes, actual presidente da Adega Cooperativa. A realidade é que nos quase dez anos de vida os sócios duplicou, passando de 26 para 59, e este número poderia ser bem maior se a cooperativa tivesse uma maior capacidade de resposta e recepção de matéria-prima.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O apoio da direcção regional de desenvolvimento agrário tem sido preponderante na vida da cooperativa. Os apoios financeiros, técnicos e ao nível de equipamentos disponibilizados garantem o funcionamento actual da adega e a sustentabilidade de crescimento futuro. Este envolvimento tem protocolado incentivos até 2011 que poderão criar condições de estabilidade para desenvolver um trabalho de grande qualidade.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Os números&#60;/strong&#62; &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;No ano de 2006 a cooperativa recebem cerca de 3 mil litros de vinho tinto e 7 mil e 500 litros de branco, quantidades de respeito dada a dimensão da adega. Mas este ano estes valores foram superados em larga escala. Impressionantes 7 mil litros de vinho tinto e 10 mil litros de branco encheram as cubas da cooperativa, &#38;#8220;poderíamos ter chegado talvez aos 20 mil litros de vinho branco se tivéssemos cubas suficientes e espaço para armazenar essas quantidades&#38;#8221;, refere o presidente da adega. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;A enologia&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;É uma verdadeira arte que complementa o árduo trabalho dos viticultores. Este ano a qualidade das uvas tem um potencial enorme em termos qualitativos, como explica o engenheiro Nuno Costa: -&#38;#8220;recebemos as uvas em condições sanitárias muito boas e as análises efectuadas pela universidade revelam índices técnicos de grande nível&#38;#8221;. As antevisões são excelentes para a colheita de 2007. A casta verdelho tem potencial enorme e características únicas, capazes de conquistar o mercado. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#38;#8220;Esperamos este ano ter um vinho frutado, com acidez significativamente inferior aos anos anteriores. Podemos esperar que seja um vinho capaz de manter a capacidade aromática por mais tempo em garrafa, que o normal dos vinhos brancos&#38;#8221;, refere Nuno Costa.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Os tintos são um projecto numa fase embrionária. Dada a menor adaptação das castas ao meio é necessário fazer uma triagem das uvas recebidas e perceber quais são as que melhor se encaixam no micro clima dos biscoitos. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Estratégias comerciais&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;A necessidade de criar uma rede de introdução do vinho no mercado é fundamental a sustentabilidade da cooperativa e dos viticultores associados.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#38;#8220;Ainda não temos um vinho com nome e marca que nos garanta investimentos arrojados em campanhas de marketing e imagem&#38;#8221;, explica Alcino Menezes. Efectivamente tem sido difícil para a cooperativa arranjar um nome com uma imagem associada que represente os interesses da adega a longo prazo e garantindo assim entrada nos mercados de grande consumo e nos hábitos dos portugueses.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Existe apenas um distribuidor do vinho na região, isso é desde logo uma limitação logística que impede o crescimento da implementação do produto nas grandes superfícies. Este ano a entrada nas grandes superfícies do grupo Sonae pode abrir as portas da visibilidade ao grande público.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;O futuro&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;As instalações precárias da Adega Cooperativa dos Biscoitos têm limitado em grande parte o crescimento dos volumes de negócio bem como a qualidade de produção do vinho. Nesse sentido torna-se essencial o próximo investimento em curso, as instalações. Alcino Menezes menciona a importância do projecto: -&#38;#8220;só com esta nova adega podemos ter ambições de crescer e fomentar o cultivo da vinha nos biscoitos. Acredito que será o grande passo para a dinamização desta área de actividade e exploração do seu verdadeiro potencial&#38;#8221;.&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Fernando Pereira | A União</description><pubDate>Thu, 27 Sep 2007 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=29</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Bruxelas penaliza produção do vinho: Bairrada sai ilesa da reestruturação </title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=28</link><description>&#60;p&#62;A primeira proposta da Comissão Europeia, elaborada pela comissária Batzeli, pretendia o arranque em toda a União de quatrocentos mil hectares de vinha; uma proposta já revista e que desceu para metade. Portugal, como quarto maior produtor de vinho da UE, terá que arrancar cerca de dezassete mil hectares. Para além desta medida, outras duas deixam dúvidas ao PE, tais como: o fim dos financiamentos à destilação e a liberalização do mercado do vinho em 2014. Mesmo assim, outros pequenos pontos dividem os parlamentares. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A comissão quer regulamentar o mercado do vinho na Europa, mas depois não pretende sujeitar os vinhos de países terceiros às mesmas regras e entende ainda proibir a importação de mostos para a produção de vinho.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Regiões demarcadas correm riscos&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Capoulas Santos, membro português no parlamento, do grupo dos Socialistas Europeus, descansou os bairradinos. Sendo colocada em prática a medida de arranque por parte da União Europeia, as regiões da Bairrada e do Douro não sairão afectadas e não têm que arrancar qualquer cepa, isto porque os vinhos continuam com bom escoamento no mercado. Em contrapartida, quem mais irá sofrer será o Ribatejo, uma vez que segundo o parlamentar é a região onde se encontram os vinhos nacionais de menor qualidade e onde são cultivadas vinhas onde as terras têm tradução noutros tipos de cultivo.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A maioria dos deputados nacionais está de acordo nos vários itens em debate. Tanto Ilda Figueiredo, do PCP-PEV, como Duarte Freitas, do PSD e Capoulas Santos, do PS, consideram que o arranque deve começar pelas vinhas ilegais. Apesar de existirem algumas em Portugal, os deputados não poupam críticas a Espanha e Itália, países onde se encontram em maior número.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Os produtores serão agora subsidiados pelo arranque, mas o mercado será depois liberalizado em 2014. Controverso? Pelo menos é o que pensam países como Portugal, Espanha e Itália. Os deputados dos países latinos advogam que mais tarde o mercado pode ficar na mesma situação ou ainda pior. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O PE vai pronunciar-se e votar a reforma dos vinhos, mas na prática pouco poder tem na organização e decisão deste dossier. A decisão final caberá ao Conselho de Ministros. A actual presidência portuguesa da UE pretende chegar a um consenso no dia 17 de Novembro, em Bruxelas, no entanto, o Governo português é acusado pela oposição de não querer resolver esta questão e de arrastá-la, quem sabe, até à presidência francesa no segundo semestre de 2008. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Reforma do vinho mata cultura de produção&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;A deputada Ilda Figueiredo, do Grupo Federal da Esquerda Unitária Europeia e também vice-presidente da Comissão do Emprego e Assuntos Sociais, considera que todas estas propostas da Comissão Europeia vão &#38;#8220;matar a diversidade e a cultura da produção do vinho&#38;#8221;. No seu ponto de vista, são os pequenos produtores que vão ser mais afectados, acima de tudo devido ao fim do apoio às destilações. A deputada chama ainda a atenção para o facto de os terrenos onde a vinha vai ser arrancada ficarem &#38;#8220;sem alternativa de produção&#38;#8221; e que estas medidas trazem como consequência &#38;#8220;o aumento do preço e a concentração das produções&#38;#8221;. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Ilda Figueiredo refere que apenas há excedentes de vinho no mercado europeu por causa da importação. A deputada concorda com medidas mais restritivas que impeçam a entrada desregulada de vinhos estrangeiros na União Europeia. Lembrou ainda que &#38;#8220;houve países que apostaram em vinhas apenas para receberem os fundos de apoio à destilação&#38;#8221;.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Destilação de álcool de boca deve continuar&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;É necessário acabar com os excedentes de vinho que existem no mercado europeu, esta é a opinião de Duarte Freitas, do Grupo do Partido Popular Europeu e dos Democratas Europeus, bem como membro da Comissão da Agricultura e do Desenvolvimento Rural. No seu ponto de vista, a proposta é &#38;#8220;negociável&#38;#8221;, embora considere que deva ser mantido o apoio à destilação do álcool de boca, necessária para determinados vinhos portugueses, como o Porto e o Madeira. Para este deputado o início de todo este trabalho árduo de reestruturação deve começar pelas vinhas ilegais. Não esconde ainda que são a Espanha e a Itália quem mais trabalho tem a realizar nesta área. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Duarte Freitas considerou que a comissão &#38;#8220;deu um passo em frente&#38;#8221; ao recuar de quatrocentos mil hectares de arranque para apenas duzentos mil, mas está convicto de que agora é preciso força por parte da presidência portuguesa, que dura até Dezembro, para que o processo seja fechado. Contudo, não acredita que tal aconteça. &#38;#8220;Corremos o risco da OCM do vinho não se resolver na presidência portuguesa&#38;#8221;, declarou. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O relator desta pasta, ou seja, o deputado que tem a função de ouvir todos os países e conhecer algumas situações no local e depois fazer o relatório a apresentar ao PE, é o italiano Giuseppe Castiglione, do Grupo do Partido Popular Europeu. Segundo Duarte Freitas, o relator está com o ministério da Agricultura português a estudar o caso, &#38;#8220;mas não se sabe se o governo está interessado em fechá-lo na sua presidência&#38;#8221;.&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Miguel Midões | Jornal da Mealhada</description><pubDate>Wed, 26 Sep 2007 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=28</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Já foram de cesto mas... agora é de balde</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=27</link><description>&#60;p&#62;António Gouveia é o chefe da &#38;#8220;comitiva&#38;#8221; que, durante três dias, ali vai estar a fazer a vindima. Conta-nos que esta actividade sempre foi um motivo de festa para a família. Enquanto a gente apanha «vai contando anedotas, rindo, e desconversando. Almoçamos todos juntos. Fazemos o vinho e vamos ao mar ao fim do dia. Isto é uma festa».&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Este homem, genro do proprietário dos terrenos onde está a ser feita a colheita, estima que, este ano, «o vinho vai ser bom». No entanto, longe vão os tempos em que «a gente fazia mais de seis mil litros de vinho». As perspectivas são as de fazer cerca de 1.400 por dia. «Temos três dias de vindima nesta zona pelo que, não faremos mais do que quatro mil litros. E se for». Alberto Sousa, cunhado de António Gouveia, está emigrado na Venezuela desde 1969. Mas nunca falta a uma vindima na Madeira. Todos os anos, por esta altura, visita a Região e vai apanhar uvas juntamente com toda a família. Diz que «estes momentos são de grande alegria e nostalgia». &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A manhã corre rapidamente. José, de 6 anos, e Marta, da mesma idade, correm pela latada de &#38;#8220;podão&#38;#8221; na mão. Oferecem-se para colaborar na apanha da uva mas são mais aquelas que levam à boca do que as que atiram para dentro do balde. José e Marta gostam de ajudar nesta tarefa mas confessam que estão desejosos de regressar à escola.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Os baldes, quando cheios, vão sendo transportados para o lagar localizado no outro lado da estrada, mesmo à beira-mar. Ao meio dia, já o lagar está quase cheio. Faz-se um intervalo para o almoço. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A mesa improvisada através de uns blocos e de uma placa de cimento, acolhe várias travessas de semilha cozida com casca e alguns pratos de atum de escabeche. Os homens, mulheres e crianças que participam na vindima lavam os braços numa fonte improvisada junto ao lagar e alinham-se no banco de cimento debaixo da latada. Comem apressadamente mas pouco, demonstrando que têm pressa em prosseguir o trabalho. À uma da tarde, já estão de volta aos terrenos. Pelas 14 horas, já com o lagar completamente cheio, os homens (mais pesados e &#38;#8220;musculosos&#38;#8221;), conforme dizem as mulheres, calçam as botas de água e atiram-se para dentro do lagar, onde, aos &#38;#8220;pulos&#38;#8221; e em sintonia, esmagam a uva ali colocada. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;As mulheres continuam na latada a encher mais baldes para o dia seguinte.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Um ensopado à maneira&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Mãe e filha que tiveram a responsabilidade de fazer o almoço, começam, também a esta hora, a preparar a &#38;#8220;jantarada&#38;#8221;. Para variar, «vamos fazer carne. Um ensopado à maneira».&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;No lagar, a pisa continua e os quatro homens que estão lá dentro suam até dizer chega. Confessamos que nunca pensámos que a pisa da uva exigia tanta energia. O que vale é que Alberto Sousa, de fora do lagar, vai servindo, a miúde, pequenos copos de vinho feito na hora (com um pouco de aguardante e muito mosto). «Uma delícia», diz quem aprecia.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Para além disso, nada como umas cantiguinhas para ajudar aos que participam na pisa da uva a esquecerem o cansaço e arranjarem mais força para a repisa que virá dentro de meia hora, depois de espremido o &#38;#8220;engaço&#38;#8221;.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;«Eu fui ao norte da ilha/e vi dançar o bailinho. Gostei da brincadeira/e fui deitar um pézinho», dizia Alberto Sousa. «Fui às Contreiras a pé /Para beber uma pinguinha de vinho jaqué», cantarolava ainda. O entusiasmo foi aumentando e quando Alberto Sousa chegou ao refrão, já mais vozes se juntaram às cantorias: «Entra na roda e toda a gente nela/Para dançar o bailinho da Ribeira da Janela».&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Deus te abençoe meu sobrinho&#60;br /&#62;&#60;/strong&#62;&#60;br /&#62;Já os homens enrolam a corda no &#38;#8220;engaço&#38;#8221; para o espremer e tirar mais mosto quando Alberto Sousa recebe uma chamada da Venezuela. O filho mais velho deste lembrou-se que era dia de vindima e decidiu ligar para saber como decorria a festa.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;«António Gouveia, dentro do lagar, ainda teve tempo para falar com o sobrinho: Deus te abençoe», dizia António Gouveia para o sobrinho. O resto da conversa foi em venezuelano e a despachar «porque tenho as mãos sujas e temos de continuar o trabalho».&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Depois de quinze minutos de espera que o engaço seja espremido, o pessoal vai para a repisa. Uma tarefa que exige mais uns copos de vinho devido ao excessivo cansaço que «isto provoca». Às tantas e perante os nossos olhares, os que ali estão lá vão dizendo que num dia de vindima «acabamos sempre com uma nesga (leia-se bebedeira)».&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Mas a vindima são «só três dias e a gente nunca vai para casa a cair. Como gastamos muita energia também podemos tomar mais um copito que isto desaparece rapidamente do corpo», conta um dos jovens que ali participa.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;António Câmara, o dono dos terrenos e do lagar onde a nossa equipa de reportagem acompanhou esta árdua tarefa, conta-nos, enquanto acompanha, de perto, e com alguma nostalgia, todo o movimento dentro e à volta do lagar, «que antes, a loja ficava cheia de pipas e a festa ainda era mais demorada e rija». Outros tempos. Nessa altura, «eu não tinha bicos de papagaio e ainda sentia forças nas pernas para ir para a latada. Agora, fico aqui a apreciar tudo mas não posso ajudar...».&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Terminada a &#38;#8220;repisa&#38;#8221;, António Câmara vai medir o grau do mosto. «13 graus e meio. Nada mau. Aliás, mesmo bom», dizem os que percebem da &#38;#8220;matéria&#38;#8221;.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Segue-se, de imediato, a colocação do &#38;#8220;mosto&#38;#8221; dentro das pipas previamente lavadas e preparadas para receber este &#38;#8220;precioso&#38;#8221; líquido que ali vai ficar durante um ano até atingir a maturidade suficiente para ser consumido.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;«Vai mais uma pinguinha?», pergunta Alberto Sousa, o emigrante que veio, de propósito, da Venezuela, para assistir à vindima. «Bote lá», responde um dos elementos do grupo.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A vindima, pisa e repisa deste dia está concretizada. Mas a festa ainda não terminou.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A apanha continua até ao cair da noite para adiantar trabalho para o dia seguinte. Assim que começar a anoitecer, os vindimadores vão enfrentar o mar rebelde e tomar «uma banhoca. «Segue-se o jantar até o sabe-se lá... E amanhã, pelas 8 horas, cá estaremos outra vez nesta trabalheira», prometem.&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Carla Ribeiro | Jornal da Madeira</description><pubDate>Sun, 09 Sep 2007 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=27</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Daqui a 10 anos teremos o melhor Vinho Madeira</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=26</link><description>&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Jornal da Madeira &#38;#8212;&#60;/strong&#62; As vindimas começam agora. As suas expectativas para este ano são de menor produção. Mesmo assim, não será muito má. Pode explicar qual é a situação?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;Paulo Rodrigues&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Nem se pode sequer dizer que será má. Nos últimos 10 anos, a vindima média tem andado entre os 3,8 e os 4 milhões de quilos. O que aconteceu o ano passado foi uma vindima muito superior à média. Foi bastante bom para o viticultor, em termos de rendimento e para as empresas também. A vindima andou nos 4.700.000 a 4.750.000 quilos. Se a vindima voltar para a sua média, isso significa que vem para valores perfeitamente normais para a plantação de vinha na Região. Em 2004, tivemos uma vindima de 3,7 milhões de quilos; em 2005, andámos perto dos quatro milhões; há dois anos fomos para os 4.750.000. São oscilações típicas de uma cultura feita com plantas vivas.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM &#60;/strong&#62;&#38;#8212; A que se deveu o aumento do ano passado? Houve maior área, mais produtores?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Não. Faz parte dos ciclos normais das plantas. Um ano produzem muito mais e no ano seguinte retrocedem. É impossível mantermos uma planta a trabalhar acima da média, eternamente, sem consequências.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM &#60;/strong&#62;&#38;#8212; O sector tem-se rejuvenescido, ou depende de velhos viticultores?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Há muita gente jovem a trabalhar neste sector, embora a idade média deva andar acima dos 40.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM &#60;/strong&#62;&#38;#8212; Quantos viticultores tem a Região?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Tem aumentado. Ao longo dos últimos três anos, passámos dos 1.600 para 1.680.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Há produtores a queixar-se de que os subsídios não abrangem insecticidas. O que é que se passa?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Isso está errado. É verdade que não há um subsídio para pesticidas, outro para podões, outro para fertilizantes, etc. Agora, o Poseima dá dinheiro, e bastante. No caso das castas produtivas chega a dar 50 cêntimos por quilo de uva produzida, comercializada para vinho de qualidade. As pessoas têm de perceber que esses 50 cêntimos são para os factores de produção. Se o produtor decide comprar pesticidas, compra; se preferir comprar fertilizantes, compra. O produtor é que tem de fazer a gestão desse valor.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A Região conseguiu negociar com a União Europeia o melhor pacote que a vinha e o vinho alguma vez tiveram. Através do Poseima há apoios à produção de uva, à produção de vinho, ao envelhecimento do vinho e à exportação. É um sector com um pacote fenomenal de incentivos, segundo dizem outras Comissões Vitivinícolas do País. Mesmo comparando com os apoios do Poseica que as Canárias recebem, o nosso é muito, muito bom.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM &#60;/strong&#62;&#38;#8212; E isso tem incentivado o aparecimento de mais produtores?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; De longe! Este ano é histórico. Nunca tal aconteceu. A Região tem, desde a década de 80, um conjunto de programas de reestruturação e reconversão de vinhas. Conseguimos, durante quase duas décadas, reconverter cerca de 250 hectares. Este ano, para o pacote de 20 hectares que a Região tem para um ano só, temos pedidos já com overbooking. Há dois anos tivemos 10, também com overbooking. Portanto, o sector está a passar por um período muito positivo. Ainda há dias, na RTP/M, deu-me imenso prazer ouvir o engenheiro Duarte Caldeira dizer que é das poucas culturas rentáveis que a Região tem. E é! Eu, como presidente desta casa, digo que é um sector atractivo. Com um pacote de apoios como nenhum outro tem, que permite ter o prazer que é trabalhar no vinho e, ao mesmo tempo, podermos pensar em ganhar dinheiro com isso. Se eu não fosse presidente do Instituto, era viticultor.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;JM&#60;/strong&#62; &#38;#8212; O que dá grau ao vinho é o açúcar. Como é que ele se forma? Só por curiosidade.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; É através do sol. A planta, através das folhas, transforma os nutrientes que tira da terra, junta-lhe a luz solar, há reacções bioquímicas e formam-se muitos compostos, entre os quais, o açúcar. É o verde das folhas que faz isto. Depois, qual é o objectivo da planta? É garantir que a geração seguinte seja o mais viável possível. E isso é feito concentrando toda a sua energia nos frutos. Pega no açúcar, mete nos frutos e mete nas suas reservas pessoais, no tronco, para o ano seguinte. Quanto mais folhas saudáveis e mais sol tem, mais açúcar produz. Se tiver falta de água também não funciona. Se tiver falta de nutrientes, também não. É a conjugação destes elementos.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM &#60;/strong&#62;&#38;#8212; E isso pode ser controlado pelo produtor?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Claro! Menos a luz.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM &#60;/strong&#62;&#38;#8212; Portanto, se faltar a luz solar, o vinho tem menos açúcar?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Não. O vinho tem que ter sempre açúcar. Pode é levar mais tempo a acumular. Aí, o factor tempo é importante. Por exemplo, numa região muito seca, como em Canárias, na Ilha de Lanzarote, é perfeitamente normal a vindima começar no final de Julho. Porque é seco e quente e tem muita luz. Aqui, não. Temos menos luz, é menos quente, tem mais humidade, as plantas levam mais tempo a conseguir acumular esse açúcar.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM&#60;/strong&#62; &#38;#8212; A produção costuma ser toda absorvida?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Sim. Este ano estamos num equilíbrio muito positivo entre o que são as intenções de compra das empresas e o que são as expectativas de produção para venda.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM&#60;/strong&#62; &#38;#8212; O preço da uva comprada ao produtor varia consoante a produção é maior ou menor? As leis do mercado funcionam nesta área?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; A lei do mercado funciona. É um sector onde não há intervenção governamental. Se houver escassez de uva, os preços sobem e o contrário também é válido.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM &#60;/strong&#62;&#38;#8212; Portanto, este ano, em que se espera menor produção, os produtores poderão esperar ganhar um pouco mais?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Não necessariamente. Normalmente, os produtores vendem um pouco a cada casa. Nunca põem os ovos todos no mesmo cesto. Às vezes, preferem prescindir de alguma actualização de preços, que garanta alguma fidelização a essa casa, para que, num ano de maior excesso de produção, essa casa lhe compre a uva. As pessoas jogam muito no seguro. São agentes económicos muito racionais.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM &#60;/strong&#62;&#38;#8212; Como é que estamos, na Madeira, em termos de seguro de colheita?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; O sistema existe, mas, infelizmente, não é muito usado pelos viticultores.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM &#60;/strong&#62;&#38;#8212; Por quê, se o Estado subsidia 75 por cento?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Não é só por existir uma humidade excessiva que o seguro intervem. O seguro não paga um mau tratamento das uvas, por exemplo. O seguro intervem em causas alheias ao normal funcionamento da cultura. Uma calamidade, um acidente climatérico. Por exemplo, ter uma granizada em Agosto.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM&#60;/strong&#62; &#38;#8211; Ninguém se livra disso, na agricultura! Os produtores não teriam toda a vantagem em fazer um seguro?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Sim, mas sejamos realistas. Eu faço um seguro se tiver, probabilisticamente, alguma hipótese de ter esse problema. E, na Madeira, segundo o padrão climático, não temos. Nunca tivemos granizadas em Agosto. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM &#60;/strong&#62;&#38;#8212; Portanto, compreende que as pessoas não adiram muito ao seguro de colheita?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Compreendo.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM &#60;/strong&#62;&#38;#8212; No caso de haver uma calamidade que dizimasse uma plantação, haveria apoios do governo?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Digamos que a Região tem sempre toda a compreensão e tem o dever de apoiar um sector que representa muito mais do que o vinho. Representa, para o sector turístico, o verde que é muito fotografado. Numa situação de catástrofe natural a Região nunca se demitiu de intervir quando achou necessário.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Defende que o madeirense deve comprar Vinho de Mesa regional, mas muita gente nem deve saber que vinhos é que existem. Não há falta de promoção?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Não posso concordar! Um dia destes fui a um dos grandes supermercados da Região e é impossível não ver lá duas prateleiras especificamente feitas para dois vinhos de mesa da Região.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM &#60;/strong&#62;&#38;#8212; Dois! Mas existem mais. Quantos e quais são?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Podem existir mais dez, doze. Existem nas garrafeiras. Basta querer. Encontra-se. E façam o que eu faço: chegam a um restaurante e se não têm Vinho de Mesa madeirense levanto-me e vou embora. Garanto que no dia seguinte vai ter. Depende de nós. Não podemos ser indiferentes e dizer que o que vem de fora é que é bom. Se eu não sustentar a economia à minha volta, perco a minha qualidade de vida. Não tenho a mínima dúvida. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Pode dizer-me nomes de marcas de Vinhos de Mesa madeirense?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Há, por exemplo, o Enxurros, o Seiçal, o Casa da Vinha, o Torcaz, o Rocha Branca, o Quinta do Moledo. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Têm características comuns ou cada um deles tem características muito específicas?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Há especificidades. Devidas às castas, clima e processo de enologia. Todos eles são certificados pelo Instituto. Logo, todos têm os padrões de qualidade necessários para chegar ao mercado.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JM &#60;/strong&#62;&#38;#8212; Como presidente do Instituto, que mensagem é que deixa ao sector vitivinícola?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;strong&#62;PR&#60;/strong&#62; &#38;#8212; Digo sempre aos viticultores que eles têm um papel fundamental nesta terra. São responsáveis por uma das maiores manchas verdes e que não é só verde. É uma mancha verde em permanente mutação: de Inverno não tem nada, no Outono está lindíssima, normalmente vermelha, e na Primavera/Verão está verde. São responsáveis pela sua existência e por aquilo que é um dos principais cartazes turísticos desta terra. O Vinho Madeira, muitas vezes, é mais conhecido do que a própria Ilha. Têm feito um trabalho muito bom em termos de reorientar o seu sistema produtivo para a qualidade. O ganho que tiveram em termos de qualidade grau médio de vindima, desde 2003 até agora, é recompensador. Isso vale a pena dizer.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;As empresas de Vinho Madeira também merecem parabéns, porque é dos sectores primários mais vivos da Região. Com excepção de uma ou duas, todas as outras concorreram a fundos comunitários e remodelaram todo o seu sistema produtivo. Modernizaram-se. Já têm novos profissionais. O Vinho Madeira ganha cada vez mais prémios. Daqui a 10, 15 anos, fruto deste esforço de qualidade nas uvas do viticultor, das empresas, nos seus sistemas de produção, tecnologias e técnicas, teremos os melhores Vinhos Madeira que alguma vez pensámos ter. Vão ser de uvas excelentes, com tecnologia excelente e vão ter todo um processo de envelhecimento cada vez melhor. Portanto, estamos hoje a preparar um futuro muito, muito bom para o sector. O trabalho é de todos. Eu tenho a sorte de estar aqui no meio e a sorte de estar a fazer o que gosto.&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Jornal da Madeira</description><pubDate>Sat, 01 Sep 2007 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=26</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Rolhas de cortiça são amigas do ambiente</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=25</link><description>&#60;p&#62;&#38;#8220;As cápsulas de alumínio emitem quatro vezes mais CO2 do que as rolhas de cortiça&#38;#8221; e &#38;#8220;As cápsulas de alumínio são mais prejudiciais para o meio ambiente&#38;#8221; foram dois dos títulos publicados em duas conceituadas revistas de vinho, Harpers e Decanter, respectivamente, e que dão conta dos resultados de um estudo realizado pela empresa Cairn Environment sobre o impacto da produção de vedantes para o meio ambiente.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Segundo o estudo, a &#38;#34;pegada de carbono&#38;#34; (carbon footprint) em quilogramas por tonelada é de 10kg de CO2, por tonelada para as cápsulas de alumínio e de 2,51% para rolhas de cortiça capsuladas. O que significa que ao produzir uma rolha de cortiça emite-se para a atmosfera quatro vezes menos CO2 do que ao produzir uma cápsula de alumínio.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Mas as vantagens da rolha de cortiça para o ambiente não se ficam por aqui. Um recente estudo publicado pela Assolegno (Associazione Nazionale delle Industrie Forestali e della Lavorazione del Legno) associação italiana relacionada com a floresta - indica que ao consumir 15 mil milhões de garrafas vedadas com rolha de cortiça por ano poderemos estar a reter a poluição provocada por 45 mil viaturas/ano que circulem 15 mil quilómetros por ano cada uma. Segundo a Assolegno uma viatura emite 170g de CO2 por km e uma rolha de cortiça é capaz de reter 7,9g de C02, o que equivale, em média, ao dobro do seu peso. O que quer dizer que o consumo de 15 mil milhões de rolhas/ano permite a retenção de 118500 toneladas de COz/ano.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Estas conclusões tiveram por base a análise do cicio de vida de uma rolha de cortiça, tendo sido analisado todos os passos da sua produção desde a floresta até ao produto final.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Luís Gil, investigador do Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia industrial (INETI), juntou, ainda, a estes dados o seguinte cálculo: considerando a recomendação médica para um adulto de beber diariamente cerca de dois copos de vinho/dia (2,5 dl de vinho/dia), seria consumida uma garrafa de vinho (0,75 l)/pessoa em cada três dias, o que num ano corresponde a 122 rolhas; este número de rolhas corresponde a 1183,40 g C02/Pessoa/ano, o que por sua vez corresponde a cerca de 7km percorridos por um veículo médio/pessoa/ano.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Preservação do ecossistema&#60;br /&#62;&#60;/strong&#62;&#60;br /&#62;A indústria de cortiça garante, ainda a sustentabilidade do montado de sobro e contribui para a preservação das espécies da fauna e flora que aí habitam.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O montado de sobro e o ecossistema agro-silvo-pastoril que coexiste em seu redor assumem uma importância crucial, na medida em que contribuem para a preservação do ambiente, sustentam a fauna e flora existente e ainda conseguem assegurar a vida das populações em zonas de clima hostil e de solos pobres.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Mas há ainda, mais um motivo que torna esta indústria realmente única: a sua notável eco-eficiência. De facto, ao longo de todo o processo produtivo todos os desperdícios resultantes do fabrico de rolhas naturais são transformados em produtos úteis e de excelente qualidade. Desde rolhas técnicas e aglomeradas a painéis para pavimentos e revestimentos, artigos decorativos para o lar e escritório, peças de arte e design, solas para sapatos, aplicações no sector automóvel, aplicações nas indústrias militar e aeroespacial, produtos químicos para fins farmacêuticos, entre muitos outros. Até mesmo o pó de cortiça é utilizado na co-geração de energia eléctrica.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Por outro lado, as rolhas de cortiça podem, ainda, ser recicladas e re-utilizadas. As rolhas usadas são trituradas e aproveitadas para o fabrico de outros produtos aglomerados, não podendo, no entanto, ser aproveitadas para a indústria vinícola.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Isto significa que a rolha de cortiça é o único vedante totalmente natural, renovável e reciclável.&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Coluna do Sector Corticeiro | Diário Económico</description><pubDate>Wed, 08 Aug 2007 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=25</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Vinho leva milhares ao Bombarral</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=24</link><description>&#60;p&#62;A primeira edição do Festival do Vinho Português teve lugar nos anos 60, mas só nos últimos 14 anos é que este certame passou a ter uma periodicidade anual. Antes de 1993 era organizado de forma irregular. Mas, agora, todos os anos, durante dez dias, o concelho do Bombarral (local da sua organização) recebe mais de cem mil visitantes de todo o país e também de muitos países não só europeus. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Este certame assumiu-se como um dos eventos do distrito de Leiria e da região Oeste mais visitados e com melhor sucesso.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Com mais de cem expositores, tem vindo a contar com profissionais da nossa agricultura e da vitivinicultura das regiões de todo o país. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;São, aliás, já muitos os que estando presentes vão aumentando o seu volume de negócios não só através das compras durante o período de tempo da realização do certame, mas também através de vários contratos que fazem para Portugal e para o estrangeiro com a durabilidade garantida para todo o ano. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Este certame é um exemplo positivo, porque mobilizador, daquilo que de bom se faz nesta época do ano em Leiria e no Oeste. É um certame relevante para a agricultura também da zona e para o sector do vinho a nível nacional. É, aliás, para o concelho do Bombarral o evento público mais relevante durante todo o ano. Daí que seja de elementar justiça reconhecer a sua importância e ao mesmo tempo exigir um maior e melhor empenho de alguns poderes públicos na sua organização. É que o seu futuro depende disso e não apenas do seu principal organizador e responsável que é a sua pedra base quase exclusiva. Sem ele, uma coisa é certa não haveria já há muito mais anos Festival do Vinho Português. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;É por isso que não só em Leiria e no Oeste, mas também no país, eventos deste tipo devem ser organizados e apoiados devidamente. E isso não tem acontecido. O que é negativo para um dos sectores da nossa economia onde a nível internacional nos devemos cada vez mais afirmar pela qualidade e boa competitividade.&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Feliciano Barreiras Duarte | Jornal de Notícias</description><pubDate>Mon, 30 Jul 2007 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=24</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Estudo comprova benefícios do consumo de vinho</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=23</link><description>Segundo noticiou o jornal La Vanguradia, o estudo corrobora que, bebido com moderação e em carácter regular, o vinho tem efeitos benéficos sobre o metabolismo do colesterol. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#38;#34;A análise das mudanças induzidas em genes nos permitem determinar como os procionídeos conseguem modular sua expressão, o que, em longo prazo, permitiria projectar dietas personalizadas a fim de ajudar a prevenir e, em certos casos, tratar, diferentes patologias relacionadas a desajustes metabólicos&#38;#34;, explica Josep Maria del Bas, autor da tese, intitulada Modulation of Hepatic Lipoprotein Metabolism by Dietary Procyanidins modulação do metabolismo de lipoproteínas hepáticas por procionídeos dietéticos.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O trabalho enquadra-se numa disciplina científica emergente, a genética da nutrição, a qual emprega técnicas da biologia molecular, bioquímica e biologia de sistemas &#38;#34;para entender como os nutrientes podem interagir com as vias de sinalização intracelulares&#38;#34;, explicou Maria Cintra Bladé, co-orientadora da tese e professora do departamento de bioquímica e biotecnologia da URV.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Na pesquisa foram utilizados procionídeos obtidos de uvas, e por isso os resultados estendem-se ao consumo de vinho, ainda que por enquanto os efeitos tenham sido constatados apenas em laboratório, e o caminho até se comprovem em testes com animais e pessoas deva ser longo. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A tese é uma nova contribuição à considerável lista de estudos científicos que atestam os benefícios de saúde do vinho, se ingerido com moderação, ou seja, em volume de 30 gramas de álcool por dia para os homens e de 20 gramas para as mulheres.De acordo com a Fundação para a Pesquisa do Vinho e Nutrição (FIVN), patrocinada pelas empresas do sector, mais de 400 estudos trataram desse tema no mundo, nos últimos anos. Pela sua composição, o vinho, consumido em quantidades moderadas, reduz significativamente os índices de mortalidade e a incidência de enfermidades cardiovasculares. Mesmo assim, os efeitos nocivos são imensos e podem ser letais, caso a bebida seja consumida em excesso. &#60;br /&#62;&#38;#34;Constatar que os procionídeos têm efeitos sobre os genes é importante, ainda assim, por representar um primeiro passo na pesquisa, e trabalhos posteriores terão de quantificar as vantagens propiciadas, porque o estudo actual foi conduzido apenas em laboratório&#38;#34;, disse Rosa Lamuela, cientista do grupo de nutrição na Escola de Farmácia da Universidade de Barcelona. É esse o caminho que vem sendo seguido pelos pesquisadores de genética da nutrição, entre os quais se destacam os da URV, embora haja equipas de pesquisa trabalhando também em Barcelona. Valência, La Rioja e Zaragoza. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;As pesquisas sobre o vinho, que no começo dos anos 90 estudavam o produto como um todo, evoluíram e agora tratam da análise dos componentes, os polifenóis, que o diferenciam de outras bebidas alcoólicas. Os interesses do sector vinícola, que gostaria de divulgar vigorosamente os benefícios de saúde do seu produto, para diferenciá-lo das demais bebidas alcoólicas, entram em confronto com a regulamentação europeia. As mais recentes normas da União Europeia (as quais, dado o seu teor de álcool, não consideram o vinho como alimento) entraram em vigor no dia 1° de Julho e proíbem, por exemplo, que a publicidade do produto mencione os benefícios de saúde. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#38;#34;Mas isso não impedirá que os resultados das pesquisas, muito interessantes, sejam divulgados pelos canais de comunicação científica&#38;#34;, disse Andreu Palou, professor titular da Universidade das Ilhas Baleares e membro do painel científico de nutrição da União Europeia. Há sempre bons motivos para beber uma taça de vinho. Mas os efeitos do produto sobre a saúde não são tão grandes a ponto de merecer promoção. É certo que, para algumas pessoas dotadas de forte auto-controlo o consumo moderado do vinho pode oferecer benefícios de saúde, mas para a população como um todo os danos que o álcool causa à saúde superam em muito os benefícios. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Caso fosse inventado um remédio que oferecesse os mesmos benefícios e os mesmos efeitos colaterais do vinho, entre os quais o risco de vício, intoxicação aguda, hipertensão, ganho de peso, elevação na presença de triglicérides, arritmia, dilatação cardiomiopática, cirrose, pancreatite e cancro no aparelho digestivo, é provável que nenhuma agência de fiscalização autorizasse a sua comercialização. E, mesmo que ela fosse autorizada, grupos de defesa dos direitos dos pacientes decerto protestariam diante da sede da empresa produtora, exigindo a sua retirada do mercado. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Os efeitos colaterais do consumo excessivo de álcool são tão frequentes e tão graves que, quando o cardiologista Valentí Fuster atende em consulta algum paciente a quem recomenda que tome um pouco de vinho, sempre pergunta qual é a quantidade que a pessoa costuma beber, e aconselha moderação caso o consumo revelado seja excessivo. Caso o paciente beba moderadamente e não haja motivos relacionados ao peso para que o consumo de álcool lhes seja proibido, é aceitável que consuma uma ou duas taças de vinho, ou uma ou duas cervejas, ao dia. Mas Fuster nunca recomenda que um paciente passe a beber vinho, caso a pessoa não tenha esse costume.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Diário dos Açores</description><pubDate>Mon, 23 Jul 2007 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=23</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>In vino veritas, ou a verdade do vinho</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=22</link><description>&#60;p&#62;Existem na União mais de 2,4 milhões de explorações que produzem vinho, o que corresponde a 3,6 milhões de hectares, ou seja, dois por cento da área agrícola total, tendo a produção de vinho no ano transacto representado cinco por cento do valor da produção agrícola comunitária.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Naquele sector, o envelope financeiro vai manter-se no nível actual de 1,3 milhões de euros, mas eliminando medidas consideradas ineficientes de ajuda ao mercado como as restituições à exportação, ou ajudas à armazenagem privada, ou ainda à destilação, utilizando as poupanças daqui derivadas em medidas mais competitivas.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Assim, serão dedicados mais recursos para a promoção dos vinhos comunitários fora do espaço da União Europeia, junto de países terceiros. Existe, neste caso, um orçamento de 120 milhões de euros dos envelopes nacionais, com um co-financiamento comunitário de cinquenta por cento, o qual aumenta para sessenta por cento quando se trata de fazer campanhas sobre o consumo responsável, leia-se moderado de vinho.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Tenta-se com esta reforma fazer-se um investimento na qualidade em vez de promover, como até aqui, a quantidade, até por causa dos excedentes de produção que são, anualmente, responsáveis pelo dispêndio de cerca de 500 milhões de euros em ajudas, até porque os vinhos comunitários embora continuem a representar 60% da produção mundial, o que é facto é que estão a perder perigosamente terreno a favor de países como a Argentina, o Chile, Estados Unidos e Austrália.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Ainda na senda da qualidade, continua a ser interdita a proibição de importar mostos para vinificação e de proceder à mistura de vinhos comunitários com vinhos importados e, antes pelo contrário, apoia-se fortemente a produção de vinhos monocastas. Passa também a ser proibida a utilização do açúcar para o enriquecimento do vinho, a chamada chaptalização, com o objectivo de aumentar o teor alcoólico, medida em relação à qual a Alemanha se opõe fortemente. Só que nestas questões da PAC vigora a regra da maioria qualificada, sendo, assim, difícil impedir a adopção desta medida por um único país. Por outro lado, o conceito de vinho de qualidade vai assentar sobretudo em origens geográficas, em melhores regras de rotulagem, permitindo-se, pela primeira vez, que se indiquem a casta e o ano da colheita no rótulo em vinhos sem indicação geográfica.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;A parte mais polémica desta proposta tem a ver com o regime de arranque voluntário, sendo que o prémio respectivo será na ordem dos trinta por cento no primeiro ano, pelo que os Estados membros estão autorizados a limitar esse arranque  a um máximo de dez por cento da superfície vitivínicola nacional.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;É que o arranque voluntário dirige-se, em tese, aos produtores menos competitivos com dificuldades, nomeadamente, em escoar a produção. Porém, pode acontecer que esta medida tenha exactamente o efeito oposto, isto é, que sejam os produtores mais competitivos e de regiões demarcadas que se sintam incentivados, por causa do nível destas ajudas, a abandonar produções de alta qualidade e bem implantadas no mercado.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Por isso, para responder a estas preocupações da proposta incial de 400 mil hectares de vinha passíveis de ser arrancados, tudo leva a crer que este número desça até aos 200 mil hectares. Também a fim de evitar problemas sociais ou ambientais, os Estados-membros podem limitar o arranque de vinhedos situados em montanhas ou em terrenos muito inclinados, bem como em regiões ecologicamente sensíveis.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Em suma, a ser adoptada esta reforma, muita coisa vai ter de mudar em Portugal, designadamente ao nível das adegas cooperativas. É verdade que com bons projectos, por exemplo em matéria de internacionalização ou de modernização, estas podem receber ajudas interessantes. Caso contrário, tudo indica que estarão destinadas a desaparecer.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Se for o caso, a União Europeia até agradece, porque o objectivo de redução dos excedentes pode, deste modo, vir a ser alcançado como desiderato final da proposta de reforma do sector vitivinícola europeu.&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Isabel Meirelles | Jornal de Negócios </description><pubDate>Thu, 19 Jul 2007 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=22</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Adega Mayor</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=20</link><description>&#60;p&#62;O lançamento da nova marca vinícola não poderia ter tido começo mais auspicioso do que a fotografia enorme de tanto céu, tanto chão e tanta perfeição no edifício de Siza Vieira para a Adega do Grupo Nabeiro &#38;#8211; Delta Cafés.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O anúncio tem o bom gosto de nem mesmo referir o nome do arquitecto do magnífico edifício. Com a sua implantação num daqueles pequenos altos suavíssimos da planície alentejana, o alongamento da adega em muros cegos lança-a na paisagem como se ali estivesse desde sempre. A fotografia escolhida atira o edifício num eixo diagonal completado em equilíbrio com uma nuvem etérea que sugere um círculo ou uma espiral e fornece linhas arredondadas à imagem, ligando-as à paisagem e à construção formadas por rectas. Assim, a sugestão de infinito ressalta não só das formas rectangulares e circulares como da composição geométrica obtida pelo ponto de vista do artista fotográfico. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Na sua aparente simplicidade, aberta pelo límpido céu azul na esquerda alta, a fotografia inclui ainda três sobreiros e a vinha nova, identificando a paisagem em definitivo e sublinhando a intervenção humana e seu objecto principal: vinho.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Os elementos adicionais do reclame fornecem os mesmos dois elementos constantes na fotografia: a intervenção na paisagem (o edifício, a plantação), e o seu objecto (o vinho). Nesse sentido, aparece em primeiro lugar, do lado esquerdo, a frase &#38;#34;Desenhar a paisagem.&#38;#34;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O texto adjunto corria o risco de uma retórica fútil, mas soube sublinhar a categoria do edifício de Siza Vieira sem o referir, preferindo, correctamente, induzir no leitor e observador o processo criativo de algo de novo e de qualidade. É tão raro encontrar um texto deste calibre que vale a pena reproduzi-lo na íntegra: &#38;#34;Olhar medir, pensar, traçar. Encontrar a harmonia, a ligação perfeita entre o homem e a natureza. Enquadrar, fazer parte do que nos rodeia, sem choque, sem mácula. Tirar o melhor de cada forma, de cada linha. Projectar. Construir. Assim se desenha uma adega, assim se desenha um vinho.&#38;#34;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Como se lê, o processo criativo da arquitectura integrada e a sua inauguração transmitem-se na última frase para a apresentação do novo vinho &#38;#8211; em &#38;#34;ligação perfeita&#38;#34;, para citar o próprio texto. O vinho, produto da natureza e do homem, é uma construção como o edifício de Siza Vieira. O vinho é desenhado. A conclusão lógica está, então, no lado direito do anúncio, sob o nome Adega Mayor: &#38;#34;Desenhar o vinho&#38;#34; (teria ficado bem o ponto final na frase, tal como na frase &#38;#34;Desenhar a paisagem&#38;#34;). O vinho, como a adega, desenha-se. A qualidade da arquitectura transfere-se para o produto (e, já agora, para o anúncio).&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Em baixo, quatro garrafas, em baixo da terra, da vinha e da adega. E, a terminar, o logótipo da marca, no qual, em vez do I de Campo Maior, aparece um &#38;#34;Y&#38;#34; (sugerindo um copo? Piscando o olho ao mercado espanhol?) e com um ponto de cor clara no meio do &#38;#34;O&#38;#34; a fazer de rolha pronta a saltar duma garrafa vista de cima. Se calhar, o ponto que falta na frase &#38;#34;Desenhar o vinho&#38;#34; é esta simbolizada rolha &#38;#8211; e, então, ao juntar numa ligação perfeita desenho de arquitecto, desenho de vinho e desenho de publicidade, o anúncio sai bem, com Baco, pela direita baixa. Ergamos os &#38;#34;YY&#38;#34; e os &#38;#34;OO!, ergamos copos e garrafas! Assim vale a pena criticar publicidade.&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Eduardo Cintra Torres | Jornal de Negócios</description><pubDate>Thu, 12 Jul 2007 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=20</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>A excelência do vinho</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=19</link><description>&#60;p&#62;O vinho do Porto já não é o único embaixador dos nossos vinhos. A prova está nos números das exportações dos tintos, brancos e rosés que disparam desde os anos 90, dando razão a Michael Porter que identificou os vinhos portugueses como capazes de criar qualidade, diferenciação e mercado exportador. O sector vitivinícola nacional está a dar provas de vitalidade e de que consegue promover a viragem anunciada pelo Relatório Porter. Nos últimos quinze anos a revolução do sector passou pelo investimento na viticultura, enologia, novas tendências, marketing, comercialização e promoção externa. Eric Asimov, crítico do New York Times, garante que os vinhos portugueses serão a próxima &#38;#8220;grande onda internacional&#38;#8221;. Por cá, a prudência é a palavra de ordem. Produzem-se cada vez melhores vinhos, mas a batalha da quantidade, numa estratégia de exportação, ainda não está ganha.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Portugal no top 10&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Portugal é o 5º produtor de vinho da UE e o décimo a nível mundial. O sector fez do relatório de Michael Porter um ponto de viragem para aumentar o seu peso na economia portuguesa.&#60;br /&#62;Actualmente os prémios e menções honrosas, obtidos em concursos internacionais, são numerosos e significativos.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Só em 2007 as exportações do sector vinícola rondaram os 977 milhões de euros. A viticultura representa aproximadamente 50 por cento do sector agrícola nacional, estimando-se o potencial vinícola em 254.418 hectares, sendo Douro e Trás-os-Montes a região líder, com 68.455 hectares dedicados à cultura da vinha. A dinâmica de crescimento percorre, neste momento, todos os subsectores desta actividade, tanto mais que o sector tem vindo a proceder a uma importante modernização e reestruturação nas últimas décadas. Estes factores de mudança, aliados a uma crescente produção de vinhos portugueses de prestígio, contribuem decisivamente para potenciar condições de competitividade dos vinhos nacionais nos mercados externos, cada vez mais agressivos e em permanente transformação. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;No final de 2005 existiam 12.971 empresas registadas no Instituto da Vinha e do Vinho, em exercício no sector (vitivinicultores, armazenistas, produtores, engarrafadores, exportadores, importadores, etc.). Quanto às exportações, o realce vai para os vinhos de mesa, regionais e de denominação de origem, que já representam cerca de 40 por cento das vendas do sector nos mercados externos, muito mais próximos do vinho do Porto, que ainda lidera com 60 por cento. Portugal produz cerca de 7,2 milhões de hectolitros, cujas receitas anuais rondam os mil milhões de euros, que são repartidos entre o mercado de exportação (que conta com a presença acentuada do Vinho do Porto) e o mercado interno.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;É consensual, entre os responsáveis e especialistas do sector, que um dos pontos fortes em que assenta a competitividade dos vinhos portugueses consiste na diversidade das castas. Foi igualmente tido como assente que, face às condições geográficas propícias e à tradição vinícola do País, e levando em consideração as medidas propostas por estudos elaborados sobre o sector, tornar-se-ia incontornável apostar forte na exportação de forma a dinamizar o comportamento exportador da nossa economia. Para que tal aconteça de forma segura e sustentada, torna-se necessário escolher o parceiro comercial certo em cada país, adaptar a produção aos gostos que estão sempre em evolução e, sobretudo, dar a conhecer a natureza específica das mais de uma centena de castas de vinhos nacionais. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Os mercados inglês, norte-americano e alemão são identificados pela Monitor Company, de Michael Porter, num estudo elaborado para a ViniPortugal, como prioritários, pois permitem o desenvolvimento das diferentes regiões vinícolas de Portugal de forma sustentada. Estima-se que a forte aposta feita nestes mercados e a concretização de outras recomendações do estudo permitirão um aumento gradual de facturação até mil milhões de euros em 2010, assim como um aumento do peso dos vinhos de qualidade, nas vendas externas, de 17 para 35 trinta por cento. Para o corrente ano, é esperado um aumento das exportações de vinhos portugueses no mercado americano na ordem dos 10 por cento e de 6 por cento no mercado inglês. No mercado alemão, a situação das exportações encontra-se condicionada pela situação económica menos favorável que o país atravessa.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O sector fez do relatório de Michael Porter (1999) um ponto de viragem para aumentar o seu peso na economia portuguesa e melhorar a imagem dos nossos vinhos nos mercados externos. Os vinhos portugueses foram identificados como uma das áreas com aptidão para criar mercado exportador. Segundo o relatório, as soluções encontradas de forma a desenvolver as exportações passam pela aposta nos vinhos tintos tranquilos, de qualidade, expedidos em embalagens especialmente cuidadas e vendidos a preços criteriosos, de acordo com o mercado destinatário. Contudo, estas recomendações não são em si mesmas garante das exportações. A aposta passa igualmente pela promoção da diferenciação das castas e produtos e por uma gestão adequada da distribuição, o que significa um correcto posicionamento junto dos consumidores em matéria de imagem, preços e motivação de compra.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Não surpreende, pois, que para a generalidade dos profissionais do meio, o aumento verificado nas exportações dos nossos vinhos e a crescente internacionalização do sector, agora com maior peso na economia portuguesa, se deve, em larga medida, à aplicação das sugestões apresentadas no relatório Porter. Graças a este, o vinho português tornou-se um produto claramente dinamizador das exportações e da exposição externa do País. Desde então, tem-se observado uma divulgação mais regular dos vinhos nacionais em conceituadas revistas, jornais e outros media de relevo internacional, o que contribui decisivamente para o destaque da excelência do País e dos seus vinhos, que assim conquistam uma sustentada visibilidade interna e externa.&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Exportar</description><pubDate>Fri, 29 Jun 2007 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=19</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Dois amigos unidos por uma paixão tardia pelo vinho</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=18</link><description>&#60;p&#62;A loja é a Coisas do Arco do Vinho e abriu fez dez anos em 27 de Setembro, no Centro Cultural de Belém. A meio desta década de existência, o êxito era tal que decidiram dobrar o espaço da loja, mesmo assim pequena para albergar os vinhos de todos os produtores que gostariam de marcar presença nas suas prateleiras de madeira escura.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#38;#34;Nunca me teria metido nisto se não tivesse encontrado a pessoa certa para sócio&#38;#34;, assegura Barão da Cunha. Oliveira de Azevedo diz o mesmo. Mas não se julgue que este perfeito acordo que existe entre os dois deriva de alguma amizade de infância ou companheirismo de estudos. De facto, eles só se conheceram bem pouco antes de se lançarem neste empreendimento, numa idade em que a grande maioria das pessoas procura o descanso da reforma.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O mais velho é Oliveira de Azevedo, nascido em Braga em 1935. Barão da Cunha veio ao mundo dois anos depois, em Lisboa. Ou seja, os dois rondavam os 60 anos quando decidiram iniciar vida nova no comércio e hoje, aos 70, nem pensam em parar. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O pai de Oliveira de Azevedo já se tinha reformado dos Caminhos de Ferro de Moçambique quando ele nasceu. A mãe era professora primária. Fez o liceu em Braga, tentou Direito em Coimbra um pouco por &#38;#34;imposição&#38;#34; de um tio advogado, desistiu, foi para Angola fazer a tropa, casou com uma lisboeta que o fez vir para a cidade de onde nunca mais saiu, tirou Sociologia no ISCTE, trabalhou na área de Recursos Humanos de várias empresas.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Já Barão da Cunha é filho de um oficial da Aeronáutica que morreu num acidente de avião quando ele tinha dois anos. A mãe era empregada da Loja das Meias. Fez o Colégio Militar e cumpriu missões em Moçambique, Guiné-Bissau e Angola. Esteve um período afastado do serviço militar, quando trabalhou em empresas na área de informática, e seria reintegrado depois do 25 deAbril, passando à reserva em 1988, como coronel.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#38;#34;Só nos tínhamos conhecido vagamento quando os dois estivemos na Sociedade Central de Cervejas&#38;#34;, conta Oliveira de Azevedo. &#38;#34;Depois, lá para 1995, reencontrámo-nos nuns jantares que a Revista de Vinhos promovia e descobrimos que tínhamos a paixão comum pelo vinho.&#38;#34;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O entendimento foi imediato. Queriam uma loja de vinhos como não havia na altura em Lisboa, moderna, climatizada, voltada para as gamas mais altas, com atendimento especializado, que promovesse provas, onde também fosse possível encontrar acessórios como copos, saca-rolhas ou termómetros, com uma secção de livros e revistas, com outra de mercearia fina... O local e o nome foram rapidamente definidos, os horários alargados com abertura aos domingos e fecho às terças-feiras.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O êxito foi também imediato e a loja do CCB tornou-se ponto de encontro dos enófilos, num momento em que os vinhos portugueses davam um salto de qualidade e crescia o interesse em torno das novas marcas que surgiam. Passado algum tempo, eles começaram a organizar jantares vínicos mensais, com igual êxito, e a fazer novos amigos numa idade em que é mais raro encontrá-los.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Francisco Barão da Cunha e José Oliveira de Azevedo continuam presentes diariamente na loja, salvo quando vão visitar alguma quinta ou feira. Os filhos seguiram profissões diferentes e eles nem sequer parecem pensar muito no futuro da sua loja. O que lhes interessa é que estão todos os dias com amigos a conversar sobre a sua grande paixão. &#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Duarte Calvão | Diário de Notícias</description><pubDate>Fri, 04 May 2007 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=18</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Perfeito, perfeito, perfeito é...</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=17</link><description>&#60;p&#62;Robert Parker, um dos mais conceituados críticos de vinho do mundo, publicou recentemente na prestigiada revista norte-americana &#38;#8216;Wine Advocate&#38;#8221; o seu primeiro relatório sobre vinhos de mesa portugueses, elaborado pelo seu colaborador Mark Squires. Um trabalho bastante completo (acessível no website &#60;a href=&#38;#34;http://erobertparker.com&#38;#34;&#62;http://erobertparker.com&#60;/a&#62; ), que inclui notas de prova de 305 vinhos portugueses, brancos e tintos, classificados entre os 50 e os 100 pontos.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Se no passado apenas os vinhos do Porto contribuíam para a fama do nosso país, agora os vinhos de mesa também fazem as honras da casa. Os excelentes resultados obtidos nos últimos anos com os vinhos portugueses, em particular os durienses, vieram despertar, a pouco e pouco, a atenção da crítica internacional. No relatório de Parker, a região demarcada do Douro surge como a mais cotada, ocupando os primeiros 25 lugares da extensa lista dos 305 vinhos pontuados. Entre eles, encontra-se a Quinta do Crasto, com a maior quantidade de vinhos acima dos 92 pontos (7 vinhos em 21), destacando-se o Quinta do Crasto - Vinha Maria Teresa 2003, o vinho que recebeu a pontuação máxima deste relatório: 96 pontos.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;A participação da Quinta do Crasto em inúmeras provas de vinhos dirigidas a reputados jornalistas internacionais do sector, permitiu aos responsáveis da Quinta encarar com optimismo a possibilidade de vir a obter resultados positivos neste relatório: &#38;#8220;As boas pontuações, especialmente as dos vinhos do Douro, vieram confirmar a qualidade dos nossos vinhos e têm o sabor especial de terem sido atribuídas por uma publicação que goza de uma enorme credibilidade e influência no sector&#38;#8221;, afirma Tomás Roquette, filho dos proprietários e responsável pela promoção da Quinta do Crasto.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;A divulgação dos vinhos da região tem passado, em grande parte, pelas acções desenvolvidas pelos Douro Boys, um grupo de cinco produtores da região (Quinta do Crasto, Niepoort, Quinta do Vallado, Quinta do Vale D. Maria, Quinta do Vale Meão) que se uniram para, em conjunto, promoverem os seus vinhos no mercado interno e externo. No entanto, segundo Roquette, &#38;#8220;Portugal ainda não tem imagem internacional como produtor de vinhos de alta qualidade&#38;#8221;. Além disso, &#38;#8220;a estrutura da produção nacional não permite concorrer com outros países, em particular os do novo mundo, nos segmentos de baixo preço e grande volume&#38;#8221;. Apesar de tudo, o potencial qualitativo dos vinhos portugueses é grande: &#38;#8220;Temos castas autóctones com grande qualidade, originalidade e carácter, o que nos permite explorar o desejo do consumidor esclarecido, já um pouco saturado das castas internacionais. Penso que o reconhecimento internacional dos vinhos portugueses depende de levar até ao conhecimento dos «leaders» de opinião essa qualidade e originalidade&#38;#8221;.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Investir na qualidade&#60;/strong&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Situada em local privilegiado, na margem direita do rio Douro, entre a Régua e o Pinhão, a Quinta do Crasto possui 130 hectares, dos quais 70 são ocupados por vinhas. Nos últimos anos, os seus vinhos têm sido alvo de diversas distinções nacionais e internacionais. Segundo Tomás Roquette, vários factores contribuíram para essa realidade: Um «terroir» de eleição, importantes investimentos que permitiram modernizar vinhas e instalações de vinificação e um acompanhamento especial, durante todo o ano, a essas mesmas vinhas (em particular, às mais antigas). A tudo isto, junta-se ainda uma equipa técnica empenhada - liderada pelos enólogos Dominic Morris e Susana Esteban - e um «marketing» agressivo, o que permite actualmente exportar 76% da produção da quinta, para mais de vinte países.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Com efeito, nos últimos quatro anos, na Quinta do Crasto realizou-se um significativo esforço de investimento em diversas áreas, de quase 3 milhões de euros. A plantação de 30 novos hectares e o melhoramento dos já existentes totalizou 1 milhão de euros. A instalação de uma adega para vinhos tintos, dotada da mais moderna tecnologia, teve um custo de 500 mil euros. A construção de um armazém para vinho engarrafado e de uma cave para barricas contabilizou outros 950 mil euros. Por último, o investimento anual em barricas de 200 mil euros (utilizadas apenas durante três anos) também é significativo. &#38;#8220;Para o biénio 2007-2008, temos previsto um investimento de cerca de 1,2 milhões de euros na instalação de uma adega adicional para vinho tinto, o que permitirá duplicar a nossa capacidade de fermentação para 400 mil quilos, e de uma nova cave com capacidade para cerca de um milhão de garrafas&#38;#8221;, remata Tomás Roquette.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Além dos investimentos realizados no Crasto, os Roquette adquiriram recentemente a Quinta da Cabreira - uma propriedade com 120 hectares no Douro superior - uma compra que ascende aos 3,5 milhões de euros e virá complementar o aumento de produção previsto para a Quinta do Crasto.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;O MAIS PREMIADO&#60;/strong&#62; &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;A Vinha Maria Teresa, com cerca de 90 anos, é a mais antiga da Quinta do Crasto. &#38;#8220;Quando o meu bisavô Constantino de Almeida, adquiriu a Quinta do Crasto e iniciou a plantação de novas vinhas, deu a uma delas o nome da sua primeira neta - Maria Teresa&#38;#8221;, explica Tomás Roquette, da Quinta do Crasto. Esta vinha de 5 hectares, implementada em socalcos tradicionais a baixa altitude e com uma exposição a nascente, possui cerca de 30 castas tradicionais do Douro. Apesar da baixa produtividade de uma vinha muito antiga, é possível conseguir níveis elevadíssimos de concentração, o que permite obter um vinho muito complexo. Todos os anos, o Quinta do Crasto - Vinha Maria Teresa é vinificado separadamente, mas só é engarrafado nos anos em que atinge um patamar de qualidade excepcional. O resultado é um vinho muito vivo e concentrado na cor, aroma intenso a fruta madura muito bem integrada com a madeira. Na boca apresenta uma boa estrutura, com taninos bem presentes mas macios e um final longo e persistente.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;ACIMA DOS 92 PONTOS&#60;/strong&#62; &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Vinha Maria Teresa 2003 &#60;br /&#62;(Quinta do Crasto - Douro) 96 pts. &#60;br /&#62;Vinha da Ponte 2004 &#60;br /&#62;(Quinta do Crasto - Douro) 95 pts. &#60;br /&#62;Vinha Maria Teresa 2001 &#60;br /&#62;(Quinta do Crasto - Douro) 95 pts. &#60;br /&#62;Batuta 2004 &#60;br /&#62;(Niepoort - Douro) 95 pts. &#60;br /&#62;Abandonado 2004 &#60;br /&#62;(Domingos A. Sousa - Douro) 95 pts. &#60;br /&#62;Quinta do Fojo 2000 &#60;br /&#62;(M. Serôdio Borges - Douro) 95 pts. &#60;br /&#62;Quinta da Manuela 2000 &#60;br /&#62;(M. Serôdio Borges - Douro) 94 pts. &#60;br /&#62;Redoma Reserva Branco 2005 &#60;br /&#62;(Niepoort - Douro) 94 pts. &#60;br /&#62;CV-Curriculum Vitae 2004 &#60;br /&#62;(Lemos e Van Zeller - Douro) 94 pts. &#60;br /&#62;Vinhas Velhas Reserva 2004 &#60;br /&#62;(Quinta do Crasto -Douro) 94 pts. &#60;br /&#62;Duas Quintas Reserva Esp. 2003 &#60;br /&#62;(Ramos Pinto - Douro) 94 pts. &#60;br /&#62;Barca Velha 1999 &#60;br /&#62;(Sogrape Vinhos - Douro) 94 pts. &#60;br /&#62;Casa Ferreirinha Reserva 1994 &#60;br /&#62;(Sogrape Vinhos - Douro) 93 pts &#60;br /&#62;Quinta do Vale Meão 2004 &#60;br /&#62;(Qta. do Vale Meão - Douro) 93 pts. &#60;br /&#62;Qta. Crasto Vinhas Velhas Res. 2003 &#60;br /&#62;(Quinta do Crasto - Douro) 93 pts. &#60;br /&#62;Quinta do Crasto Tinta Roriz 2003 &#60;br /&#62;(Quinta do Crasto - Douro) 93 pts. &#60;br /&#62;Qta. do Crasto Vinha da Ponte 2000 &#60;br /&#62;(Quinta do Crasto - Douro) 93 pts. &#60;br /&#62;Chryseia 2004 &#60;br /&#62;(Prats &#38; Symington - Douro) 93 pts. &#60;br /&#62;Quinta Vale D. Maria 2004 &#60;br /&#62;(Lemos e Van Zeller - Douro) 93 pts. &#60;br /&#62;CV-Curriculum Vitae 2003 &#60;br /&#62;(Lemos e Van Zeller - Douro) 93 pts. &#60;br /&#62;Charme 2004 &#60;br /&#62;(Niepoort - Douro) 93 pts.&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Maria João de Almeida | Expresso </description><pubDate>Fri, 06 Apr 2007 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=17</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>O vinho português precisa de concursos</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=15</link><description>&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Mário Louro | Enólogo&#60;/strong&#62; &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Nasceu em Santarém, &#38;#34;no dia e na hora em que rebentou a bomba atómica de Hiroxima&#38;#34;, a 6 de Agosto de 1945. Formado em Enologia na universidade francesa de Souze la Rousse. Trabalhou na Junta Nacional do Vinho, no Instituto do Vinho e da Vinha e na Carvalho, Ribeiro &#38; Ferreira.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Dá aulas de enologia nas escolas de hotelaria de Lisboa e Estoril e diversos cursos particulares sobre vinho. Mário Louro, um dos nomes mais conhecidos do vinho português, dá a cara por um Concurso Nacional de Vinhos Engarrafados que poderá trazer grandes surpresas e ajudar a separar &#38;#34;o trigo do joio&#38;#34; entre as centenas de marcas que surjiram entre nós. Ele explica como.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;O que diferencia este concurso?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Desde 1993 que não se fazem concursos de vinhos de dimensão nacional em Portugal. Na altura, quem fazia era o Instituto da Vinha e do Vinho. Neste interregno, os produtores procuraram medalhas e distinções em concursos internacionais. Ora, sabe-se que os vinhos portugueses subiram muito de qualidade nos últimos anos, mas não sabemos o que valem uns contra os outros. Ou seja, não sabemos bem o que vale a região A ou B, quais os grandes vinhos, etc. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;A presença de enólogos, que às vezes são também produtores, no júri, não poderá levar a pensar que eles podem beneficiar os seus vinhos?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Seguimos o exemplo de concursos internacionais em que chega a haver 300 pessoas a provar. E apostámos também em grande. Assim, pusemos oito grandes enólogos portugueses a presidir cada um ao seu júri. São nomes como José Maria Soares Franco, Nuno Cancela de Abreu, João Melícias, Manuel Vieira, Paulo Laureano, Osvaldo Amado, Domingos Soares Franco e Luís Cerdeira. Mas eles não vão provar, vão chefiar júris de sete elementos e orientar as provas.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Tudo prova cega?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Tudo prova cega, E, além disso, criámos um espaço dentro do CNEMA, tipo caixa-forte, e vamos pôr pessoas estranhas à nossa organização a zelar pelos vinhos e pela confidencialidade. Ninguém, nem eu, sabe os vinhos que lá estão, nem a ordem em que vão ser provados.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Quem serão os provadores?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Enólogos, escanções, jornalistas nacionais e estrangeiros, e também aqueles a que chamo &#38;#34;enófilos esclarecidos&#38;#34; e uma ou outra figura pública. Em cada júri de sete elementos, a nota mais alta e a mais baixa não contam na pontuação. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Cada júri vai provar quantos vinhos?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Uns 60 por dia. É o normal...&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Conforme a pontuação, os vinhos ganham medalhas?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Há medalhas de ouro e prata. Mas depois os medalhas de ouro vão disputar um concurso de prestígio, em que serão provados novamente, para ver quais os que mais se destacam. Serão os grandes vinhos.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Fora as medalhas, há mais prémios?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Não quisemos só dar medalhas aos concorrentes. Já confirmámos com o El Corte Inglés de Lisboa e do Porto para, logo a seguir ao concurso, a 10 de Junho, fazer feiras especiais com os vinhos premiados. As Pousadas de Portugal vão fazer uma carta especial com vinhos premiados e vamos publicar ainda um guia com estes vinhos.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O que poderá levar o produtor já com êxito a querer correr o risco de participar num concurso?&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Não vou dizer que não haja riscos. Mas quem sabe que tem bons vinhos não deve ter preocupações em correr riscos. Se correr mal, para o ano há outras oportunidades...&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Duarte Calvão | Diário de Notícias</description><pubDate>Sun, 01 Apr 2007 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=15</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Vinho português para a Festa na Ásia</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=11</link><description>&#60;p&#62;Nos próximos cinco anos o crescimento do mercado de vinhos na Ásia será de 10 a 20% ao ano. A não perder. Os maiores aumentos registar-se-ão na China, Índia, Coreia, Singapura, Taiwan, Filipinas e Malásia. A ViniPortugal prepara-se para estender a sua promoção  aos mercados asiáticos.  Propõe-se desenvolver acções em Macau, Hong Kong, Xangai e Índia.  &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O contraste entre Macau e Hong Kong impõe uma reflexão estratégica.  Em Macau os vinhos portugueses dominam o mercado. Ali ao lado, em Hong Kong, metade das importações de vinhos provêm de França e cerca de 40%  de países do Novo Mundo. Como vai Portugal alterar o padrão de Hong Kong e ganhar quota de mercado? Como vai penetrar nos restantes países asiáticos?&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O padrão de consumo de vinho em Macau está associado  ao estilo de vida dos portugueses que diariamente consomem vinho à refeição, em casa ou no restaurante. Não é o caso dos restantes países asiáticos. Na Ásia as refeições não são habitualmente acompanhadas de vinho.  Macau beneficiou, aqui, da aculturação portuguesa.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;São outras as motivações dos asiáticos para este novo hábito de beber vinho. Começou por emergir associado às festas, como consumo simbólico de estatuto económico superior, como manifestação de um certo estilo de vida.  Mais recentemente, os benefícios de saúde atribuídos ao consumo do vinho cativam um novo segmento, despertando algum interesse os vinhos &#38;#8221;orgânicos&#38;#8221;. O vinho é sobretudo consumido fora de casa, em restaurantes, clubes, encontros de amigos, nas festas de empresa, casamentos, jantares de congressos. É claro que existem outros segmentos minoritários: os residentes ocidentais e uma elite de &#38;#8216;connoisseurs&#38;#8217; locais. Nos países com mercados turísticos significativos há que adicionar os turistas. É o caso de Singapura onde a próxima construção de dois &#38;#8216;integrated resorts&#38;#8217; com casino, pela Las Vegas Sands e pela Genting International em Marina Bay e Sentosa Island,  irá duplicar os actuais nove milhões de visitantes. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;A maioria dos consumidores asiáticos prefere vinhos &#38;#8216;light&#38;#8217; de preferência monocastas  de denominação francesa. Para poderem extrair algum benefício social do seu novo comportamento social, preferem os vinhos de marca conhecida. Os mais jovens optam pelos vinhos mais baratos do Novo Mundo.  Na China e na Índia a produção local responde bem a estes novos consumidores mais sensíveis ao preço.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Os vinhos portugueses têm, em cada mercado, de vencer a falta de conhecimento, a falta de uma imagem de marca de qualidade socialmente relevante. Têm de vencer a resistência decorrente da sua complexidade alcançada a partir de castas totalmente desconhecidas. A combinação com castas francesas é um factor favorável na penetração do mercado. As marcas, pensadas para o mercado português, difíceis de serem lidas por consumidores de outras línguas, têm de ser reavaliadas.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;A marca Portugal precisa de ser promovida nestes mercados com externalidades para os diferentes sectores exportadores. Portugal tem de participar na formação sobre o país vitivinícola, sobre as regiões, as castas, as características dos vinhos portugueses. Há que formar importadores, distribuidores, proprietários de restaurantes e bares, os &#38;#8216;food &#38; beverage managers&#38;#8217; dos hotéis, &#38;#8216;sommeillers&#38;#8217;, &#38;#8216;chefs&#38;#8217;, &#38;#8216;opinion leaders&#38;#8217;, jornalistas. O comércio de vinhos é cada vez mais sofisticado, &#38;#8216;knowledge based&#38;#8217;. A Singapore Polytechnic oferece este tipo de formação. Os consumidores gostam de conhecer as histórias dos produtores. Este é também um mundo de fantasia e de simbologia. Essencial é oferecer o melhor emparelhamento dos vinhos com a culinária local. Há que estimular o surgimento de restaurantes portugueses nas capitais da Ásia. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Os produtores portugueses têm de conhecer as características dos mercados e têm de promover as suas marcas. Não há marketing sem &#38;#8216;branding&#38;#8217;! Têm de promover os seus vinhos em muitas iniciativas, como meios audiovisuais de qualidade. Têm de apoiar, de forma continuada, os seus parceiros locais no desenvolvimento dum mercado de vinhos portugueses e na consolidação de uma clientela própria. Têm de ir munidos de muita perseverança para sucederem a médio e longo prazo na Ásia.&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; João Santos Lucas | Diário Económico</description><pubDate>Wed, 27 Dec 2006 00:00:00 +0000</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=11</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Vinhos o Senhor da Quinta</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=10</link><description>Não se arranca a cápsula de plástico do gargalo, nem se enterra a espiral do saca-rolhas na cortiça nem se puxa a rolha até se ouvir o famoso &#38;#34;plop&#38;#34;. Desta vez, Miguel Champalimaud limitou-se a apertar o gargalo da garrafa, rodar o pulso e desenroscar uma cápsula de alumínio que tira e volta a enroscar. &#38;#34;Há método mais simples do que este?&#38;#34;, questiona Miguel Champalimaud.&#60;br /&#62;Para o produtor de vinhos durienses de prestígio como Quinta do Côtto e Paço do Teixeiró, esta é a sua nova aposta: cápsulas de alumínio - as polémicas screwcaps -, para engarrafar toda a produção vinícola da casa Montez Champalimaud. Este ano, os vedantes artificiais já estarão em todas as garrafas de vinhos tinto, branco e rosé, uma solução que Miguel Champalimaud apelida de &#38;#34;inovadora e corajosa&#38;#34;. E nem mesmo o coro de críticas que lhe dirigem o faz desistir. E apresenta os seus argumentos, &#38;#34;a técnica do vedante é a melhor solução. O screwcap traz uma grande simplicidade que vai marcar o século XXI&#38;#34;.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A decisão tomada pela casa Montez Champalimaud deixou a indústria corticeira à beira de um ataque de nervos. Se o produtor de alguns dos vinhos portugueses mais prestigiados, mesmo fora do país, prescinde da tradicional rolha de cortiça, nada garante que outros produtores não sigam o exemplo. E é isso que a indústria corticeira mais teme.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Os argumentos dos corticeiros, porém, não comovem Miguel Champalimaud. O produtor queixa-se do aumento continuado dos preços das rolhas e adianta que a cápsula de alumínio, para além da simplicidade, garante maior qualidade do vinho do que a cortiça (vd. entrevista). O factor económico, embora não seja reconhecido por Miguel Champalimaud como o principal factor, pesa significativamente nas contas. Basta ver que cada rolha de cortiça custa, em média, entre 25 e 50 cêntimos - uma rolha de qualidade pode custar um euro. Já uma cápsula de alumínio tem um custo bastante mais baixo: entre 20 e 25 cêntimos a unidade. Ora, quando se produzem 350 mil garrafas, como a Montez Champalimaud em 2005, isso pode representar uma poupança de largos milhares de euros. Depois de uma pré-selecção de quatro fabricantes europeus de screwcaps, a Montez Champalimaud acabou por escolher um único fornecedor italiano.&#60;br /&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Entre o Douro e Cascais&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O abandono da rolha de cortiça em prol do screwcap não é apenas uma decisão revolucionária na centenária produtora de vinhos. É também um marco na gestão de Miguel Champalimaud que já leva 30 anos à frente dos destinos do negócio de família (vd. caixa). Nascido no Lobito, em Angola, onde o seu pai tinha uma fábrica de cimentos, Miguel Champalimaud deixou África com apenas um ano de idade, estudou, seguiu a tropa e estava na Guiné quando se deu o 25 de Abril. Regressou no fim de 1974 a Lisboa para, passados dois anos, assumir então a liderança dos negócios da família.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;É na Quinta da Marinha, em Cascais, outra das propriedades familiares, que hoje gere o dia-a-dia das empresas. À Quinta do Côtto, no Douro, onde se concentram as áreas de produção e comercialização, vai pelo menos uma vez por mês, tendo a seu cargo uma equipa de 22 pessoas. O resto do tempo passa-o entre Cascais e as inúmeras viagens para promover o portfólio de vinhos e fazer contactos comerciais. Uma das últimas viagens levou-o de volta a Angola, para uma promoção de vinhos em Luanda.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Os principais destinos externos &#38;#34;são europeus. Depois há o Brasil, Canadá, Macau, e estamos a tentar abrir o mercado&#38;#34;, diz. No total, as exportações já representam 30 por cento das vendas da Montez Champalimaud. Entrar em mercados fora da Europa, contudo, é uma batalha difícil. As principais dificuldades, explica Miguel Champalimaud, foram criadas pela queda do dólar face ao euro. Com isso &#38;#34;os vinhos deixam de ser competitivos fora do mercado europeu&#38;#34;. Mesmo assim, insiste em crescer fora de portas, até porque &#38;#34;o mercado português é pequeno, reconhece&#38;#34;. Depois da produção de 350 mil garrafas em 2005, a fasquia mantém-se alta para este ano: &#38;#34;o objectivo é ter 500 mil garrafas por ano e consolidar&#38;#34;, revela.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Entre os vinhos e as viagens, Miguel Champalimaud ainda divide o seu tempo com a gestão do imobiliário, turismo, golfe e restaurante da Quinta da Marinha. Entre os projectos em marcha, destaca-se a construção de um novo hotel de cinco estrelas e capacidade para 144 quartos, que deverá estar concluído em 2009. O investimento previsto cifra-se nos 40 milhões de euros e &#38;#34;terá a modernidade como ponto forte&#38;#34;, defende Miguel Champalimaud. &#38;#34;Este hotel terá o mesmo efeito do screwcap&#38;#34;, diz sem modéstias. Até porque, reconhece, &#38;#34;eu sou um modernista&#38;#34;.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;QUINTA DO CÔTTO | PAÇO DE TEIXEIRÓ&#60;/span&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;HISTÓRIA DE DUAS QUINTAS&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Quinta do Côtto e Paço de Teixeiró são dois nomes de peso na galeria dos vinhos portugueses de prestígio. A primeira, com 50 hectares de vinha situada no coração do mais antigo e tradicional sector de produção de vinho do Douro, centrou a sua produção durante séculos no vinho do Porto. Atacadas pela filoxera, as vinhas e adega foram alvo de um programa de modernização a partir de 1932. Este projecto continuou depois de 1956, tendo em especial atenção a produção de vinhos do Douro, tintos e brancos, e Porto vintage, a partir de castas tradicionais. O objectivo foi alcançado com sucesso já sob a direcção de Miguel Champalimaud que, a partir de 1976, tomou a seu cargo a produção dos vinhos da Quinta do Côtto e se tornou responsável pelo desenvolvimento do conceito de Vinhos de Quinta (é um vinho que, para além de ser produzido e engarrafado num terroir específico - a quinta -, foi produzido e seleccionado pelo seu proprietário). O Paço de Teixeiró, na região demarcada do Vinho Verde, também teve as vinhas destruídas pela filoxera no período entre 1880 e 1885, como aconteceu em quase toda a Europa. A partir de 1978 cerca de 12 hectares de vinhas foram replantados. O primeiro vinho lançado no mercado foi o Paço de Teixeiró 1985.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Helena Cristina Coelho | Revista Dia D (Público)</description><pubDate>Fri, 24 Nov 2006 00:00:00 +0000</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=10</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>&#34;Há muita vaidade no mundo do vinho&#34;</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=9</link><description>&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Com é que é possível um crítico de vinhos marcar uma entrevista numa cervejaria?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Venho aqui com assiduidade. E gosto muito de cerveja, até estou a pensar fazer lá em casa. Não é tão interessante quanto o vinho, mas também fermenta e eu gosto do que fermenta. Um dia destes vou tentar fazer queijos...&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Porque vinho já faz, não é? Isso não é eticamente incompatível com a actividade de crítico?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Fiz vinho entre 1994 e 2005, o Rogenda, em Pinhel, numas terras da família do meu pai. Mas nunca escrevi nada sobre ele. Nada.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Mas houve quem escrevesse...&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O João Paulo Martins escreveu uma primeira e única vez sobre o tinto de 1996 e eu achei que fez uma avaliação injusta. Liguei-lhe a perguntar como é que ele não via que aquele vinho era espectacular... Desliguei zangado com ele, mas no dia seguinte já éramos outra vez amigos...&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Ou seja, além de perceber melhor as dificuldades de quem faz vinho, também ficou a compreender como os produtores reagem às críticas?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;É verdade. Mas hoje vejo que são os produtores mais profissionais os que aceitam melhor. Percebem que faz parte do jogo. De vez em quando, há um amuo, que depois passa. Mas há muita vaidade no mundo do vinho. Gente que tem dinheiro, faz uma grande adega, contrata o &#38;#34;enólogo do ano&#38;#34; e depois, se não dizemos o que ele quer, não sabemos nada.&#60;br /&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;E a vaidade de quem escreve?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Há também. E muita jactância, do tipo &#38;#34;quem não gostar do que eu gosto não percebe nada&#38;#34;. Eu, quando escrevo o guia, não quero dar juízos definitivos, quero apenas dar a minha opinião, que é a de alguém que prova muitos vinhos há muitos anos. Mas acho muito bem que haja outras opiniões. Até incentivo essa atitude quando encontro quem me lê.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Mas se as pessoas compram o guia não é para serem orientadas?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Uma coisa é terem orientações, encontrarem opiniões sobre vinhos que não conhecem, etc. Outra é repetirem cegamente o que o crítico acha, mesmo quando não coincide com o seu gosto e opinião. Mas o mundo está assim. Também há muita gente que só dá opiniões sobre política, teatro ou cinema depois de ler o que diz o DN ou outros jornais. Perdemos a capacidade de pensar e julgar por nós próprios.&#60;br /&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;No seu guia, cada vinho traz uma nota e depois um pequeno texto descritivo sobre o que provou...&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Sim, mas o mais importante é a nota. É nisso que a maior parte das pessoas repara. O resto é mais para depois de se provar o vinho, para ver se a opinião coincide, ou para aqueles que são m ais fanáticos... A nota é objectiva, o texto é subjectivo.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Faz sempre provas cegas?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;No início não fazia, mas de há quatro anos para cá passei a fazer. Mas não é totalmente cega. Divido os vinhos por tipo, região e em categorias standard, média e alta. Mas a prova cega é mais para me concentrar no vinho porque eu tenho um certo défice de concentração e se a garrafa estivesse destapada ia ser pior.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Nunca tem surpresas?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Hoje em dia não, mas há uns anos tive algumas. Acho que este guia, tal como eu como provador, tem vindo a crescer. Hoje, quando estou ainda na parte dos aromas já vou formando a nota na minha cabeça. Depois, mal provo, ela geralmente confirma-se. De vez em quando, faço uma segunda prova para esclarecer as coisas.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Como é que faz as provas?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Em minha casa, descalço, de calções e T-shirt , porque as provas são nos meses de Verão, com muito calor. E só provo de manhã.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Quanto vinhos prova por dia?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Depende do tipo de vinhos, mas, em média, uns 40. Mas há dias em que estou cansado e só provo uns quatro ou cinco.&#60;br /&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Os vinhos estão mais baratos?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Estão e a tendência vai ser essa, porque parece que há milhões de garrafas encalhadas. E, na Europa, por cada seis garrafas que se produzem, só uma se vende... Mas os topo de gama continuam a aumentar de preço. Criou-se em Portugal um nicho de mercado de gente que, desde que o vinho tenha notas muito altas e seja muito falado, dá qualquer preço que se peça, independentemente de gostar ou não do vinho&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Então a culpa é dos críticos?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A culpa é de quem segue cegamente a opinião dos críticos. Ou gosta de se exibir para os amigos...&#60;br /&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;O seu gosto pessoal não conta?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Às vezes nota-se que há mais entusiasmo nos textos. Mas nas notas faço avaliações técnicas e não a afirmação de gostos pesssoais. Aliás, eu, em minha casa, quase só bebo vinhos brancos.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Duarte Calvão | Diário de Notícias</description><pubDate>Wed, 22 Nov 2006 00:00:00 +0000</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=9</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>CEVDÃO - Criado em Nelas em 1946</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=8</link><description>A área da Região Demarcada do Vinho do Dão compreende concelhos dos distritos de Viseu (Carregal do Sal, Mangualde, Mortágua, Nelas, Penalva do Castelo, Santa Comba Dão, Sátão, Tondela e 29 freguesias de Viseu), Coimbra (Arganil, Oliveira do Hospital e Tábua) e Guarda (Aguiar da Beira, Fornos de Algodres, Gouveia e Seia). Entre as castas tintas do Dão, a &#38;#34;rainha&#38;#34; é o Touriga Nacional. Com ela, &#38;#34;quando usada numa percentagem conveniente, obtêm-se vinhos com bom teor alcoólico, com aromas intensos de elevada complexidade, encorpados, com taninos nobres e susceptíveis de longo envelhecimento&#38;#34;. Nas castas recomendadas, incluem-se ainda o Alfrocheiro-Preto, Alvarelhão, Aragonez (Tinta-Roriz), Bastardo, Jaen, Rufete (Tinta-Pinheira), Tinto-Cão, Touriga-Nacional e Trincadeira-Preta (Tinta-Amarela). Entre as brancas, o Encruzado é a mais nobre. &#38;#34;Se usada numa percentagem regular, contribui para a obtenção de vinhos com bom teor alcoólico, com aromas complexos (resinosos), frescos na boca, relativamente secos e com um final fino e elegante.&#38;#34;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão (Cevdão) comemora hoje 60 anos de existência. Criado em Nelas, em 1946, na Quinta da Cale, porque o concelho &#38;#34;representava o coração da região do Dão, tanto pela óptima qualidade dos seus vinhos, como pelo volume da sua produção&#38;#34;, o Cevdão (uma unidade orgânica da Direcção Regional de Agricultura da Beira Litoral) continua a ter um papel fundamental na área da experimentação e divulgação da vitivinicultura e da enologia da região. O actual responsável do Cevdão, Jorge Brites, considera que estas são duas áreas indissociáveis onde &#38;#34;há ainda muito que fazer&#38;#34;, mas sublinha que o desafio que se coloca ao Dão é, através da aposta na qualidade, traçar novas estratégias de marketing e comercialização. E, na sua opinião, o segredo para a qualidade dos vinhos da região é o seu &#38;#34;riquíssimo património genético&#38;#34;.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#38;#34;Os vinhos da região do Dão sempre foram obtidos a partir de um conjunto de castas mais ou menos numerosas. Branco ou tinto, o vinho do Dão nunca era feito a partir de uma só casta [e este] é um património valioso que é preciso preservar&#38;#34;, vinca, lembrando que actualmente a &#38;#34;moda&#38;#34; é, à semelhança dos franceses, fazer vinhos &#38;#34;varietais&#38;#34; a partir de uma, duas ou três castas. Explica que, apesar de a região não poder ficar alheia a esta tendência - que tem sido seguida com a produção de vinhos a partir de Touriga Nacional, de Alfrocheiro, de Encruzado ou Malvazia Fina -, também não pode ser ignorado que &#38;#34;os melhores vinhos do Dão são feitos por um conjunto global de castas&#38;#34;. Por isso, conclui: &#38;#34;Esse conjunto de castas, associadas sempre a uma que é considerada rainha (Touriga Nacional, no caso dos tintos, e Encruzado, no caso dos brancos), faz com que o Dão tenha vinhos de qualidade superior, com potencialidades extraordinárias e com características diferentes das outras regiões&#38;#34;.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Uma mais-valia que a região não pode perder&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;/span&#62;Jorge Brites acredita que esta é uma mais-valia que a região não pode perder, pois só assim o Dão se puderá afirmar no mercado nacional e internacional, onde a concorrência é fortíssima, nomeadamente a oriunda do &#38;#34;Novo Mundo, onde há países a fazerem vinhos tão bons ou melhores e a preços muito mais competitivos&#38;#34;. &#38;#34;Nós temos de primar pela diferença, e a nossa diferença é fazer o vinho a partir de um conjunto de castas mais ou menos vasto, mas tendo em atenção as boas características de uma e de outra, que, no seu conjunto, permitem a obtenção de um vinho diferente, mas de qualidade superior&#38;#34;, reitera. Está, por isso, convicto de que, desde que a região &#38;#34;não adormeça&#38;#34; e, com &#38;#34;imaginação e dinamismo, una esforços&#38;#34;, é possível obter vinhos que possam &#38;#34;ombrear com os de melhor qualidade em todo o Mundo&#38;#34;. Avisa, porém, que é necessário deixar &#38;#34;bairrismos e vaidades&#38;#34;.&#60;br /&#62;No seu trabalho de apoio e de busca de soluções para que o vinho obtenha a qualidade desejada, o Cevdão recebe anualmente cerca de 4000 amostras de vinho de mosto por ano, para análise e conselho laboratorial. Nas análises, são avaliados vários parametros, nomeadamente o grau alcoólico, de acidez, o PH e os açúcares, entre outros. Depois do resultado das análises, o vitivinicultor é aconselhado a fazer o tratamento necessário e/ou é ensinado a como conservar o vinho.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Para Jorge Brites, o número de amostras é &#38;#34;significativo&#38;#34;. Explica, no entanto, que o Cevdão tem capacidade para receber mais amostras, já que possui um analisador automático que faz a análise com base em dados comparativos, o que lhe permite obter 40 resultados por hora.&#60;br /&#62;O Cevdão tem ainda uma vinha de oito hectares, através da qual produz o seu próprio vinho, que utiliza em estudos e análises mais pormenorizadas e na promoção da região.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Entrevista com Jorge Brites - CEVDão&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;PÚBLICO - Como caracteriza os vinhos da Região?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;JORGE BRITES - Aqui sempre houve três tipos de vinho. Um que é o vinho do lavrador, para auto-consumo, que é uma mistura de castas brancas e tintas. Depois há o tipo de vinho que apareceu com o surgimento das adegas cooperativas, em que já havia a preocupação de separar o branco do tinto, de aplicar tecnologias mais modernas, com mais cabimento técnico. Hoje, essas adegas, fruto da evolução e da pressão da concorrência, já conseguem apresentar vinhos de boa qualidade. E depois outro tipo que foi a base do nome do Dão: os chamados vinhos de quinta, das grandes casas senhoriais, que eram os vinhos feitos de castas tradicionais.&#60;br /&#62;Estamos numa região que tem uma potencialidade para ter vinhos no comércio cedo. Há possibilidades de, com as castas que tem e com a tecnologia actual, fazer vinhos que com um ou dois anos podem ir para o mercado. Mas também temos castas e condições para fazer vinhos que podem durar 40 ou 50 anos, patenteando ainda qualidades excelentes.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Os brancos do Dão também podem competir com outras regiões?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;/span&#62;Há muita gente que diz que o Dão é uma região só de tintos, que não tem qualidade para vinhos brancos. Isso é uma pura mentira. O Dão tem vinhos brancos de excelente qualidade, se bem que as castas não tenham um potencial aromático muito forte. Isto quer dizer que a qualidade desses vinhos só se manifesta ao fim do primeiro ou segundo ano. Também é verdade que determinados tipos de vinho, se quisermos ter a paciência de esperar, poderão atingir ou enaltecer essa qualidade ao fim de uma, duas, três, quatro dezenas de anos. E, para provar isso, vamos brindar o sexagésimo aniversário do CEVDão com vinho branco da colheita de 1964.&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;O vinho tem vindo a perder consumidores para as bebidas brancas. É possivel inverter essa tendência?&#60;/span&#62;&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Há todo um conjunto de bebidas consumido por uma população jovem que nunca esteve associada ao vinho. Há que conquistar esse público, apresentando vinhos diferentes, que à primeira vista podem não ser de excelente qualidade, mas que sejam vinhos adaptados ao gosto da juventude. Gostos não se discutem, mas podem ser educados e aí compete à região e entidades responsáveis do sector fazer algo para conquistar esse mercado.&#60;br /&#62;&#60;br style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34; /&#62;&#60;span style=&#38;#34;font-weight: bold;&#38;#34;&#62;Que presente gostaria de receber no aniversário do CEVDão?&#60;br /&#62;&#60;br /&#62;&#60;/span&#62;Queria que o centro e seus funcionários pudessem comemorar outros 60 anos. Humanamente é impossível, mas gostaria que o CEVDão continuasse por muitos e muitos anos. O futuro que eu lhe augurava era que continuasse as suas funções com o mínimo de condições para que possa efectuar o seu trabalho em prole da Região Demarcada do Dão e a ajudar os vitivinicultores a produzir melhores vinhos.&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Público</description><pubDate>Tue, 21 Nov 2006 00:00:00 +0000</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=8</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>O &#8220;descobrimento&#8221; dos vinhos na China</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=7</link><description>&#60;p&#62;Em praticamente todos os contactos que mantenho com entidades oficiais chinesas, a pergunta é recorrente: &#38;#8220;Portugal produz excelentes vinhos, porque não exporta mais para a China?&#38;#8221; &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;De facto, a qualidade dos vinhos portugueses já não é um segredo exclusivo deste cantinho à beira-mar plantado, mas tarda em chegar ao conhecimento do Império do Meio. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;De há uns anos a esta parte, os nossos vinhos têm marcado presença habitual nos anuários de revistas de referência como a Wine Spectator e a Wine and Spirits. Recentemente, esta última elegeu 5 produtores de vinho portugueses entre os 100 melhores de 2006. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Em média, Portugal produz anualmente 6,5 milhões de hectolitros de vinho, registando um consumo por pessoa de 45 litros/ano, muito superior ao da China, que ainda não vai além de 0,5 litros/ano. O potencial de crescimento neste país é, no entanto, enorme, ao contrário de Portugal, cujo mercado nacional já se encontra completamente saturado, absorvendo 70% do vinho produzido. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Torna-se, assim, imperioso apostar mais decididamente na exportação, tanto para mercados maduros como para mercados emergentes de elevado potencial. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Não obstante a degustação de vinho ser um fenómeno relativamente recente na China, o país é já o maior mercado de consumo na Ásia em termos de volume, com um total de 520 milhões de garrafas em 2004, segundo um estudo da International Wine and Spirit Record. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;br /&#62;Neste estudo, prevê-se que, num horizonte temporal de 10 anos (1999 - 2009), o mercado chinês venha a crescer cerca de 78%. Aspectos como (I) uma classe média de cerca de 200 milhões de pessoas, com clara tendência de crescimento nos próximos anos, (II) a descida progressiva das tarifas de importação sobre o vinho, na sequência da adesão da China à OMC, e (III) a promoção pública das virtudes do consumo de vinho tinto, ajudam a explicar este crescimento e servem para alimentar as expectativas de produtores de vinho em todo o mundo. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Entre os vinhos estrangeiros mais vendidos na China, a França e o Novo Mundo (Austrália, Chile, EUA, entre outros) são as potências dominantes, com os vinhos portugueses a registarem apenas 2% da quota do mercado de vinhos importados, ou seja, 0,1% do mercado total. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Os vinhos portugueses sofrem de um problema comum a praticamente todos os produtos portugueses na China, a quase total ausência de imagem e de conhecimento dos chineses sobre Portugal. Ou seja, as empresas portuguesas de vinhos que queiram apostar decididamente neste mercado, terão de fazer um grande esforço de promoção e &#38;#8216;marketing&#38;#8217; junto do consumidor chinês, inserido numa abordagem de longo prazo. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Neste contexto, vale a pena destacar o G-7, agrupamento que congrega os maiores produtores nacionais de vinho. Nos últimos anos, tem realizado diversas acções de promoção na China, e constitui um exemplo de como a actuação concertada e a ultrapassagem de rivalidades podem resultar na obtenção de maior massa crítica, essencial em mercados exigentes e de grande potencial de procura, como é o caso do mercado chinês. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Em termos de produtos, estudos de mercado indicam que, para além de &#38;#8220;vinhos de combate&#38;#8221;, apenas competitivos no factor preço, uma séria alternativa a considerar passa pela aposta na introdução de vinhos portugueses reconhecidos pela crítica em mercados que lideram a opinião, e que possam vir a criar uma imagem diferenciadora e de qualidade. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Refira-se ainda que Macau, visitado anualmente por cerca de 20 milhões de turistas, tem vindo a contribuir para uma maior notoriedade e conhecimento dos vinhos portugueses na China. Em 2005, Portugal exportou para esta Região Administrativa Especial cerca de 1 milhão de litros de vinho, sendo actualmente o seu maior fornecedor, com uma quota de mercado de 65%&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Rui Pereira | Diário Económico</description><pubDate>Tue, 07 Nov 2006 00:00:00 +0000</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=7</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>&#34;Há condições para a agricultura portuguesa sobreviver sem ajudas&#34;</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=5</link><description>&#60;p&#62;João Machado admite que a agricultura portuguesa será capaz de sobreviver sem apoios comunitários após 2013, mas, até lá, está preocupado com o destino que as novas verbas terão na agricultura portuguesa. Por um lado, não quer ver repetidas no futuro as devoluções de dinheiro que Portugal tem feito a Bruxelas e, por outro, quer garantir para os agricultores portugueses condições de competitividade que lhes permitam actuar no mercado em igualdade de circunstâncias, nomeadamente, em relação aos seus colegas espanhóis. Em sua opinião, a equivalência dos factores concorrenciais só será possível com ajudas para suportar, sobretudo, custos de produção, como a electricidade e o gasóleo. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;JN|O que é que mais preocupa os agricultores portugueses neste momento?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;João Machado|É o próximo quadro comunitário de apoio 2007-2013. A maior preocupação da CAP é saber se Portugal - que tem sido um dos países que menos dinheiro tem recebido da União Europeia - vai ver reequilibrado o seu orçamento nos próximos anos, até 2013, em relação aos outros Estados. Mas não basta ter uma boa política e um bom orçamento decididos em Bruxelas, que depois é preciso aplicar bem em Portugal e em tempo.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Está tranquilo com aquilo que já é conhecido da política definida por Portugal no Plano Estratégico para a agricultura 2007-2013?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Não, não estou nada tranquilo. Estou muito intranquilo, porque, pela primeira vez, no início do quarto quadro comunitário de apoio (vamos na quarta negociação para um período de tempo desde que Portugal pertence à União Europeia) os agricultores, isto é, os interessados nesta matéria, não tiveram nenhuma intervenção na negociação. Há um total secretismo em Portugal, ao nível do Ministério da Agricultura, que não possibilita a um parceiro social como a CAP participar nessa negociação.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Fará desta matéria uma nova luta contra o ministro da Agricultura?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Nós temos mantido lutas muito acesas com o actual ministro que dizem respeito a contratos não cumpridos, a políticas que o ministro não assume e, sobretudo, que dizem respeito a acusações aos agricultores de fraude e de ilicitudes. Estamos a falar das agro-ambientais, da electricidade verde, dos apoios à seca de 2005.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Mas em relação ao próximo quadro de apoio, o que é que a CAP gostaria de ver implementado?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;O que a CAP acha que um Governo responsável faria é que o ministro da Agricultura falasse com as organizações do próprio país e delineasse uma estratégia que visasse reduzir a diferença na política agrícola comum entre Portugal e os outros países europeus.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;É correcta a ênfase que o ministro quer dar ao reforço das verbas para a competitividade da agricultura portuguesa?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Do que é conhecido - e é conhecido pouco -, Portugal vai ter verbas significativas do próximo quadro comunitário, o que deveria deixar todos contentes. Numa primeira abordagem, a CAP está contente com as essas verbas e congratula o primeiro-ministro que em negociações políticas as conseguiu. O que acontece é que nunca, até hoje, Portugal conseguiu gastar todas as verbas que tinha à sua disposição. Mais do que isso, este ministro foi o ministro que mais dinheiro devolveu nos últimos dois anos à União Europeia. Nós não acreditamos que este ministro da Agricultura consiga implementar uma política agrícola nacional em Portugal. Ele tem a palavra competitividade no seu vocabulário, mas, na electricidade verde, por exemplo, na prática, acabou com os apoios. Mas sem eles, a agricultura mais competitiva, que é a de regadio, não pode subsistir.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Críticos dizem que os apoios não são todos gastos por falta de projectos dos agricultores. É assim?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Não é verdade. Dou-lhe um exemplo em 2005, existiam contratos da política agro-ambiental. Pela primeira vez em 12 anos, as políticas ambientais da União Europeia, as mais importantes de todas, tinham arrancado em Portugal e tínhamos 70 milhões de euros de candidaturas e um plafond de 55 milhões para gastar. Teria de haver um rateio e o Governo português tinha de pôr os outros 15 milhões para poder financiar tudo.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;E o que aconteceu?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Inviabilizou todas as candidaturas, devolveu os 55 milhões a Bruxelas e deixou 27 mil agricultores que vão pagar as agro-ambientais. Portugal vai devolver a Bruxelas, em 2006, cerca de 30 a 40 milhões de euros, não sabemos ainda. E, para 2007, o ministro disse que queria ter um conjunto de candidaturas aceitáveis para se iniciarem no dia 1 de Janeiro, mas, na melhor das hipóteses, vai ter o Plano de Desenvolvimento Rural aprovado em Junho ou Julho do ano que vem. Quer dizer que não vai ter nenhuma candidatura e que, mais do que isso, vai ter outra vez, para o ano, devolução de dinheiro a Bruxelas. Portanto, daria muito jeito ter candidaturas de 2006 e 2005, que têm cinco anos de longevidade, e que encobrissem essa parte do orçamento, não o deixando no zero. &#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;No caso dos processos que opõem a CAP ao ministro da Agricultura, e que estão em tribunal, o provedor de justiça deu parecer favorável ao ministro. Até que ponto pode influenciar os processos?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Nós pusemos ao provedor de justiça duas questões uma que tem a ver com agro-ambientais e outra com a electricidade verde. O ministro da Agricultura apressou-se a divulgar o parecer do provedor de justiça. Fez um comunicado de imprensa que tem três parágrafos. O provedor de justiça fez uma comunicação que tem oito páginas e que diz o seguinte: que devia haver contratos escritos entre o Ministério da Agricultura e os agricultores, mas como estes não existem, provavelmente os agricultores não conseguirão em tribunal defender-se sobre essa questão. Nós dizemos: existia um contrato escrito. Quem alterou a lei foi o Governo português anterior, para tornar o processo menos burocrático. Em 12 anos de medidas agro-ambientais, durante 10 anos as regras foram haver contrato escrito. Durante dois anos, as regras foram não haver contrato escrito. Nós cumprimos as regras. O parecer do provedor também diz que o Ministério da Agricultura tem culpa porque não informou os agricultores a tempo sobre o não pagamento.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;A agricultura portuguesa tem condições para conseguir sobreviver após de 2013 sem ajudas?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Não tenho a menor dúvida de que existem condições para a agricultura sobreviver sem ajudas. Portugal é um país, na maior parte dos produtos agrícolas, importador e, como consumidor, prefere produtos portugueses. Ou seja, há margem de crescimento que nos permite acreditar que o mercado português é um mercado ainda em estabilização. Mas não pode haver diferenças de competitividade, nomeadamente em relação aos apoios que os produtores espanhóis recebem. Não é possível viver abolindo os apoios à electricidade verde, ao gasóleo verde, todos os apoios nacionais e dizer aos produtores nacionais &#38;#34;sejam competitivos!&#38;#34;. Se tivermos os mesmos factores de concorrência, teremos seguramente capacidade para sobreviver num mercado competitivo. Estou confiante, excepto enquanto tiver o dr. Jaime Silva como ministro da Agricultura, porque ele já revelou que não é capaz de defender os agricultores portugueses.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Concorda que o grande problema da agricultura em Portugal são as terras abandonadas?&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Não. As terras abandonadas em Portugal não são um problema da agricultura portuguesa. São a consequência da agricultura portuguesa. O abandono é cada vez mais dramático e mais rápido, porque não há nenhuma política agrícola que seja nacional e que a reestruture, nomeadamente no que diz respeito à dimensão da propriedade. Todos os países europeus tiveram coragem de enfrentar esta matéria nos últimos 20 anos. Portugal continua com uma área média de 9,2 hectares, quando a média comunitária é 40. Espanha já superou essa média. Enquanto a política não mudar, vai continuar a existir abandono.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;strong&#62;Alertas para o vinho&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;As propostas da Comissão Europeia para reformar o sector do vinho são, na opinião de João Machado, &#38;#34;surpreendentes&#38;#34;. Embora concorde com a intenção de acabar com regiões que produzem vinho sistematicamente para a destilação e com a abolição da adição de açúcar de beterraba ao vinho em zonas sem clima para o produzir, o presidente da CAP considera &#38;#34;inaceitável&#38;#34; que a Comissão proponha o arranque de 400 mil hectares de vinha quando &#38;#34;existem mais de 60 mil hectares de vinha ilegal, sobretudo em Espanha e Itália&#38;#34;. Repudia, por outro lado, a liberalização da importação de mostos de todo o mundo, dando lugar a que países europeus não produtores possam fazer vinho com mostos de países terceiros, &#38;#34;quando há excedentes&#38;#34; na Europa. Alerta, ainda, para a &#38;#34;incongruência total&#38;#34; da proposta por admitir a liberalização da plantação de vinha após 2013, &#38;#34;ao arrepio daquilo que a Comissão quer defender, que é o equilíbrio entre a produção e a procura&#38;#34;.&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Jornal de Notícias</description><pubDate>Thu, 05 Oct 2006 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=5</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Douro - 250 anos</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=1</link><description>&#60;div&#62;Vale a pena comemorar? Penso que sim, porque os actos de clarividência política - que por cá tendem a escassear - merecem celebração. E porque, independentemente das vicissitudes e abusos historicamente registados ao abrigo daquela decisão inicial, nela reside a origem de um dos poucos produtos de excelência em que Portugal integra a elite mundial mais qualificada; não vale a pena citar os prémios internacionais, os &#38;#34;vintage&#38;#34; míticos, a crescente afirmação nos mercados mais exigentes ou o saber acumulado e combinado de produtores e enólogos para se perceber que temos no Douro um (infelizmente) raríssimo exemplo nacional de &#38;#34;cluster&#38;#34; de competitividade mundial.&#60;/div&#62;
&#60;div&#62; &#60;/div&#62;
&#60;div&#62;Dois séculos e meio passados, aquela decisão inicial não só gerou uma sustentada excelência do vinho como, à laia de benefício colateral, criou uma paisagem única, de beleza e majestade suficientemente marcantes para merecer, em 2001, o galardão de património mundial da UNESCO. Actualmente, os que muito justamente receiam a excessiva dependência em relação à monocultura do vinho, paralelamente são levados a reconhecer o óbvio potencial, ao mesmo tempo complementar e alternativo, que hoje representa o turismo de qualidade, sendo já vários os empreendimentos que se vão consolidando, confirmando a existência desse novo filão. Mas a comemoração propicia também um olhar mais atento sobre o Douro, o qual suscita dois outros sentimentos, um de perplexidade e outro de risco. O primeiro resulta do constrangimento provocado, perante tal realidade, pela persistência de uma pobreza estrutural talvez mais do que há 250 anos, os pouco mais de 200.000 habitantes do Douro estão entre os mais pobres e menos instruídos do País, são 30% mais velhos do que a média nacional e têm um poder de compra equivalente a 39% do de um habitante da capital; o que os leva a, talvez por isso mesmo, abandonarem o Douro, nas últimas duas décadas à razão de quase cinco habitantes por dia. Será este território um buraco negro esquecido entre as prioridades das nossas políticas públicas? Diria que a questão não se coloca assim; ela é de outro foro, que o presente espaço não permite tratar: é que é quase impossível que 21 concelhos pobres - com menos habitantes que a maioria das freguesias das grandes urbes, ameaçados de envelhecimento e despovoamento, repartidos por quatro Agrupamentos de Concelhos pertencentes a quatro Distritos - consigam, apesar dos esforços de coordenação sem instrumentos da CCDRN, tirar proveito suficiente da proliferação de programas, interlocutores, serviços desconcentrados e políticas nacionais (turismo, agricultura, cultura, estradas e caminhos-de-ferro, ambiente, educação, saúde, etc.) centralmente definidos e incidindo desarticuladamente, na maioria dos casos, sobre o seu frágil território.&#60;/div&#62;
&#60;div&#62; &#60;/div&#62;
&#60;div&#62;O risco é o da iminente destruição da paisagem. O turismo no Douro exige uma paisagem impoluta e autêntica, núcleos urbanos preservados, um tecido cujos poros sejam atravessados pela qualidade. Mas, se todos o reclamam, pergunte-se quem são os actores? Apesar dos muitos planos delineados, os grandes responsáveis pela gestão da paisagem do Vale do Douro são os autarcas. Sejamos, então, claros: quem, na sua posição, ousaria justificar junto dos eleitores a rejeição de uma nova casa ou estabelecimento, a extensão de um armazém ou a construção de uma &#38;#34;fabriqueta&#38;#34; por não serem esteticamente adequados ou por agredirem a paisagem vista a partir do rio, abdicando assim de interesses e receitas concelhias em prol de lógicas &#38;#34;integradas&#38;#34; que, na prática, só indirecta e tardiamente beneficiam o seu concelho? Pelo que, ao contrário de muitos, diria que os autarcas do Douro têm resistido razoavelmente e com sabedoria a estas tentações naturais.&#60;/div&#62;
&#60;div&#62; &#60;/div&#62;
&#60;div&#62;Há 250 anos, perante a potencial perda de um bem excepcional e em nome do interesse nacional, Pombal definiu uma política clara e detalhada, com regras, instituições e mecanismos de controlo. Hoje, a história repete-se Portugal precisa de uma política para o Douro, dotada de responsáveis, instrumentos e meios, capaz de combinar turismo e desenvolvimento; para o que as recentes decisões governamentais nesse sentido têm de configurar uma verdadeira prioridade política - enquanto persistirmos na ausência de regiões e tivermos de viver em centralismo, que este seja ao menos iluminado.&#60;/div&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Elisa Ferreira | Jornal de Notícias</description><pubDate>Sat, 30 Sep 2006 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=1</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>O Douro das Nossas Vidas</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=2</link><description>&#60;div&#62;&#60;span style=&#38;#34;FONT-SIZE: 12pt&#38;#34;&#62;Os acessos são tortuosos e a viagem de comboio, mais de quatro horas a sorver carvão, impele-os a colocar a cabeça fora da janela e enche-lhes os olhos de faúlhas. Nos ouvidos, o ignorado sermão maternal a alertar para o perigo. As crianças não fazem muitos amigos, que a comunidade duriense, rural, sofrida, é fechada e não se imiscui com a classe dirigente. Mas aprendem a nadar no rio, a pescar, a caçar, a subir as serras; deliciam-se com a fruta - o vinho, hão-de apreciá-lo mais tarde - e os primeiros bailes; lêem os primeiros livros e ouvem histórias que lhes povoam um imaginário que - ainda não sabiam nas décadas de 40 ou 50 - havia de acompanhá-las até ao último dia da vida. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O Douro celebra hoje 250 anos como região vinícola demarcada - a primeira do Mundo e a mais singular de todas as que depois lhe copiariam o título. A distinção é uma homenagem e um escudo protector da vinha, desenhada à mão, e do vinho de qualidade que dela resulta. Em 2001, a UNESCO classificou também 13 concelhos do Alto Douro vinhateiro como Património Mundial da Humanidade. A área, que representa dez por cento dos 250 mil hectares da região demarcada, é, desde então, considerada paisagem cultural. O cenário rende o país e o Mundo. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Mas quem o conheceu na infância, quem com ele cresceu, muito antes da atribuição das chancelas, sabe-o desde sempre. &#38;#34;O Douro é o rio e é uma força da natureza&#38;#34;, observa Francisco José Viegas, escritor de Foz Côa, que dedicou o primeiro romance, &#38;#34;Regresso por um rio&#38;#34;, a esse rio onde aprendeu &#38;#34;a nadar&#38;#34; e onde construiu &#38;#34;uma imaginação pessoal e literária&#38;#34; que lhe devolve o quanto foi ali feliz. &#38;#34;O Douro é o inferno&#38;#34;, afirma logo a seguir. &#38;#34;É parte de África com temperaturas elevadíssimas. Uma zona árida, terra de ninguém que ninguém queria atravessar. Ainda hoje, o trajecto de S. João da Pesqueira para Alijó não é muito popular&#38;#34;. &#60;br /&#62;Viegas da infância vivida na aldeia do Pocinho não é contraditório. É o Douro que encerra esse paradoxo impregnado de mitologias e arrebatamento. E nostalgia. Região que mata e ressuscita. Que oferece liberdade e, ao mesmo tempo, impõe solidão. Que &#38;#34;enriqueceu o país, mas nunca quem nele gastou a vida&#38;#34;. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;O Douro &#38;#34;são as pessoas; é isso que perdura na memória&#38;#34;, testemunha Agustina Bessa-Luís a viva voz e também, tantas vezes, nos livros, repletos de retratos dessas &#38;#34;mulheres viúvas, que traziam com elas a rotina, a crueza, as aspirações. Gente independente, que não se encontra no resto de Portugal; gente que se fecha no seu círculo familiar e de amigos e não admite estranhos; gente com um conhecimento fundo da miséria, com um carácter que não se caracteriza pelos sentimentos mais superficiais ou mais profundos, mas por uma sensação permanente de ajuste de contas&#38;#34;. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;Isso é agradável? &#38;#34;Não, não é nada agradável&#38;#34;, responde. &#38;#34;Enquanto lá vivi, dos 15 aos 18 anos, senti-me exilada, deprimida&#38;#34;. Mas o Douro será mais do que isso para quem hoje só lá tem, depositada num jazigo, a mãe. É também a ligação a Manoel de Oliveira, que começou com a &#38;#34;felicidade de ter por companhia&#38;#34; uma prima do cineasta. &#38;#34;As memórias boas superam as más as festas, os livros, as primeiras imaginações, e essa solidão, que é tão necessária a quem escreve e pensa&#38;#34;. &#60;br /&#62;O Douro é a &#38;#34;dualidade entre o litoral e a interioridade&#38;#34; e o &#38;#34;maravilhoso desafio que constituía a proximidade de Espanha, à distância, apenas, de um rio&#38;#34;, acrescenta Mário Cláudio, escritor indelevelmente influenciado pelas &#38;#34;inesquecíveis viagens de infância&#38;#34; a Freixo de Espada à Cinta. &#38;#34;Oito horas de comboio com a cabeça à janela. A estação deixava-nos a 25 quilómetros da vila e ainda tínhamos que percorrer três quartos de hora de charrete&#38;#34;, recorda. O prémio, quando, finalmente, chegava, &#38;#34;era o fabuloso espectáculo da perspectiva do Pocinho sobre toda a região. E as relações de ternura&#38;#34; que guarda nas fotografias do pai, &#38;#34;remador que gostava tanto de ver nessa altura&#38;#34;. Essa memória deu-lhe &#38;#34;uma experiência profunda irrepetível&#38;#34;. &#60;br /&#62;&#60;br /&#62;A mesma que haveria de marcar o percurso de Gaspar Martins Pereira, apaixonado presidente do Museu do Douro, que passava as férias de infância na aldeia do pai, Murganheira, em Salzedas. &#38;#34;Impressionou-me a grandiosidade do vale, os socalcos das vinhas, em escadório. E, claro, a doçura das uvas, dos peros e dos figos, a liberdade de correr solto pela aldeia toda&#38;#34;. Mas também &#38;#34;a pobreza de muitos durienses face à imagem de eldorado que construíra na minha memória&#38;#34;.&#60;/span&#62;&#60;/div&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Helena Teixeira da Silva | Jornal de Notícias</description><pubDate>Sun, 10 Sep 2006 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=2</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item><item><title>Expovinis 2006 - Fortalecer relações comerciais</title><link>http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=4</link><description>&#60;p align=&#38;#34;left&#38;#34;&#62;Decorreu, no Porto, na Exponor - Feira Internacional do Porto, entre 1 e 4 de Junho, as terceiras edições do Expovinis - Salão Internacional de Vinhos e do Tecnovinis - Salão de Técnicas e Equipamentos para a Viticultura e Enologia. Pela primeira vez, realizou se também o 1 Gourmet Salão Internacional de Produtos Alimentares que levou à Exponor uma iniciativa dedicada aos alimentos seleccionados, tais como especiarias, compotas, queijos, enchidos, presuntos e azeites de categorias especiais.&#60;/p&#62;
&#60;p align=&#38;#34;left&#38;#34;&#62;O salão Gourmet surge como «um projecto antigo para complementar a fileira e mostrar aquilo que se faz na área da alimentação e dos produtos certificados e de qualidade», explicou Filipe Gomes, director da Expovinis.&#60;/p&#62;
&#60;p align=&#38;#34;left&#38;#34;&#62;Ao longo de quatro dias, numa área de 7.500 metros quadrados, mais de 14 mil profissionais, nacionais e estrangeiros, tiveram a oportunidade de estabelecer contactos comerciais com 140 expositores do sector. Este acréscimo de visitantes, a atingir quase os 50% relativamente à edição anterior, realizada em 2004, representa «um sucesso» para os três salões. «Foi muito positivo», afirmou Filipe Gomes, acrescentando que esta afluência «correspondeu plenamente às nossas expectativas».&#60;/p&#62;
&#60;p align=&#38;#34;left&#38;#34;&#62;De registar também, segundo este responsável, a satisfação manifestada pela generalidade dos 100 importadores/compradores convidados, que consideraram a visita ao nosso país «bastante proveitosa».&#60;/p&#62;
&#60;p align=&#38;#34;left&#38;#34;&#62;&#60;strong&#62;Aposta na China&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p align=&#38;#34;left&#38;#34;&#62;Este ano, o Expovinis apostou em mercados emergentes que se apresentam como a principal via de escoamento da produção. De entre estes novos mercados, destaca-se a China, que, segundo Filipe Gomes, constitui uma boa alternativa aos mercados tradicionais, onde uma intensa competitividade provoca maiores dificuldades de venda. «Quando falamos da China, falamos de um mercado com centena de milhões de consumidores e com um crescente poder de compra», afirma o responsável. Estima-se, por exemplo, que o número de consumidores chineses de vinho atinja já os 100 milhões.&#60;/p&#62;
&#60;p align=&#38;#34;left&#38;#34;&#62;Neste sentido, um grupo de 17 das maiores cadeias distribuidoras e de retalho de vinho na China visitaram à 3ª edição da Expovinis, encontrando-se entre os compradores chineses os dois maiores importadores e distribuidores chineses, Monstrose e ASC Fine Wines.&#60;/p&#62;
&#60;p align=&#38;#34;left&#38;#34;&#62;Para além da comitiva chinesa, estiveram no Expovinis importadores provenientes de países que representam os mercados mais tradicionais, como o Reino Unido, Alemanha, Noruega, EUA, Finlândia, Espanha, Holanda, Hungria, Índia, Peru, Colômbia, Paraguai, Vietname, Canadá, Suécia, Rússia, Dinamarca e Brasil.&#60;/p&#62;
&#60;p align=&#38;#34;left&#38;#34;&#62;As actividades paralelas que integraram o programa das feiras registaram, por outro lado, uma grande adesão do público, designadamente os seminários &#38;#34;Como vender para...&#38;#34;, &#38;#34;Vinhos na distribuição moderna&#38;#34;, promovido pela revista DISTRIBUIÇÃO hoje, e as Provas Sensoriais.&#60;/p&#62;
&#60;p align=&#38;#34;left&#38;#34;&#62;&#60;strong&#62;Cluster do vinho sem estratégia&#60;/strong&#62;&#60;/p&#62;
&#60;p align=&#38;#34;left&#38;#34;&#62;A falta de investimento em estudos de mercado é apontada, em Portugal, como um dos maiores pontos fracos do cluster do vinho, de acordo com a análise feita em 2003 para a ViniPortugal pelo Monitor Group e orientado pelo seu sócio-fundador Michael Porter.&#60;/p&#62;
&#60;p align=&#38;#34;left&#38;#34;&#62;«Esta falta de investimento explica a falta de estratégia explícita partilhada pelo cluster do vinho no seu conjunto, deixando prevalecer uma cultura de tomada de decisões intuitivas», refere o estudo, salientando a «atitude de inércia» do sector em relação à modernização e à inovação na forma de fazer negócio.&#60;/p&#62;
&#60;p align=&#38;#34;left&#38;#34;&#62;Neste âmbito, segundo as conclusões do Monitor Group, a grande maioria do vinho é vendido no mercado local, com uma parte relativamente reduzida a ser exportado (14% do volume na campanha de 2001/2). Do vinho exportado, uma parte significativa destina-se a consumidores aos quais é relativamente fácil vender, por oposição àqueles que permitirão ao cluster obter o rendimento mais elevado, nomeadamente as vastas comunidades de emigrantes, como são exemplo os EUA, o Canadá e as ex-colónias do Brasil e Angola.&#60;/p&#62;
&#60;p align=&#38;#34;left&#38;#34;&#62;Por outro lado, o estudo de Michael Porter alerta para o facto de Portugal não poder competir, em termos de preços, com os seus concorrentes internacionais nos segmentos de volume elevado, devendo voltar-se, por isso, para os vinhos de qualidade superior, nos quais pode ser mais competitivo. Com uma produção média de 39 hectolitros, os produtores portugueses concorrem com países como os EUA e a Austrália, que produzem uma média de, respectivamente, 4.200 e 2.500 hectolitros por produtor.&#60;/p&#62;&#60;br/&#62;&#60;b&#62;Fonte: &#60;/b&#62; Revista Distribuição Hoje</description><pubDate>Mon, 04 Sep 2006 00:00:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="true">http://www.infovini.com/pagina.php?codPagina=27&amp;codArtigo=4</guid><author>infovini@infovini.com (Artigo)</author><category>Artigos</category></item></channel></rss>